Seguradora Chubb vai liderar resseguro de 20 mil milhões para o estreito de Ormuz

Será a Chubb a seguradora que vai liderar a promessa de Trump de 20 mil milhões de dólares de resseguro para as companhias que assinarem apólices de cobertura de risco de guerra no Estreito de Ormuz.

A seguradora Chubb foi escolhida para liderar a estrutura de seguros criada pelo Governo dos Estados Unidos através de programa extraordinário de até 20 mil milhões de dólares em resseguro para garantir a continuidade do transporte marítimo de petróleo no Estreito de Ormuz, numa altura de escalada de tensões na região.

A Chubb é uma seguradora com cerca de 50 mil milhões de dólares de prémios recebidos em 2025, cerca de três vezes todo o mercado português, onde também está presente. Entre as especializações faz seguro marítimo, cobre riscos energéticos e subscreve apólices de risco de guerra.

A iniciativa, anunciada pelo presidente Donald Trump, pretende evitar que a subida dos riscos de guerra leve as seguradoras a retirar cobertura aos navios que atravessam uma das rotas energéticas mais críticas do mundo. Embora a Lloyd’s de Londres afirme que ainda está a realizar coberturas na região de Ormuz, a generalidade das companhias subiu os prémios para a região, reduziu limites de cobertura ou retirou-se do mercado logo que as apólices que tinham ativas caducaram.

Sem cobertura seguradora, muitos navios deixam de operar, já que armadores, financiadores e operadores portuários exigem seguros ativos para autorizar viagens.

Governo americano entra como ressegurador de último recurso

O mecanismo funciona como um backstop público ao mercado segurador. A Chubb será a seguradora líder responsável pela emissão das apólices e pela coordenação da participação de outras seguradoras privadas.

Acima dessa camada, o governo norte-americano assegura a capacidade de resseguro através da U.S. International Development Finance Corporation, que atuará como segurador de seguradoras em último recurso para perdas acima de uma elevada mas certa dimensão.

Esta estrutura pretende garantir que continua a existir capacidade para cobrir riscos de guerra no transporte marítimo. O segmento de war risk marítimo é dominado por grandes mercados internacionais, como o Lloyd’s of London, e por resseguradoras globais como Munich Re e Swiss Re e a francesa SCOR.

Modelo já foi usado após o 11 de setembro

A intervenção pública em mercados de seguros durante crises extremas tem precedentes. Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 os Estados Unidos criaram o Terrorism Risk Insurance Act, que estabeleceu um sistema de partilha de risco entre o setor privado e o Estado para coberturas de terrorismo.

Analistas do setor consideram que o novo programa representa uma adaptação desse modelo ao transporte marítimo e ao comércio energético, num momento de elevada instabilidade geopolítica.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Seguradora Chubb vai liderar resseguro de 20 mil milhões para o estreito de Ormuz

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião