Petróleo Brent fecha semana com ganho de 9%. Desde o início da guerra, disparou quase 40%
O preço do barril de referência para a Europa acumula uma subida de quase 40% desde 28 de fevereiro, ainda assim abaixo do disparo de 43% registado pelo norte-americano WTI.
Embora não tão elevado como na semana passada, os preços do petróleo caminham para um novo ganho semanal esta sexta-feira, mesmo após as tentativas de amenizar as preocupações com o abastecimento global, com a maior libertação de sempre de reservas de crude e a autorização temporária dos EUA para permitir a venda de petróleo russo armazenado em navios.
Cerca das 10h17 (hora de Lisboa), o barril de Brent, negociado em Londres e que serve de referência para as importações na Europa, sobe 0,46%, para 100,92 dólares, apontando para um aumento de cerca de 9% só esta semana, mas longe do “disparo” de quase 28% registado na semana passada. Desde o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, o Brent acumula ganhos de 39,53%.
Ainda assim, a subida do barril de referência para a Europa fica ligeiramente abaixo do aumento registado pelo West Texas Intermediate (WTI), cotado em Nova Iorque. Esta sexta-feira, apesar de estar a registar uma queda de 0,25%, negociando na casa dos 95 dólares, o WTI segue encaminhado para um ganho semanal de cerca de 5,5%, bem longe dos quase 36% que somou na semana terminada a 6 de março. Se se tiver em conta o início do conflito no Médio Oriente, o preço do WTI teve um acréscimo de quase 43%.
A menor subida das cotações do petróleo nos mercados internacionais entre 9 e 13 de março em comparação com a registada na primeira semana de março deve-se, em parte, ao anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) de que os seus 32 países membros vão libertar 400 milhões de barris para o mercado — a maior libertação de sempre de reservas de crude.
Portugal é um dos países que já anunciou a libertação, nas próximas semanas, de dois milhões de barris das suas reservas estratégicas, o que representa 10% do stock armazenado e equivale a cerca de 275 mil toneladas de produtos petrolíferos e derivados.
Para os mercados financeiros, uma solução duradoura para a atual crise exigirá que surja, num futuro próximo, uma perspetiva realista de regresso a algo próximo da normalidade no fluxo de petroleiros provenientes do Golfo.
Já na quinta-feira, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou que os Estados Unidos autorizaram temporariamente, até 11 de abril, a venda de petróleo russo armazenado em navios. No início da semana, Donald Trump tinha anunciado que ia suspender algumas sanções sobre o petróleo “para baixar os preços”, depois de uma conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin.
“Os futuros do Brent já ultrapassaram os 100 dólares por barril, apesar das medidas para acalmar os mercados com a isenção do petróleo russo e a libertação sem precedentes de reservas de emergência”, afirma Emril Jamil, analista sénior da LSEG, citado pela Reuters.
Segundo Jamil, o mercado vê essas medidas “como uma solução de curto prazo que não resolve o cerne da questão da interrupção do abastecimento”. “Os spreads mês a mês do petróleo bruto para os próximos meses indicam uma escassez não resolvida e contínua no abastecimento”, acrescenta.
O analista da LSEG explica que o Brent está mais protegido do que o WTI, uma vez que a Europa é mais suscetível a questões de segurança energética, enquanto os EUA conseguem atenuar a sua exposição ao aumento dos preços devido à sua produção interna.
Já Yang An, analista da Haitong Futures, destaca que a emissão da licença temporária pelos EUA “acalmou as preocupações do mercado, mas não resolverá a questão mais fundamental”, que é o restabelecimento da navegação no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irão.
“Isto sugere que, para os mercados financeiros, uma solução duradoura para a atual crise exigirá que surja, num futuro próximo, uma perspetiva realista de regresso a algo próximo da normalidade no fluxo de petroleiros provenientes do Golfo“, considera, por sua vez, Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe. Até lá, acrescenta, “permanece margem para novas subidas do preço do petróleo, que poderão tornar-se mais acentuadas quanto mais tempo a situação permanecer por resolver”.
(Notícia atualizada às 11h15 com o comentário de Ricardo Evangelista)
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