Novobanco troca auditor por causa da venda ao BPCE

EY avisou o banco sobre futuro potencial conflito de interesse com a venda ao BPCE. Novobanco abriu processo para contratar um novo auditor externo para analisar e validar as suas contas.

O Novobanco está à procura de um novo auditor externo. Embora tenha contrato para a prestação de serviços de auditoria até 2027, a EY vai deixar de auditar as contas do banco antecipadamente, depois de ter detetado uma potencial incompatibilidade que poderá surgir quando a instituição financeira passar para as mãos do BPCE.

Nenhuma das partes esteve disponível para esclarecer a incompatibilidade da EY a que se refere o comité de auditoria do banco no seu parecer às contas de 2025.

“No contexto do processo de venda em curso do banco ao Grupo BPCE, e considerando a indicação recebida do auditor quanto à necessidade de acautelar potenciais futuros conflitos de interesse na prestação de serviços de auditoria, o comité para as matérias financeiras (Auditoria) aprovou o início do processo de seleção de um novo auditor para o grupo Novobanco”, aponta o referido parecer que consta do relatório e contas do ano passado e que foi publicado esta semana.

Em causa está um contrato de serviços de auditoria que valerá mais de dois milhões de euros por ano. Pelo menos foi esse o montante que o Novobanco pagou em honorários faturados à EY, enquanto revisor oficial de contas, nos últimos anos.

A assinatura da venda do Novobanco ao grupo francês deverá ter lugar no próximo dia 28 de abril. A assembleia geral de acionistas do banco está agendada para 23 de março, mas nenhum dos cinco pontos da ordem de trabalhos se refere à seleção do novo auditor.

EY também vai sair da Caixa

A EY foi nomeada auditora do Novobanco no final de 2017, na sequência da venda ao Lone Star em outubro desse ano, substituindo a PwC.

Foi a auditora responsável pelas contas durante o período mais conturbado do banco devido às sucessivas injeções milionárias do Fundo de Resolução por contas das perdas relacionadas com a venda de carteiras de malparado e imobiliário e que se encontravam protegidas pelo acordo de capital contingente.

A auditora liderada por Miguel Farinha também se prepara para perder a conta da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no final deste ano por causas das regras impedem um auditor de estar mais de dez anos numa mesma empresa. A PwC deverá ser o substituto para cumprir o resto do mandato até 2028, segundo o jornal Público.

O Santander também acabou de trocar a PwC pela BDO para auditar as suas contas neste e no próximo ano.

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