Firmeza contra o “inimigo” e Ormuz fechado: a primeira mensagem do novo líder supremo do Irão
Novo ayatollah, Mojtaba Khamenei, promete levar a vingança contra o "inimigo" até ao fim, pedindo firmeza na luta, e indicou que Estreito de Ormuz vai continuar fechado.
O Irão não está disposto a ceder e vai manter o Estreito de Ormuz fechado como forma de pressionar os Estados Unidos e Israel. Foi esta a principal mensagem esta quinta-feira do novo ayatollah, Mojtaba Khamenei, na primeira declaração desde que subiu ao poder.
“A alavanca do bloqueio de Ormuz deve ser absolutamente utilizada”, defendeu segundo uma declaração lida por uma jornalista da televisão estatal.
O novo líder supremo do Irão sugeriu assim que a única passagem do Golfo Pérsico para o mar aberto e por onde circula 20% do comércio petrolífero continuará bloqueado, decisão que a Guarda Revolucionária depressa assumiu.
“Em resposta à ordem do líder supremo, atacaremos o agressor inimigo com a máxima severidade, mantendo o Estreito de Ormuz fechado“, declarou o comandante da força naval da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, na rede social X, logo após o primeiro pronunciamento de Mojtaba Khamenei.
Mojtaba Khamenei desafiou também os países da região a encerrarem as bases norte-americanas nos respetivos territórios, deixando claro que os ataques irão continuar. “Asseguro a todos que não negligenciaremos a vingança pelo sangue dos mártires“, disse.
“Uma parte limitada desta vingança foi implementada até agora, mas enquanto não for levada até ao fim, continuará a ser uma das nossas prioridades”, declarou.
A declaração de Mojtaba Khamenei, nomeado guia supremo da República Islâmica do Irão no domingo, depois do ayatollah Ali Khamenei ter sido morto no primeiro ataque israelo-americano contra Teerão, em 28 de fevereiro, foi conhecida ao 13º dia de guerra.
No entanto, o facto de não ter sido lida pelo próprio adensou os rumores sobre a saúde do novo líder iraniano. Autoridades iranianas afirmaram que Khamenei sofreu ferimentos leves nos ataques aéreos que levou à morte do pai, mas a profundidade dos seus ferimentos não é clara.
A perspectiva de que, segundo a Agência Internacional de Energia, a maior interrupção da história de fornecimento de petróleo da história se prolongue fez os preços do petróleo dispararem novamente acima de 100 dólares por barril.
Paralelamente, o presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu que o aumento dos preços do petróleo representa lucros mais significativos para os Estados Unidos, mas garante que a prioridade passa por impedir que o Irão tenha armas nucleares.
“Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro. Mas de interesse e importância muito maiores para mim, como Presidente, é impedir que um império maligno, o Irão, tenha armas nucleares e destrua o Médio Oriente e, de facto, o mundo. Jamais permitirei que isso aconteça“, escreveu numa publicação na rede social Truth.
Ainda assim, a Bloomberg avançou esta quinta-feira que a Administração Trump prevê conceder isenções temporárias à lei marítima norte-americana centenária que exige o uso de navios construídos nos EUA para transportar mercadorias entre portos americanos. A medida é tomada como parte dos esforços para conter o aumento dos preços do petróleo, de acordo com fontes ouvidas pela agência noticiosa.
As isenções de 30 dias para as diretrizes daquela que é conhecida como “Jones Act” permitiriam que petroleiros estrangeiros ajudassem a abastecer refinarias na Costa Leste com combustível do Golfo do México e de outras regiões dos EUA.
A “Jones Act”, que corresponde à Lei da Marinha Mercante de 1920, é uma lei federal dos EUA que exige que todas as mercadorias transportadas por via marítima entre portos dos EUA sejam transportadas em navios construídos, de propriedade e com bandeira dos EUA, e com pelo menos 75% da tripulação composta por cidadãos americanos.
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