Apeadeiros de Chaves, praia em Penela, saúde no Caramulo. Projetos de 11 milhões “crescem com o turismo”
Aí está a primeira dúzia de contratos de financiamento ao abrigo do programa “Crescer com o Turismo”. Conheça os projetos que vão ser apoiados com 4,5 milhões no Norte, Centro, Alentejo e Ribatejo.
Com um investimento global de 11 milhões de euros, aí estão os primeiros 12 contratos de financiamento ao abrigo do programa “Crescer com o Turismo”. Distribuídos por segmentos como a natureza, gastronomia, bem-estar e cultura, incluem a requalificação de empreendimentos, o desenvolvimento de novas experiências ou a valorização do património.
Este programa, lançado em fevereiro de 2025, traz uma dotação de 30 milhões de euros para promover a coesão territorial e uma oferta de maior valor acrescentado. A primeira vaga faz-se com uma dúzia de projetos concentrados no Interior do país, de Vimioso a Alter do Chão. Há seis no Centro, três no Norte e outros tantos no Alentejo e Ribatejo, com o Turismo de Portugal a atribuir os primeiros apoios no valor de 4,5 milhões.
Os contratos foram assinados na manhã desta sexta-feira pelos promotores e pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, e pelo presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, que assinalou a “diversidade e riqueza” deste primeiro lote de projetos.
“Estes contratos valorizam o conjunto do território. Há muita oferta turística que não precisa da intervenção do Estado, o turismo de massas faz o seu curso e não precisa da nossa intervenção. As políticas públicas são para valorizar rotas que são menos conhecidas, para criar roteiros que seduzam as pessoas”, descreveu Manuel Castro Almeida.

O ministro da Economia e da Coesão Territorial exemplificou que “dificilmente” o país vai conseguir atrair um turista americano para visitar apenas a Coudelaria de Alter do Chão, mas “se tiver um conjunto de ofertas no Alentejo, então faz um programa de dois ou três dias que o pode mobilizar”. “Este trabalho de juntar roteiros turístico é passível de ser desenvolvido”, completou.
A taxa de financiamento dos projetos é de 60%, a que acresce uma majoração de 20% em projetos localizados em territórios de baixa densidade. O apoio é não reembolsável até ao máximo de 400 mil euros por projeto ou por beneficiário no caso de candidaturas conjuntas, promovidos por entidades públicas ou entidades sem fins lucrativos. Já nos apoios dirigidos às empresas, a componente a fundo perdido vai até 200 mil euros.
Se for solicitado pelos beneficiários — como aconteceu nestes primeiros contratos com a Fundação Bissaya Barreto, para a expansão do Portugal dos Pequenitos –, a estes limites pode acrescer um incentivo reembolsável até 1 milhão de euros.
A portaria relativa ao programa mantém-se em vigor até ao final de 2026, ou até à utilização total da dotação orçamental. Conheça os primeiros 12 projetos turísticos com financiamento contratualizado.
Centro de Atividades Turísticas da vila histórica de Algoso
- Promotor: Município de Vimioso
- Investimento total: 500.000 euros
- Incentivo atribuído: 400.000 euros
Consiste numa abordagem integrada de valorização do património histórico, cultural e paisagístico da região, que inclui a reabilitação de espaços interpretativos, a instalação de sinalética inclusiva e inteligente, bem como a criação de um centro de interpretação digital. O projeto abrange ainda a criação de percursos pedestres e circuitos de visita, a capacitação dos agentes locais e a definição de uma estratégia de promoção integrada do destino “Algoso Histórico e Natural”.
Gastronomicamente Barroso
- Promotor: Município de Montalegre
- Investimento total: 208.891 euros
- Incentivo atribuído: 167.113 euros
Estruturar o património gastronómico do Barroso, território reconhecido como Património Agrícola Mundial pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), como um ativo estratégico de diferenciação turística e de identidade territorial, através da criação de um ecossistema gastronómico que combina investigação, storytelling, capacitação comunitária e inovação digital.
A intervenção inclui a elaboração da Carta Gastronómica do Barroso, o desenvolvimento de experiências turísticas autênticas baseadas em produtos endógenos e saberes tradicionais e a criação e capacitação de uma rede de guias locais. No digital, a implementação de uma plataforma específica e de uma aplicação móvel para promoção e comercialização das experiências.
Requalificação dos Apeadeiros de Vilela do Tâmega e Vilarinho das Paranheiras
- Promotor: Município de Chaves
- Investimento total: 575.667 euros
- Incentivo atribuído: 400.000 euros
Requalificação de dois apeadeiros ferroviários da Linha do Corgo desativados, Vilela do Tâmega e Vilarinho das Paranheiras, num eco hostel. Ali, será conjugada a preservação do património ferroviário com turismo sustentável e a valorização do território. Os espaços funcionarão como pontos de apoio à Ecovia Intermunicipal do Tâmega e do Corgo, com dormida económica, estação de apoio a bicicletas, duches, zona de descanso, horta local e materiais informativos sobre a região.
Expansão do Portugal dos Pequenitos
- Promotor: Fundação Bissaya Barreto
- Investimento total: 6.750.000 euros
- Incentivo atribuído: 400.000 euros
- Incentivo reembolsável: 1.000.000 euros
O espaço “Portugal dos Pequenitos”, referência nacional do turismo cultural e educativo desde 1940, pretende dinamizar um projeto de expansão que moderniza a sua narrativa interpretativa com uma nova área temática dedicada à arquitetura contemporânea portuguesa.
A intervenção incorpora representações de cinco edifícios icónicos, reforçando a capacidade do parque e qualificando a experiência de visita: Pavilhão de Portugal, Casa das Histórias Paula Rego, Casa da Música, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões e Bar À Margem.

Memórias Charme
- Promotor: João Tiago Mascarenhas Unipessoal, Lda.
- Investimento total: 236.330 euros
- Incentivo atribuído: 189.064 euros
Localizado na Rua das Flores, no coração da antiga Judiaria do centro histórico da Covilhã, visa reabilitar um edifício adicional contíguo às unidades já objeto de requalificação. Com esta nova intervenção, pretende-se criar mais três unidades de alojamento turístico de caráter temático, reforçando uma oferta diferenciadora baseada na valorização da herança judaica e na regeneração urbana do bairro histórico.
Projeto Museológico e Museográfico da Casa da Cultura Gandaresa de Santo António de Vagos
- Promotor: Município de Vagos
- Investimento total: 385.295 euros
- Incentivo atribuído: 231.177 euros
A Casa da Cultura Gandaresa de Santo António de Vagos materializa-se num espaço museológico interpretativo, dinâmico, acessível e inclusivo, centrado na valorização da identidade cultural gandaresa como ativo turístico e patrimonial. Pretende-se promover a conservação e a difusão do património imaterial local, potenciar a integração da oferta turística de base cultural e rural, contribuir para a coesão territorial e para o envolvimento comunitário, alinhando-se com os princípios do turismo cultural sustentável.
Requalificação do Espaço Natural da Louçainha
- Promotor: Município de Penela
- Investimento total: 461.337 euros
- Incentivo atribuído: 400.000 euros
Tem como objetivo valorizar e qualificar a Praia Fluvial da Louçainha, consolidando-a como um equipamento de referência do turismo de natureza no Centro de Portugal. A intervenção inclui a modernização das infraestruturas balneares e das zonas verdes, a criação de áreas de lazer e estadia e a melhoria da acessibilidade universal, qualificando a experiência de visita e alargando o acesso a públicos diversificados.
Rota das Essências da Terra – Comunidades que cuidam, vidas que regeneram
- Promotor: ADDLAP – Associação de Desenvolvimento Dão Lafões e Alto Paiva
- Investimento total: 239.050 euros
- Incentivo atribuído: 213.208 euros
Estruturar e consolidar a “Rota das Essências da Terra” como um produto turístico integrado, baseado num modelo de desenvolvimento territorial regenerativo que valoriza os recursos naturais, culturais, produtivos e comunitários de dez aldeias-piloto em territórios de baixa densidade. Pretende-se fomentar a diversificação da oferta turística e a dinamização da economia local, através da capacitação, da colocação de sinalética interpretativa, da comunicação integrada, do turismo de voluntariado e de um modelo de governação territorial.
Caramulo Mens Sana in Corpore Sano
- Promotor: Município de Tondela
- Investimento total: 492.000 euros
- Incentivo atribuído: 344.400 euros
Reposicionar a Serra do Caramulo, antiga estância senatorial, como destino de referência no turismo de saúde, bem-estar e natureza na região de Viseu-Dão-Lafões, convertendo o seu património histórico e natural num motor de desenvolvimento socioeconómico sustentável.
Inclui a definição de uma governação participativa, a qualificação de infraestruturas e acessibilidades, a criação de uma rede colaborativa de oferta turística, a digitalização do destino com uma plataforma integrada e experiências imersivas, a promoção nacional e internacional nos segmentos do bem-estar, da natureza e da cultura, bem como a implementação do “Caramulo Data Lab” para a monitorização inteligente dos fluxos turísticos.

Chança Viva
- Promotor: Município de Alter do Chão
- Investimento total: 500.000 euros
- Incentivo atribuído: 400.000 euros
Reabilita a antiga escola primária da aldeia de Chança, transformando-a num espaço cultural multifuncional, dando nova vida a um edifício público desativado, através da preservação, transmissão e dinamização das tradições locais. Com esta intervenção, pretende-se valorizar o património imaterial e os saberes tradicionais, reforçando simultaneamente a atratividade turística e a coesão territorial da aldeia.
Aldeias Vinhateiras 2.0
- Promotor: AMPV – Associação de Municípios Portugueses do Vinho
- Investimento total: 401.595 euros
- Incentivo atribuído: 321.276 euros
Consolida a Rede Nacional de Aldeias Vinhateiras como ativo estratégico de diferenciação turística, articulando património cultural e paisagístico, enoturismo, capacitação dos agentes locais e inovação digital numa abordagem integrada de desenvolvimento sustentável e coesão territorial. Inclui o desenvolvimento de experiências enoturísticas baseadas em produtos culturais e gastronómicos, bem como o reforço de modelos de governação e promoção em rede, através de ferramentas digitais, com o apoio de mecanismos de avaliação de impactos económicos, sociais e territoriais.
Rota AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior
- Promotor: TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado
- Investimento total: 135.483 euros
- Incentivo atribuído: 94.838 euros
Projeto para digitalizar e operacionalizar uma rota turística cultural baseada no património imaterial dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, convertendo as artes e os ofícios tradicionais em experiências turísticas imersivas. Assenta numa plataforma digital de reservas que conecta turistas, artesãos e operadores locais. Inclui conteúdos de áudio e QR Codes multilíngues, bem como a possibilidade de personalizar itinerários. Quer transformar o artesão num agente ativo da economia turística e cria um modelo replicável noutros territórios do interior.
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