Uber afasta mexidas nas tarifas, Bolt prepara medidas para motoristas. Táxis pedem apoios ao Governo

Com a subida dos combustíveis, o setor de transporte de passageiros começa a sentir dificuldades. Os TVDE não preveem aumento de preços, enquanto os táxis exigem vários apoios do Governo.

O setor do transporte individual de passageiros, que inclui serviços como Uber, Bolt e táxis, é um dos mais afetados pelo recente aumento do preço do petróleo. Desde que o conflito no Médio Oriente escalou a 28 de fevereiro com o ataque dos EUA e Israel ao Irão, os preços dos combustíveis dispararam nas últimas semanas, com subidas próximas de 30 cêntimos no gasóleo e cerca de 20 cêntimos na gasolina, quando a nova atualização de preços entrar em vigor na próxima segunda-feira.

Esta semana, Ivo Fernandes, presidente da APTAD – Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, admitiu que “o aumento rápido” do preço dos combustíveis em poucas semanas tem “um impacto muito significativo nos custos da atividade”, afirmando ainda que é “óbvio que este aumento de custos se traduz imediatamente num aumento dos custos de atividade”.

Contactada pelo ECO, a Uber diz estar a “acompanhar com atenção a evolução da situação internacional e o impacto que esta possa ter nos custos de mobilidade, incluindo o preço dos combustíveis, que tem registado oscilações significativas nas últimas semanas”.

No entanto, a empresa norte-americana diz que neste momento “não estão previstas alterações específicas nas tarifas em Portugal”, já que o modelo da plataforma ajusta preços com base na procura e na disponibilidade de motoristas, de forma a “equilibrar em tempo real as necessidades dos motoristas com preços acessíveis para os utilizadores”, sublinha a Uber.

A Uber sublinha ainda que “a transição para a mobilidade elétrica tem vindo a reduzir progressivamente a exposição do TVDE à volatilidade dos combustíveis. Atualmente, mais de 43% dos TVDE em Portugal já são elétricos”, detalha a empresa.

Já a Bolt diz estar a acompanhar a situação e que vai tomar medidas direcionadas aos motoristas para mitigar o impacto das subidas de preços. “Estamos conscientes de que os custos com o combustível são uma componente importante dos rendimentos dos motoristas, pelo que estamos a acompanhar de perto o impacto do aumento dos preços dos combustíveis. Decorre simultaneamente um processo de avaliação os nossos preços e dos rendimentos dos motoristas que trabalham com os operadores TVDE em Portugal, para que possamos introduzir medidas específicas destinadas a mitigar o impacto proveniente destes custos a curto prazo”, refere a empresa em resposta ao ECO.

A empresa, que chegou ao mercado português em 2018, adianta ainda que a sua “prioridade é manter o equilíbrio entre os custos de operação dos motoristas que trabalham com os operadores parceiros e os preços cobrados aos passageiros, de modo a garantir que a plataforma continue a ser justa e sustentável para todas as partes”.

Táxis pedem apoios ao Governo

A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) emitiu um comunicado esta quinta-feira onde alerta o Governo para a forte escalada do preço dos combustíveis, sobretudo do gasóleo, que “está a colocar em risco a sobrevivência de milhares de profissionais e a continuidade do serviço público do Táxi em muitas zonas do país”.

Para mitigar os impactos da forte subida dos combustíveis, a FPT defende três medidas: a criação de um “gasóleo profissional do táxi”, com reembolso parcial do ISP, à semelhança do que já existe para o transporte de mercadorias; um programa anual de apoio ao combustível para os táxis, através do Fundo Ambiental, com montante por viatura alinhado com o esforço feito para os autocarros; e o reforço dos apoios à descarbonização, com mais verbas para táxis de baixas emissões e instalação de pontos de carregamento dedicados.

A Federação Portuguesa do Táxi alerta ainda que, “sem estas medidas estruturais, o país arrisca perder o serviço público do táxi, nomeadamente fora dos grandes centros urbanos”.

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