“Ecossistema Microsoft” contribui com 7,3 mil milhões de euros para o PIB português, estima a EY
Estimativa da consultora EY contabiliza a atividade do ecossistema Microsoft e os ganhos de produtividade proporcionados pelos seus produtos. Tecnológica suporta 35 mil empregos no país.
O ecossistema Microsoft Portugal teve um impacto positivo de 7,3 mil milhões de euros — cerca de 2,5% do PIB — na economia nacional no ano fiscal de 2024, segundo um estudo encomendado pela tecnológica à consultora EY.
Segundo o estudo “Impacto Económico e Social do Ecossistema Microsoft em Portugal”, realizado pela EY e divulgado esta quinta-feira, a empresa norte-americana, que conta com milhares de parceiros no seu ecossistema, suporta também, direta e indiretamente, 35 mil postos de trabalho.
“A subida em relação ao último estudo [relativo a 2021, com 4,9 mil milhões de euros] marca um caminho de digitalização da economia portuguesa. A nossa economia tem que mudar e é muito importante ver um crescimento da economia portuguesa tão grande”, afirmou Andrés Ortolá, diretor-geral da Microsoft em Portugal, num encontro com jornalistas no início desta semana.
Um inquérito realizado junto das entidades de maior dimensão estima que o valor gerado na economia portuguesa associado à Microsoft Portugal, incluindo a atividade do seu ecossistema e os ganhos de produtividade proporcionados pelos seus produtos, ascende a 7,3 mil milhões de euros, o que corresponde a cerca de 2,5% do PIB nacional. A EY calcula ainda que, por cada euro investido em produtos da tecnológica, sejam gerados 9,6 euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB).

O estudo realizado pela EY para a Microsoft apresenta também o “Frontier Success Framework”, um modelo estratégico para orientar a adoção da inteligência artificial nas organizações. O enquadramento identifica quatro áreas-chave onde a IA pode transformar as empresas:
- Melhorar a experiência dos colaboradores, através de ferramentas digitais que aumentem a produtividade e a criatividade;
- Reinventar a relação com os clientes, utilizando dados e IA para interações mais personalizadas;
- Reconfigurar os processos de negócio, automatizando tarefas e tornando as operações mais eficientes;
- Acelerar a inovação, permitindo desenvolver novos produtos, serviços e soluções de forma mais rápida.
Em conjunto, estas quatro dimensões procuram ajudar as organizações a tirar maior partido da IA e a adaptar-se a um ambiente económico cada vez mais digital.
Contribuição para a economia portuguesa pode atingir 9 mil milhões de euros
O estudo também prevê que, quando o segundo edifício da Start Campus estiver concluído e a funcionar em pleno, o que deverá acontecer em 2027, a contribuição do ecossistema da Microsoft para a economia nacional possa aumentar para 9 mil milhões de euros.
Mas as previsões não ficam por aqui. Segundo a Microsoft e a EY, poderão surgir ainda cerca de 8.300 empregos devido aos investimentos em IA no país. Estes empregos devem-se, sobretudo, à infraestrutura em IA, como os centros de dados.
“Estes empregos criados nos próximos anos estão relacionados com a infraestrutura de data centers. Sines e o Plano Nacional de Data Centers [que o Governo português está a elaborar] podem criar milhares de empregos. Espero mais investimentos para o país”, disse Andrés Ortolá.
Temos de jogar uma espécie de Champions League de IA: não podemos ter problemas de comunicações, energéticos ou de segurança. Até agora estamos a jogar, e a jogar bem.
O líder da Microsoft Portugal disse que o projeto em Sines está a evoluir positivamente, com os chips já em funcionamento, garantindo a capacidade de processamento necessária.
Segundo o executivo argentino, quando Sines atingir o seu “flow peak”, grande parte das consultas europeias poderá ser processada em território português, reforçando a posição de Portugal como hub regional de inteligência artificial. “Temos de jogar uma espécie de Champions League de IA: não podemos ter problemas de comunicações, energéticos ou de segurança. Até agora estamos a jogar, e a jogar bem”, sublinhou.
Sobre a candidatura ibérica a uma das cinco gigafábricas de IA que a Comissão Europeia pretende apoiar, Andrés Ortolá destacou que a iniciativa deverá criar mais empregos, mostrando-se “entusiasmado” pelo impacto económico esperado. Quando questionado sobre o envolvimento direto da Microsoft no consórcio responsável pelo projeto, que inclui o Banco Português de Fomento e o Governo, Ortolá afirmou: “Estamos a trabalhar, como todos, com parte do consórcio.”
O líder da Microsoft em Portugal reforçou ainda o seu apoio à candidatura ibérica, depois de Portugal se unir a Espanha, destacando a colaboração com outros players do mercado e a estratégia conjunta com Espanha. “Gosto muito da candidatura portuguesa. Estamos aqui para colaborar. Acho que a estratégia de Portugal e Espanha foi boa, e vamos ver outras a seguir a mesma lógica. Juntos, Portugal e Espanha têm muita hipótese de sucesso”, concluiu.
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