Mário Zambujal morre aos 90 anos (1936-2026)
O jornalista e escritor Mário Zambujal passou pela RTP, A Bola e o Diário de Notícias. Em 2025, recebeu o prémio Gazeta de Mérito atribuído pelo Clube de Jornalistas.

O jornalista e escritor Mário Zambujal morreu aos 90 anos de idade, avançou a RTP. Nascido em Moura, Beja, contou com uma carreira por vários órgãos de comunicação social como a RTP, A Bola e o Diário de Notícias. O escritor tinha comemorado os seus 90 anos na passada quinta-feira, 5 de março. A sua obra mais conhecida será “Crónica dos Bons Malandros”, de 1980, que chegou a ser adaptada ao cinema, ao teatro musical e à televisão.
A sua carreira pelo jornalismo foi marcada pelo jornalismo desportivo, tendo iniciado a atividade na década de 1960 no jornal A Bola. Na RTP durante 20 anos, destacou-se como apresentador do programa desportivo “Grande Encontro”. Também chegou a assumir o cargo de subdiretor do jornal desportivo Record.
Foi ainda chefe de redação do jornal O Século e do Diário de Notícias, diretor do jornal de espetáculos Se7e, do Mundo Desportivo, d’O Jornal e do semanário Tal & Qual, e colunista do diário 24 Horas.
Além da televisão e da imprensa escrita, colaborou em programas de rádio, entre os quais “Pão com Manteiga”, na Rádio Comercial com Carlos Cruz.
No campo da escrita, estreou-se em 1980 com a “Crónica dos Bons Malandros”. Seguiram-se livros como “Histórias do Fim da Rua”, “Já Não Se Escrevem Cartas de Amor“ ou “O Último a Sair“, editado no ano passado.
Chegou também a colaborar na escrita de guiões para várias séries de televisão como “Lá em Casa Tudo Bem”, “Sozinhos em Casa”, “Nico d’Obra”, os “Imparáveis” e “Velhos Amigos”.
Numa entrevista realizada em 2023 por Eugénio Alves, Maria Flor Pedroso e Paulo Martins, publicada pelo Clube dos Jornalistas aquando do fim dos seus 14 anos de presidência, mostrava preocupação com o fenómeno da desinformação. “Vejo com preocupação alguém estar constantemente a tentar enganar-me e a tentar enganar os outros. É preocupante e desgostante. O que é necessário para um tipo se portar como um ser humano decente, no sentido da cidadania? É miserável! Eu seria incapaz de escrever uma mentira para enganar alguém. Faz-me impressão como é possível! Mas sei que atravessamos uma fase da nossa existência coletiva na qual acontecem muitos atropelos ao que deveria ser um comportamento normal entre as pessoas”, declarava.
Deixava também críticas ao jornalismo atual. “Dá-me a sensação de que [os jornalistas] andam um bocado desorientados. São as redes sociais, é o patronato, são os salários, a quebra de tiragens – e os jornalistas perdem força. Quando o chefe diz que estamos a vender cada vez menos, está tudo estragado. As televisões, quase sem exceção, estão a enveredar por uma coisa que antigamente era uma raridade, o crime. Hoje em dia, de 10 em 10 minutos estamos a ver um crime na televisão”, argumentava.
A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista já emitiu uma nota de pesar. “É com profundo pesar que a CCPJ lamenta a morte de Mário Zambujal, jornalista (o seu último número de carteira profissional foi o n.º 154) cujo percurso se iniciou no jornal desportivo A Bola, em 1961, com 25 anos”, pode ler-se. “A CCPJ endereça à família, amigos e colegas as mais sentidas condolências.”
Em 2025, recebeu o prémio Gazeta de Mérito atribuído pelo Clube de Jornalistas. Escritor de renome, foi em 1984 distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa. Presidiu à Direção do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021.
(atualizada às 11h55)
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