Exclusivo Mário Centeno sai do Banco de Portugal e passa à reforma
Ex-governador era até agora consultor e, por iniciativa do próprio banco central, passa a receber pensão completa do Banco de Portugal e vai, no curto prazo, para o ISEG, onde dá aulas.
O longo percurso de Mário Centeno no Banco de Portugal chegou ao fim. Depois de mais de duas décadas como quadro da instituição – tendo sido Governador entre 2020 e 2025 – assinou esta semana o acordo que lhe permite passar à reforma, deixando de trabalhar no banco. Ao que apurou o ECO, Centeno já cumpria as condições para acesso à reforma, mas a iniciativa de oficializar esse estatuto partiu do próprio Banco de Portugal, que lhe terá apresentado essa proposta. Questionado pelo ECO, Mário Centeno não comentou a situação e não revelou o valor da pensão que vai receber. Também o Banco de Portugal não prestou qualquer informação sobre este acordo.
Centeno vai agora mudar-se para o ISEG – onde dá aulas – indo ocupar temporariamente o gabinete que estava atribuído a João Duque e que este não utiliza, uma vez que ocupa o gabinete da presidência da escola. Ainda assim, no curto prazo, o futuro de Mário Centeno passa pelos Estados Unidos. Ao que o ECO apurou, o ex-governador passará as próximas três semanas a dar aulas na Universidade de Miami, enquanto professor convidado, algo que já estava planeado mesmo antes da formalização da sua reforma. De seguida, regressa ao ISEG, mas tem o futuro em aberto depois disso.
Aquando da sua saída de Governador, afirmou que continuaria no banco enquanto consultor, algo que termina agora. Numa audiência parlamentar, em setembro, tornou claro que “é evidente que vou ficar. Sabe o que são 35 anos de uma carreira?”, afirmou aos deputados. “Sou funcionário do banco há 35 anos. Tenho uma carreira no banco, que tem regras muito claras sobre o que trabalhadores ocupam e fazem depois de saírem do conselho de administração”, acrescentou. Enquanto consultor após a cessação de funções enquanto Governador, teria um salário a rondar os 17 mil euros brutos.
Foi Ministro das Finanças de Portugal entre 26 de novembro de 2015 e 15 de junho de 2020, após ter feito carreira como economista no Banco de Portugal, Conselho Superior de Estatística e Comissão Europeia. Mário Centeno nasceu a 9 de dezembro de 1966, em Olhão. Licenciou-se em Economia no ISEG, em Lisboa, onde é professor catedrático. Lá fez ainda um mestrado em Matemática Aplicada, passando depois pelos EUA para fazer um mestrado e um doutoramento em Economia na Universidade de Harvard. Enquanto era ministro, foi também designado presidente do Eurogrupo. Foi governador do Banco de Portugal entre 2000 e 2025, até ser sucedido por Álvaro Santos Pereira, por iniciativa do Ministério das Finanças. Já depois disso, foi candidato à vice-presidência do BCE, tendo chegado à penúltima ronda de votações numa corrida ganha pelo croata Boris Vujčić.
Aquando da saída da cadeira mais alta do Banco de Portugal, escreveu uma carta aos trabalhadores da instituição, na qual fez um resumo do seu mandato, deixou desejos para o futuro e recados para o passado. “Começo pelo óbvio. Foi um enorme privilégio, honra e prazer liderar o Banco de Portugal entre Julho de 2020 e Outubro de 2025. Mas a minha liderança não foi do óbvio. De outra forma não teria aceitado o desafio (…)”, escreveu. E até aproveitou a música que ajudou a fazer para a instituição para dar a sua opinião: “Como diz o poema do Banco, que escrevi para o Encontro do Banco de 2023 e que o Carlos Tê melhorou e musicou, O Banco é filho da revolução liberal e republicana […] Mas a sua função mais soberana é servir os interesses de Portugal […] Com ética e moral, capital social. A nossa instituição tem o papel de transmitir ao país confiança”.
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