“Continuaremos a ver consolidação” na gestão de ativos, diz diretor de empresa do Deutsche Bank
"A Ásia é definitivamente uma das áreas de crescimento para a gestão de ativos", disse ao ECO o managing director e responsável global de Contabilidade e Gestão Financeira do grupo alemão DWS.
As gestoras de ativos vão continuar a ganhar dimensão através de processos de fusão e aquisição (M&A) em todo o mundo, mas os maiores campeões deste negócio começarão a nascer na Ásia. É a previsão dada ao ECO pelo managing director e responsável global de Contabilidade e Gestão Financeira do grupo DWS, o braço de gestão de ativos do grupo Deutsche Bank.
“Acredito que na gestão de ativos continuaremos a observar uma tendência de consolidação e M&A em geral no setor. Penso que a Ásia é definitivamente uma das áreas de crescimento para a gestão de ativos no seu todo”, afirmou Christoph Müller, à margem de uma apresentação sobre gestão financeira, estratégica e de riscos realizada para alunos do ISEG, a partir do escritório da Bloomberg em Frankfurt.
O comentário está em linha com a estimativa da Oliver Wyman e do Morgan Stanley de que o número de casamentos entre gestoras de ativos e fortunas irá aumentar. O “novo normal” envolve mais de 200 negócios relevantes por ano desde 2022, o que significa o dobro da década passada (e mais virão), antecipam a consultora e o banco de investimento. .
Perante uma audiência de quase 70 mestrandos em Finanças, que caracterizou como “líderes do futuro”, o gestor de topo do grupo DWS explicou aos estudantes que o papel de um diretor financeiro (CFO) tem estado, cada vez mais, a ser desafiado pelo contexto económico e geopolítico, que têm “definitivamente impacto na concretização dos planos” estratégicos das organizações.
“Há muita volatilidade, uma grande quantidade de situações que não conseguimos planear, como a guerra do Irão, da qual não sabemos qual será o resultado. Isso significa que há incerteza no planeamento, o que, para um CFO, não facilita a vida, mas é algo com que teremos de lidar”, disse o executivo da DWS.
“Quando se pensa nas metas e planos financeiros é sempre necessário considerá-los também no contexto do desenvolvimento mais amplo dos mercados e das economias”, advertiu aos futuros profissionais do setor financeiro.

Christoph Müller também ‘piscou o olho’ aos jovens portugueses e estrangeiros que estudam no ISEG, esclarecendo que a gestora de ativos detida pelo Deutsche Bank (e do qual fez parte até ao IPO em 2018) contrata “muitos recém-licenciados” para a gestão de ativos, que “é sem dúvida um setor atrativo e divertido”, porque “há sempre algo novo a acontecer e para aprender diariamente”.
“Tornou-se uma parte muito importante nos nossos processos de recrutamento. Na área financeira, temos neste momento quatro recém-licenciados e um estagiário. Nenhum dos quatro recém-licenciados que estão connosco no departamento financeiro estudou na Alemanha. Não procuramos apenas estudantes alemães, mas de todo o mundo”, referiu Christoph Müller, elogiando ainda o ensino da universidade privada Frankfurt School of Finance and Management, onde estudou.
Numa empresa de gestão de ativos, o maior ativo são as suas pessoas. As pessoas são os nossos gestores de carteira. Não utilizamos máquinas para produzir os nossos produtos. Utilizamos, em grande parte, o capital intelectual.
Na conversa com o ECO, Christoph Müller fez ainda referência aos resultados financeiros de 2025, um ano recorde para a empresa alemã, cujo lucro líquido consolidado aumentou 43%, em termos homólogos, para 927 milhões de euros. Atualmente, a base de 1,1 bilião de euros em ativos sob gestão encontra-se essencialmente distribuída pela Alemanha (47%), outros Estados-membros da União Europeia (27%) e Estados Unidos (20%).
“Gostaria de destacar a gestão disciplinada de custos como uma conquista particular. É uma prova da trajetória de crescimento que temos vindo a seguir nos últimos anos. E também, francamente, em determinada medida, impulsionada por mercados bastante favoráveis”, reconheceu o líder mundial da divisão de Contabilidade e Gestão Financeira da DWS.
Questionado sobre a multa de 25 milhões de euros que a DWS recebeu, no ano passado, por acusação de greenwashing (prestar afirmações sobre as métricas de sustentabilidade que não correspondiam à verdade), Christoph Müller limitou-se a responder, de forma perentória: “Deixámos isso para trás”.
Quais as tendências na gestão de ativos, segundo a DWS?
- Transição para ETF passivos e ativos – Atração contínua de fluxos significativos / Crescimento estimado de 13% nos ativos passivos globais sob gestão entre 2022 e 2028
- Expansão de alternativas – Dívida privada: aumento do apetite por impulsionado por regulamentação bancária favorável e lacuna no financiamento / Mercados privados: liquidação e democratização
- Parcerias estratégicas mais inteligentes – Gestores de ativos estão a formar parcerias mais profundas e orientadas por dados com fintechs, empresas de custódia e plataformas de distribuição / As colaborações estão a passar de transacionais para estratégicas
- Desenvolvimento com tecnologia – A tecnologia é fundamental em toda a cadeia de valor, incluindo a geração de receitas, eficiência de custos e cibersegurança / Casos de utilização de IA, IA generativa e Big Data a definir
- Consolidação / Apetite por fusões e aquisições – Aumento do apetite por M&A entre os players tradicionais que procuram oferecer aos clientes uma experiência completa
- Crescimento contínuo na região Ásia-Pacífico – Japão e Índia são novas áreas de foco para os gestores de ativos / Joint ventures como forma popular de participar no crescimento da região
- Mudança no comportamento do cliente – Comportamento do cliente está a mudar rapidamente, com implicações tanto para a distribuição retalhista como institucional
*A jornalista viajou até Frankfurt a convite do ISEG
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