Investimento do BEI em Portugal aumentou 43%. 2025 foi um ano recorde

Financiamento do BEI atingiu três mil milhões em Portugal. Cerca de sete em cada dez euros do financiamento total do grupo foram para projetos de transição verde. Foi atingido um nível recorde.

O investimento do Banco Europeu de Investimento (BEI) em Portugal aumentou 43%, o ano passado, atingindo três mil milhões de euros, reflexo do apoio à habitação e à reconstrução de escolas, mas também ao financiamento da linha de alta velocidade. Este montante deverá mobilizar cerca de 12 mil milhões de em investimentos, cerca de 4% do PIB, o que torna Portugal o maior beneficiário do financiamento do BEI em percentagem do PIB.

O ano de 2025 “foi um ano extraordinário para a atividade do Grupo BEI em Portugal”, disse Nadia Calviño. “Investimos três mil milhões de euros, incluindo um financiamento recorde destinado a apoiar a habitação, projetos verdes, a linha ferroviária de alta velocidade Porto-Lisboa e a inovação”, elencou a presidente do Grupo BEI – constituído pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI).

Quando Portugal aderiu à União Europeia há 40 anos, o BEI já cá estava”, recordou Nadia Calviño, recordando alguns dos projetos emblemáticos que o banco ajudou a financiar em Portugal, como a Ponte Vasco da Gama, os três unicórnios portugueses ou o Campus da Nova em Carcavelos.

Este crescimento da atividade do BEI, o ano passado, é justificado pelos 750 milhões de euros de apoio à habitação – um “valor que constitui um recorde para o Grupo BEI em Portugal”. Em causa está o apoio ao programa nacional para a habitação a preços acessíveis (Programa de Apoio ao Arrendamento), que inclui a construção e renovação de cerca de 12 mil casas.

Por outro lado, o BEI está também a ajudar à “renovação” de escolas públicas com 300 milhões que passa não só ao nível das infraestruturas mas também para aumentar a eficiência energética de aproximadamente 500 edifícios escolares.

Mas a fatia de leão do investimento do BEI em Portugal está ao nível dos transportes com os mil mil milhões de euros destinados aos transportes, incluindo a linha ferroviária de alta velocidade Porto-Lisboa. “A linha ferroviária de alta velocidade representa um marco para Portugal e constitui um dos maiores investimentos em infraestruturas das últimas décadas no país”, sublinhou a responsável. “O projeto deverá melhorar a mobilidade sustentável, reduzir os tempos de viagem de forma significativa e reforçar a coesão territorial. O BEI já contratualizou a parcela inicial dos três mil milhões de euros aprovados em 2024 para apoiar esta infraestrutura”, acrescentou a presidente do BEI.

“Estamos em negociações para prestar assistência técnica a diversos projetos de construção de gigafábricas na Europa”, disse a presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI), Nadia Calviño, durante a cerimónia de apresentação dos resultados do Grupo BEI em Portugal, em Lisboa.António Cotrim/Lusa 12 Março, 2026

O Banco que tem adaptado a sua atividade de forma a financiar as novas áreas prioritárias definidas pela Comissão Europeia e a transição energética ocupa um lugar de destaque. Em Portugal sete em cada dez euros do financiamento total do grupo foram para projetos de transição verde, sublinhou Nadia Calviño. Em causa está o apoio à descarbonização industrial, expansão das redes e eficiência energética em estabelecimentos retalhistas e outros edifícios. A presidente da instituição deu mesmo exemplos de projetos emblemáticos financiados em 2025: descarbonização da The Navigator Company, apoiando investimentos em tecnologias de produção com baixas emissões de carbono em todas as instalações da empresa; modernização e maior sustentabilidade de 400 lojas da Sonae através de sistemas energeticamente eficientes, da integração de energias renováveis e de soluções de economia circular, ou ainda o empréstimo de 155 milhões à EDP para financiar a expansão, o desenvolvimento e a digitalização das redes da elétrica em Portugal.

Nadia Calviño fez questão de sublinhar o apoio às PME e às empresas de média capitalização, “a espinha dorsal da economia nacional”, frisando que “continua a ser uma das prioridades do Grupo BEI em Portugal”. Em 2025, o BEI destinou mais de 500 milhões à melhoria do acesso das PME a financiamento, sendo que mais de dez mil empresas beneficiaram deste apoio sustentando cerca de 245 mil postos de trabalho.

Este apoio chega às PME através das parcerias com bancos comerciais. A espanhola que agora ocupa a liderança do BEI fez questão de sublinhar os contratos assinados com o Santander Totta, incluindo uma linha de crédito de 75 milhões destinada ao setor agrícola, com 10% dedicados ao apoio de agricultores jovens e em início de atividade, e com o BPI, nomeadamente uma garantia de partilha de riscos para melhorar as condições de empréstimo para investimento em setores-chave.

Nadia Calviño sublinhou ainda que Portugal é “pioneiro na mobilização dos 6,5 mil milhões de euros para financiar PME, Midcaps e particulares no âmbito da componente dos Estados-membros no InvestEU respeitante a Portugal. Esta iniciativa é apoiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, financiada pelos fundos do NextGenerationEU e complementada por garantias públicas nacionais e recursos do FEI. O FEI está a implementar esta iniciativa em colaboração com intermediários financeiros portugueses, nomeadamente o Banco Português de Fomento, privilegiando áreas-chave como a inovação, a digitalização, a sustentabilidade e a competitividade.

(Notícia atualizada com mais informação)

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