Governo só avança com apoios se preços dos alimentos subirem “mais do que quatro a cinco semanas”

Antes de novo aumento dos combustíveis na próxima semana, Executivo insiste que “não vai lucrar” com a guerra. Turismo português já sente “acréscimo de procura” devido à guerra no Médio Oriente.

Se a guerra no Médio Oriente se prolongar e se esta escalada de preços se verificar durante “mais do que quatro a cinco semanas”, o Governo admite avançar com “novas medidas” para travar os possíveis impactos para a economia portuguesa do que seria um “problema estrutural”.

O preço do cabaz alimentar atingiu esta semana o valor mais alto de sempre. O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, garante que o Executivo está “todos os dias a olhar para os preços dos diversos produtos, não só os combustíveis” e a “ponderar e preparar medidas que possam vir a ser tomadas caso estas alterações tenham uma natureza estrutural”.

“Se estas alterações perdurarem no tempo por mais do que quatro a cinco semanas, transformam-se num problema estrutural que pode precisar de uma intervenção do Estado. Até agora ainda não decidimos tomar novas medidas, além da que já foi tomada [nos combustíveis], porque depende de como vai ser a evolução. Se a guerra acabar rapidamente não haverá nenhum problema estrutural. Se a guerra se prolongar, aí justifica-se uma intervenção do Governo”, resumiu.

Em declarações aos jornalistas após assinar contratos de financiamento no âmbito do Programa Crescer Turismo, insistiu que “o Governo não vai lucrar, não vai tirar vantagens fiscais da guerra”, numa alusão à redução de 3,55 cêntimos no ISP do gasóleo decidida na semana passada e à garantia já dada de que um desconto semelhante será aplicado à gasolina caso haja uma subida acumulada de dez cêntimos face à semana de 2 a 6 de março, antes do ataque ao Irão.

As transportadoras e a distribuição pedem ao Governo que desça mais os impostos sobre os combustíveis. Uma nova portaria deverá ser publicada esta sexta-feira para aplicar um desconto ao ISP da gasolina e rever em alta o apoio ao ISP do gasóleo. “Com o aumento do petróleo, os combustíveis teriam de ficar mais caros e o Governo ia receber mais dinheiro de IVA. (…) Aquilo que seria o imposto que as pessoas iam pagar a mais é devolvido no ISP para baixar o preço da gasolina e do gasóleo”, reforçou o governante.

Turismo já sente “acréscimo de procura” devido à guerra no Médio Oriente

Por outro lado, questionado sobre se o turismo português pode beneficiar de alguma forma do desvio de rotas turísticas do Médio Oriente e que tinham como destino outras geografias próximas, Manuel Castro Almeida respondeu que já está a haver um “aumento de reservas nas instalações” turísticas nacionais e que isso se está a verificar “por todo o país”.

“Não legitima a guerra, não queremos a guerra para valorizar o turismo. Mas, objetivamente, é previsível que haja um acréscimo de procura, que já se começa a sentir, por causa do efeito da guerra”, assegurou o ministro da Economia e da Coesão Territorial, sem especificar os indicadores concretos e a fonte dessa informação.

Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, nas instalações da CCDR Norte, no PortoJOSÉ COELHO/LUSA 13 março, 2026

Por outro lado, o governante rejeitou que o país esteja demasiado dependente do turismo ou tenha “turismo a mais”. “Temos ainda por onde crescer, embora mais importante do que crescer no número de turistas é crescer na valorização do turismo, no valor que os turistas pagam para estar em Portugal, que é a forma de aumentar os rendimentos de quem trabalha” no setor”.

“O turismo está a puxar o país para cima, acrescenta ao nosso produto, melhora a nossa balança comercial e é uma atividade muito importante. Numa semana ou outra do ano, num ou noutro ponto do país, pode haver turismo a mais, mas no conjunto do país, no conjunto do ano, não temos turistas a mais”, contrapôs.

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