Transportadoras dramatizam “travão” nos combustíveis. “Algures no tempo vamos ter de parar”

Sem ação imediata do Governo, operadores rodoviários advertem que não conseguirão suportar estes custos e “algures no tempo [vão] ter de parar”. Regulador teme crise petrolífera “pior que a de 1973”.

Se o Governo português “não agir de imediato” e avançar com “medidas urgentes de travão” à subida dos preços dos combustíveis, as transportadoras rodoviárias de passageiros advertem que não vão conseguir suportar estes custos e “algures no tempo [vão] ter de parar”.

O aviso é deixado por Rui Costa Lopes, presidente da ARP – Associação Rodoviária de Transportadores Pesados de Passageiros, que já teve uma reunião com o secretário de Estado, em conjunto com outras associações do setor, e que pede agora ao Governo português para “agir de imediato”.

“Realmente têm de ser colocadas medidas para mitigar este esforço das empresas porque senão não vamos conseguir [aguentar] e algures no tempo vamos ter de parar. Têm de ser criadas medidas urgentes de travão”, dramatizou o dirigente associativo, falando numa “tempestade perfeita” que “não [sabe] quando e onde isto irá parar”.

Com os ataques ao Irão, relatou o empresário durante um seminário organizado pela revista Transportes & Negócios, no Porto, “as empresas entraram em pânico”. É que “muitos dos contratos que [têm], sejam eles públicos ou privados, nem sequer preveem a correção de uma forma linear em termos de preços” para as transportadoras.

Em jeito de sugestão, e alegando que “alguém está a ganhar também com este negócio” em detrimento das empresas e dos consumidores, Rui Costa Lopes recordou que alguns países europeus, como a Croácia e a Hungria, estão a fixar tectos máximos no preço dos combustíveis.

No caso de Portugal, como disse Luís Montenegro no encerramento das jornadas parlamentares do PSD e o ministro da Economia confirmou esta quinta-feira, o Executivo prometeu apenas que vai manter-se vigilante em relação ao preço dos combustíveis, aplicando um travão sempre que se justificar através de descontos correspondentes ao valor do IVA adicional arrecadado.

Também a ANTP – Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas, pela voz de Sónia Valente, relata como “no final do ano passado algumas empresas até começaram a respirar um pouquinho, mas com a situação que está aí a chegar [vê-as] ficarem numa situação bastante grave”.

“Estamos a ver com o Governo o que podemos encontrar como solução”, acrescentou.

A presidente desta associação representativa das PME do setor descreve uma “forte pressão nos custos operacionais de toda a operação”, que além dos combustíveis se reflete também nos seguros ou no preço dos pneus. Algo que, somado à carga fiscal elevada e ao aumento dos salários dos motoristas em função do contrato coletivo de trabalho, faz com que “as margens do negócio sejam cada vez mais reduzidas e haja uma maior resistência das empresas na sua modernização”.

Regulador teme crise petrolífera “pior do que a de 1973”

No mesmo seminário realizado esta quinta-feira num hotel do Porto e em que, tendo como pano de fundo o conflito entre a Flixbus e a Rede Expressos pediu “concorrência saudável” com operadores fora da gestão dos terminais, a presidente da AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes reconheceu que estes “são tempos muito difíceis” para as transportadoras rodoviárias.

“Já eram, mas agora [foram agravados] com esta crise energética – embora seja muito mais do que isso. A menos que acabe já a guerra, tudo se prefigura para ser pior do que a crise [petrolífera] de 1973. É bom que todos os atores desta guerra ganhem juízo e que se possa ultrapassar isto”, reclamou Ana Paula Vitorino, numa comparação com a decisão da OPEP nos anos 1970 de diminuir a produção e aumentar de forma repentina e acentuada o preço do “ouro negro”.

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