Exclusivo Processada por investidor, Unbabel entra em insolvência
Já sem os ativos que vendeu à TransPerfect, a Unbabel Lda. pediu insolvência, dois meses depois de um fundo que investiu na startup ter lançado um processo judicial para tentar anular esse negócio.

- A Unbabel foi declarada insolvente pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, após a contestação judicial da venda de ativos à TransPerfect por um investidor, o fundo espalhol Buenavista Equity Partners.
- A venda dos ativos que pertenciam à Unbabel, anunciada em agosto de 2025, foi desencadeada por dificuldades financeiras e resultou numa perda total para muitos dos investidores.
- O processo de insolvência identifica como credores a Iberis, outro dos investidores da Unbabel, bem como alguns fornecedores: a empresa de escritórios Maleo, a Melior Seguros e a Vodafone.
A Unbabel pediu insolvência no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. O requerimento foi apresentado dois meses depois de a antiga startup ter sido alvo de um processo judicial de 12,75 milhões de euros, através do qual um investidor pretende ver anulada a venda de ativos à norte-americana TransPerfect.
A sentença de declaração de insolvência já foi proferida, nesta terça-feira, 10 de março, tendo sido nomeado como administrador de insolvência Pedro Pidwell, conhecido por ter sido o responsável pela gestão de alguns dos maiores processos de insolvência em Portugal.
“No Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, Juízo de Comércio de Lisboa – Juiz 2 de Lisboa, no dia 10 de março de 2026, pelas 16h40, foi proferida sentença de declaração de insolvência da devedora: Unbabel, Lda.”, lê-se no documento.
Outrora vista como um caso nacional de sucesso, os ativos da Unbabel foram alienados à TransPerfect em agosto de 2025. Na altura, o negócio foi apresentado como um exit bem-sucedido, justificado com a necessidade de escalar as soluções de tradução e inteligência artificial (IA). Mas a venda foi espoletada pelas sérias dificuldades financeiras em que a startup se encontrava, conforme revelou o ECO em primeira mão.
A transação, por um “valor relativamente baixo”, não gerou um encaixe significativo, noticiou também o ECO, levando muitos dos investidores da Unbabel a perderem todo o dinheiro investido. Não conformado, o fundo espanhol Buenavista Equity Partners intentou uma “ação pauliana” contra a Unbabel, processo que corre os seus termos no Juízo Central Cível do mesmo tribunal, e que normalmente é usado por credores para contestar judicialmente um contrato ou negócio.
Sem atividade nem ativos significativos, a insolvência da Unbabel Lda. é mais um capítulo nesta história que marca o empreendedorismo português. Segundo informação disponibilizada no portal de justiça Citius, o requerimento de insolvência da Unbabel Lda. de entrada no Juízo de Comércio de Lisboa no dia 25 de fevereiro, e foi apresentado pela própria gerência. Contactado depois da entrega do pedido de declaração e antes da sentença, o fundador da Unbabel, Vasco Pedro, não quis fazer nenhum comentário.
O ECO apurou que este foi o caminho escolhido — e o único visto como “viável” — para tentar encerrar atividade, perante o imbróglio judicial em que a empresa está agora envolvida e a impossibilidade de alcançar um acordo com os antigos investidores.
Para já, o processo de insolvência identifica como credores a Iberis, que foi um dos investidores da Unbabel, bem como alguns fornecedores: a empresa de escritórios Maleo, a Melior Seguros e a Vodafone. Deverá caber agora ao administrador de insolvência a decisão de distribuir o dinheiro que ficou.
Segundo fonte familiarizada com o assunto, a Unbabel Lda. terá dinheiro suficiente para ressarcir os menos de 200 mil euros devidos aos fornecedores, mas não para pagar aos investidores.
A Unbabel, que outrora ambicionou ser um “unicórnio” — nome dado às startups avaliadas em mais de mil milhões de dólares –, mas que terá ficado bastante aquém dessa meta, comercializava soluções tecnológicas de tradução e desenvolveu inovações na área da IA. Foi o caso do Halo, um interface para doentes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
No entanto, em 2024, a Unbabel começou a perder clientes. Entre junho de 2024 e junho de 2025, o seu volume de negócios afundou 45,6%, para 8,541 milhões de euros, depois de vários clientes terem prescindo dos produtos da startup por ferramentas de tradução mais simples alavancadas em IA.
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