Exclusivo Trabalhadores do Novobanco recebem prémio da venda ao BPCE em maio
Mark Bourke revelou à comissão de trabalhadores que já tem luz verde para atribuir aos trabalhadores um prémio de dois salários relativo ao sucesso da venda do Novobanco e que será processado em maio.
- O Novobanco anunciou que os trabalhadores receberão um prémio de dois salários devido à venda da instituição ao Groupe BPCE, com pagamento previsto para maio.
- O CEO Mark Bourke destacou que o prémio é um reconhecimento do esforço dos trabalhadores na recuperação do banco, com um custo estimado de 25 milhões de euros.
- Os prémios dos administradores aumentaram significativamente, com o CEO a receber uma remuneração total de 2,26 milhões de euros, refletindo um crescimento de 78%.
O Novobanco informou os trabalhadores que já tem luz verde para pagar o prémio de dois salários por conta da venda da instituição ao Groupe BPCE. O pagamento ocorrerá com o processamento dos salários de maio, depois da entrada dos franceses que está previsto para o final de abril.
A informação foi transmitida por CEO do banco, Mark Bourke, à comissão de trabalhadores, numa reunião que teve lugar na semana. E a própria comissão de trabalhadores já comunicou a decisão internamente através da newsletter mensal a que o ECO teve acesso.
“O CEO manifestou confiança na atribuição do prémio, referindo existir acordo para o seu pagamento. Foi esclarecido que, para que o prémio possa ser processado, permanecem pendentes alguns passos formais, nomeadamente a apresentação dos resultados e a aprovação das contas em assembleia geral, sendo a assinatura da venda, para o novo acionista, o último passo necessário”, informou a estrutura de representação dos trabalhadores liderada por Liliana Felício.
“Nesse enquadramento, foi indicado que o pagamento deverá ocorrer com o vencimento de maio, considerando que a assinatura está prevista para o final de abril”, adiantou ainda.
A assembleia geral de acionistas do Novobanco está marcada para o próximo dia 23 de março para aprovação das contas de 2025, ano em que registou os lucros de 828 milhões de euros, mais 11% em termos homólogos. Já a assinatura da venda do Novobanco ao BPCE deverá acontecer no dia 28 de abril. Ou seja, com o processamento dos salários do mês seguinte, os trabalhadores vão receber o prémio correspondente a dois salários relativo à venda do Novobanco.

“Prémio tem caráter simples e transversal”
Este é um prémio que os trabalhadores reivindicam desde o primeiro momento em que a Lone Star anunciou em junho do ano passado um acordo para a venda do Novobanco ao grupo francês por 6,4 mil milhões de euros. Pretendiam que fosse reconhecido o “esforço, dedicação e papel fundamental” que tiveram na recuperação e valorização do banco na última década. Inicialmente, como o ECO revelou em primeira mão, este prémio foi recusado, tendo sido apenas decidido um prémio à gestão.
Na reunião que teve com a comissão de trabalhadores, Mark Bourke fez questão de salientar que, no entendimento da administração do banco, o “prémio constitui um reconhecimento num momento específico, devendo, por isso, assumir um caráter simples e transversal a todos os trabalhadores”.
A medida, segundo estimou a comissão de trabalhadores, terá um custo de cerca de 25 milhões de euros.
Prémios aos administradores duplicaram no ano passado
Segundo o relatório e contas do Novobanco, a administração teve direito a prémios de desempenho de 3,7 milhões de euros no ano passado, aumentando 84% em relação a 2024.
Mark Bourke, que deverá continuar à frente do banco quando se tornar propriedade francesa, teve um bónus de 1,13 milhões de euros, quase três vezes mais do que no ano anterior. Além dessa remuneração variável que lhe foi atribuída e será paga em parcelas nos próximos anos, o gestor irlandês recebeu uma remuneração fixa de 830 mil euros e ainda subsídio de expatriação no valor de 300 mil. Contas feitas, o CEO teve uma remuneração de 2,26 milhões no ano passado, mais 78% face a 2024.
Ao todo, o conselho de administração executivo do Novobanco, composto atualmente por sete membros, teve direito a remunerações fixas e variáveis de 7,5 milhões de euros, mais 42% em comparação com 2024.
Em relação ao conselho geral e de supervisão, o presidente Byron Haynes recebeu 600 mil euros em termos fixos e outros 100 mil euros noutros benefícios, totalizando os 700 mil euros. Em 2024, Haynes tinha recebido 518 mil euros. O conselho geral e de supervisão recebeu no total 1,677 milhões de euros.
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