O que esperar dos 10 maiores mercados de exportação de Portugal em 2026

É ano de crescimento para os dez maiores destinos das exportações portuguesas. De Espanha à Suíça veja o que seguradora de crédito Coface prevê. E comprove como Portugal é visto lá fora.

Os 10 maiores mercados de exportação de bens e serviços de Portugal vão ter um ano de suave crescimento, segundo as previsões macroeconómicas da equipa de economistas da Coface, seguradora de crédito francesa que está presente em 200 países, entre estes Portugal. Tem 100 mil clientes e uma exposição de 715 mil milhões de euros de exposição por todo o mundo e necessita de analisar o risco-país e o ambiente de negócios antes de aprofundar os setores de atividade e a empresa para a qual um seu cliente pretende vender.

Com cerca de 133 milhões de euros exportados em bens e serviços em 2024, segundo a base Trademap, Portugal tem 10 principais mercados para onde vão 75% das suas exportações. Juntando estes elementos à classificação de risco -país da Coface, temos um olhar sobre o que pode acontecer ao país quanto a solidez de vendas ao exterior diz respeito.

Portugal no TOP 15 dos países com menor risco

A Coface estabelece um rating, ou seja, uma classificação por risco-país, em 162 países dos cerca de 200 em que está presente. A classificação indica em 8 categorias de 1 – Risco muito baixo a E – Risco extremo cada país, como risco geral. Em fases seguintes a Coface também classifica os setores de atividade até chegar a cada empresa para a qual o cliente pretende exportar.

Portugal está no top 15 dos países com menor risco, classificação que resulta da análise política, económica e social da equipa de economistas da Coface. Em A1 estão apenas quatro países: Dinamarca, Luxemburgo, Noruega, Suíça. Em A2 – Risco baixo está Portugal e mais 11 países: Austrália, Bélgica, Japão, Países Baixos, Singapura, Espanha, Taiwan, EUA, Reino Unido e Coreia do Sul.

Num terceiro nível, A3 – Risco satisfatório, estão 22 países, entre os quais Áustria, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Nova Zelândia e Suécia. No último patamar de A, a classe A4 – Risco razoável, estão 16 países entre eles Cabo Verde, Chéquia, Islândia e Grécia.

Já na tabela B – Risco bastante alto, estão países como Itália, Brasil e Marrocos. Em D – Risco muito elevado destaca-se Argentina e Moçambique e em E – Risco extremo, o pior, estão Cuba, Líbia, Iraque, Irão, Venezuela, Sudão e Zimbabwe.

Paralelamente uma classificação é estabelecida para o “Ambiente de Negócios” considerando a Transparência Corporativa (disponibilidade e fiabilidade dos balanços e relatórios financeiros das empresas), Sistema Jurídico (eficácia das instituições na proteção de credores e na recuperação de dívidas), Acesso ao Mercado (facilidade de entrada e barreiras comerciais no mercado doméstico) e Qualidade Institucional: estabilidade política e eficácia regulatória que impactam o dia a dia dos negócios.

O que se espera dos países TOP 10 das exportações portuguesas.

Em 2024, segundo a TradeMap, as exportações de bens de Portugal totalizaram 76 mil milhões de euros, e de serviços 57 mil milhões em serviços, num total de 133 mil milhões de euros.

Os 10 principais destinos de exportação representaram quase 75% do volume em euros e nesses é preciso estar atento ao risco-país.

Para além das características próprias das empresas portuguesas e da sua competitividade internacional, a prosperidade destes mercados é fundamental para o desempenho económico de Portugal em 2026, e o comportamento dos setores como o turismo e automóvel vão para além da atratividade de Portugal enquanto destino turístico e do sucesso de veículos da VW fabricados em Palmela. Também importa, para um bom desempenho, se os residentes nesses países estão mais ou menos disponíveis para compras.

Um por um, veja como a Coface analisa a economia e sociedade de Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos, Países Baixos, Itália, Bélgica, Brasil e Suíça, os 10 maiores mercados para Portugal.

Espanha: Crescimento sólido, embora mais moderado

Depois de um 2025 luminoso, impulsionado pelos serviços e pelo turismo, Espanha deverá crescer 2,5% em 2026, mantendo um ritmo acima da média da zona euro. A economia continuará ancorada na procura interna, com o consumo privado — cerca de 55% do PIB — sustentado por inflação moderada, mercado de trabalho resiliente e aumento do rendimento disponível.

A taxa de poupança, em níveis historicamente elevados, dá margem para maior despesa das famílias, enquanto os fundos europeus do Next Generation EU seguem a apoiar o investimento e a modernização. Espanha beneficia ainda de custos energéticos relativamente competitivos, graças ao peso das renováveis, e de reformas estruturais no mercado laboral e no setor financeiro.

O risco-país é classificado em A2 e o ambiente empresarial em A1, refletindo enquadramento favorável ao investimento. Com 47,8 milhões de habitantes e um PIB per capita de 33.896 dólares, o país mantém um mercado interno relevante e sofisticado. Para Portugal, Espanha continua a ser parceiro central, absorvendo 19,1% das exportações nacionais.

Persistem fragilidades: défice orçamental de 2,1% e dívida pública próxima de 98,5% do PIB limitam a margem orçamental. A elevada exposição às exportações para a União Europeia deixa a economia dependente da recuperação dos principais parceiros. Ainda assim, o cenário para 2026 é de crescimento sólido, embora mais moderado.

Alemanha: Crescer cerca de 1% após dois anos de quase estagnação

Após dois anos de quase estagnação, a Alemanha deverá crescer cerca de 1,0% em 2026, num cenário de recuperação cautelosa apoiada pelo regresso do investimento público e por melhores condições financeiras. A maior economia europeia mantém uma base industrial robusta — 20% do valor acrescentado e 23% do emprego —, forte aposta em I&D e um tecido de PME exportadoras (Mittelstand) altamente competitivo.

A viragem deu-se em 2025, com a revisão do “travão da dívida” e a criação de um fundo de 500 mil milhões de euros para infraestruturas e clima, além de incentivos fiscais ao investimento. A descida das taxas do BCE e a redução prevista dos custos energéticos para a indústria deverão estimular o investimento empresarial em 2026, após meses de adiamentos.

O consumo privado (52% do PIB) tende a recuperar gradualmente, sustentado por salários reais em alta e descida da taxa de poupança. Ainda assim, o comércio externo permanece a grande incógnita, num contexto de novas tarifas dos EUA — destino de 10% das exportações alemãs.

Com 84,5 milhões de habitantes e PIB per capita de 53.565 dólares, a Alemanha mantém risco país A3 e ambiente empresarial A1. O défice deverá atingir 2,8% e a dívida 63,7% do PIB. Para Portugal, que destina 12% das exportações a este mercado, o ritmo alemão será determinante em 2026.

França: Crescimento não aponta para forte impulso da procura externa

A economia deverá crescer 0,9% em 2026, prolongando uma trajetória de recuperação moderada, mas ainda condicionada por fragilidades estruturais e forte pressão orçamental. Com 65,9 milhões de habitantes e um PIB per capita de 46.305 dólares, o país mantém uma base económica diversificada, sustentada pela qualidade das infraestruturas e serviços públicos, mão de obra qualificada e grupos internacionais competitivos nos setores aeroespacial, energia, farmacêutica, luxo, agroalimentar e retalho. O turismo continua a ser um motor relevante e a elevada taxa de poupança das famílias constitui uma almofada importante para o consumo.

Contudo, a economia enfrenta desafios persistentes: perda de competitividade externa, défice estrutural da balança comercial e desindustrialização progressiva. A insuficiente inovação e a reduzida base de empresas exportadoras limitam o potencial de crescimento, enquanto a elevada carga fiscal e a fragmentação política dificultam reformas estruturais.

Em 2026, o défice orçamental deverá situar-se em 5,2% do PIB e a dívida pública em 118,8%, mantendo o país sob vigilância dos mercados. O risco país é classificado em A3 e o ambiente empresarial em A1. Para Portugal, que destina 11,7% das exportações a este mercado, o desempenho económico será relevante, embora o crescimento previsto não aponte para um forte impulso da procura externa.

Reino unido: Crescimento de 1% via consumo das famílias e investimento público

O Reino Unido deverá crescer de forma moderada em 2026, sustentado pelo consumo das famílias e pelo investimento público em infraestrutura e habitação, apesar de inflação persistente e custos laborais elevados. As exportações de serviços, pilares da economia, devem manter-se fortes, enquanto o comércio de bens enfrenta limitações devido à fraca procura da UE e EUA. A dívida pública continua elevada e o défice fiscal deve reduzir-se apenas ligeiramente, com política monetária gradual e aperto quantitativo a prosseguir. O governo Labour, apesar da perda de popularidade, mantém uma agenda legislativa ativa e reforça relações comerciais e de defesa com EUA e UE, num contexto geopolítico complexo.

O crescimento projetado é de 1% em 2026, com risco-país A3 e ambiente empresarial A1, com um PIB per capita de 49.648 dólares. O país beneficia de setores de elevado valor acrescentado, como aeronáutica, farmacêutica e automóvel, e de serviços financeiros e jurídicos competitivos, mas enfrenta dívida pública elevada (104,2% do PIB), saldo orçamental negativo (-3,6%), baixa produtividade, investimento insuficiente em infraestrutura e disparidades regionais acentuadas.

Estados Unidos: consumo robusto e forte investimento empresarial

Os EUA deverão crescer 2,2% em 2026, apoiados num consumo robusto e forte investimento empresarial, impulsionado por incentivos fiscais e expansão de capital em tecnologia e IA. Apesar do elevado défice fiscal (-6,2%) e dívida pública de 118,5% do PIB, o dólar e a procura interna permitem financiar a economia. Exportações mantêm-se limitadas por dependência de cadeias globais e tensões com a China, masas exportações líquidas devem contribuir positivamente. O mercado laboral sofre pressão de substituição tecnológica e escassez em setores com mão de obra irregular, enquanto a Fed mantém taxas próximas de 3%. A política externa “America First” e a pressão sobre o banco central acrescentam incerteza, mas a independência da Fed deverá resistir.

A Coface projeta crescimento de 2,2% em 2026, com risco país A2, ambiente empresarial A1 e PIB per capita de 82.715 dólares. O país beneficia de setores de elevado valor acrescentado e serviços competitivos, mas enfrenta dívida elevada, saldo orçamental negativo, baixa produtividade, investimento insuficiente em infraestrutura e desigualdades regionais.

 

Países Baixos: mais 1,3% de PIB, apoiado por consumo privado robusto, aumento de salários e investimento em habitação

Os Países Baixos deverão crescer 1,3% em 2026, apoiados por consumo privado robusto, aumento de salários e investimento em habitação, embora a incerteza comercial com os EUA limite expansões empresariais. Exportações diversificadas de bens e serviços sustentam forte superavit em conta corrente, com destaque para portos e serviços internacionais. O défice público deverá subir para 2,7%, mantendo-se dentro do critério de Maastricht, e a dívida permanece baixa (46,6% do PIB). Setores de alto valor acrescentado e infraestruturas de qualidade reforçam competitividade, mas o país é vulnerável à dependência do comércio europeu e enfrenta envelhecimento populacional e carência de mão de obra. A instabilidade política, com governo de coligação tecnocrática após colapso da extrema-direita, adiciona incerteza sobre reformas e políticas fiscais e sociais.

A Coface projeta um crescimento de 1,3% em 2026, com risco país A2, ambiente empresarial A1 e PIB per capita de 64.829 USD.

 

Itália: Fundos NextGenerationEU oferece estímulo a investimentos e modernização, mas execução lenta limita o efeito

Itália deverá crescer 0,8% em 2026, sustentada por consumo privado moderado, turismo e exportações de bens de alto valor, como veículos, moda, maquinaria e farmacêutica. O país enfrenta forte dívida pública (138,3% do PIB) e défice de 2,8%, além de desigualdades regionais acentuadas e baixa produtividade, sobretudo no sul. A absorção de fundos europeus NextGenerationEU até 2026 oferece estímulo a investimentos e modernização, mas a execução lenta limita o efeito total. O sistema bancário mantém-se sólido, com exposição controlada à dívida soberana. Politicamente, o governo conservador de Giorgia Meloni continua estável, reforçando reformas estruturais e fiscais e buscando consolidar o ambiente de negócios.

Está previsto pela Coface um crescimento de 0,8% em 2026. Com risco país B, ambiente empresarial A2 e PIB per capita de 39.012 dólares. O país combina setores de alto valor acrescentado e serviços competitivos, com dívida elevada, saldo orçamental negativo e desafios em produtividade, infraestrutura e desigualdades regionais.

 

Bélgica: Reformas fiscais e previdenciais iniciadas em 2025 começam a produzir efeito

A economia belga deverá crescer 1% em 2026, impulsionada por consumo privado estável, comércio exterior e investimentos públicos. A posição geoestratégica e os portos de Antuérpia e Zeebrugge consolidam o país como plataforma logística na Europa, enquanto setores como farmacêutico, químico e financeiro sustentam a diversificação económica. A dívida pública elevada (109% do PIB) e o défice de 5% continuam a pressionar o orçamento, embora reformas fiscais e previdenciais iniciadas em 2025 comecem a produzir efeito gradual.

A coabitação política é complexa: a coligação federal “Arizona” governa, mas Bruxelas mantém governo pendente, refletindo tensões regionais entre Flandres e Valónia. As exportações portuguesas para a Bélgica representam 2,5% do total. Com risco país A2 e ambiente empresarial A1, a economia belga permanece dependente da zona euro e dos parceiros europeus, sendo a política de tarifas e a evolução do comércio externo fatores críticos para o crescimento em 2026.

Brasil: Crédito caro e incerteza política em ano eleitoral

O crescimento económico do Brasil deve desacelerar para 1,9% em 2026, com consumo privado (64% do PIB) a sustentar a economia, beneficiando de aumentos de salário mínimo e isenções fiscais. As exportações portuguesas para o Brasil representam 2,5% do total. Com risco-país B e ambiente empresarial A4, o investimento empresarial continua contido devido a crédito caro e incerteza política em ano eleitoral. A Selic (taxa básica de juros da economia brasileira), deverá cair gradualmente de 15% para cerca de 12,25%, mas permanecerá elevada, limitando expansão de crédito e investimento.

O défice orçamental mantém-se elevado (-8,8%), com dívida pública em 84% do PIB. O agronegócio deve registar colheitas recorde, enquanto a balança externa melhora ligeiramente. A política externa beneficia de aproximação aos EUA e acordos Mercosul-EFTA e Mercosul-UE, embora desafios persistam com Argentina, Venezuela e tarifas comerciais. As eleições de outubro influenciam expectativas de crescimento e confiança empresarial, mantendo 2026 como ano de prudência económica e ajustes fiscais.

Suíça: Consumo privado e receitas financeiras, farmacêuticas e turismo de luxo sustentam a atividade

A Suíça mantém crescimento moderado de 1,0% em 2026, com PIB per capita de 101.510 dólares. Com risco país A1 e ambiente empresarial A1, a economia suíça beneficia de estabilidade política, democracia direta e fortes contas públicas (saldo orçamental 0,1%, dívida 36% do PIB). Consumo privado e receitas financeiras, farmacêuticas e turismo de luxo sustentam a atividade. Inflação baixa e cortes na taxa de referência favorecem poder de compra e crédito.

O Investimento residencial e civil cresce lentamente, com destaque para grandes obras públicas e expansão universitária. O comércio externo é robusto, com superavit em bens e forte posição líquida de investimento estrangeiro (111% do PIB), embora tarifas e conflitos comerciais dos EUA representem risco. A ratificação do novo acordo com a UE será decidida em referendos em 2026, com incerteza sobre aprovação parcial. A Suíça mantém reservas energéticas autossuficientes e sólida proteção social, consolidando-se como economia estável.

Portugal: Consumo privado e fundos europeus são motores de um crescimento sólido

A economia portuguesa também é descrita e essa previsão é distribuída aos clientes da Coface em todo o mundo. São exportadores atuais e potencias para Portugal e o olhar da seguradora de crédito é fundamental para avaliar riscos de incumprimento de pagamentos por parte de empresas portuguesas. Se o país está no TOP 15 de menor risco em todo o mundo, há sempre uns dados mais desafiantes.

Em 2026, a economia portuguesa deverá continuar a superar o desempenho regional (1,2% na zona euro). Novas medidas orçamentais expansionistas, uma inflação globalmente estável e o aumento do emprego irão sustentar um consumo privado robusto. A população empregada cresceu 3,3% em outubro de 2025, o ritmo mais rápido desde a recuperação pós-pandemia, e a taxa de desemprego mantém-se baixa (6%). No entanto, a incerteza global poderá pesar sobre o consumo, como evidencia a taxa de poupança das famílias (12% do rendimento disponível bruto no terceiro trimestre de 2025), que permanece bem acima da média histórica.

O investimento público deverá crescer significativamente, impulsionado pela aceleração da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiado pela União Europeia — tendo em conta a proximidade do fim do programa. Em 1 de dezembro de 2025, Portugal já tinha recebido 13,8 mil milhões de euros (62% do montante total do PRR). Embora o país pudesse, em teoria, receber mais de 8 mil milhões de euros (3% do PIB) no último ano do programa, o montante efetivamente recebido será significativamente inferior devido a atrasos persistentes na sua implementação. Ao mesmo tempo, o investimento privado deverá crescer, apoiado pela melhoria das condições de financiamento após quatro cortes nas taxas de juro diretoras do BCE desde janeiro de 2025 e por uma nova redução do imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas (IRC). Esta análise foi realizada antes do PTRR e, logo dos prejuízos decorrentes das tempestades recentes.

O setor dos serviços (77% do PIB em 2024) deverá manter-se dinâmico, especialmente no turismo e atividades relacionadas (hotelaria, restauração e comércio). Contudo, o seu impacto no crescimento será menos pronunciado do que durante a fase de recuperação pós-pandemia. O setor da construção, por sua vez, dá sinais de recuperação, sobretudo na engenharia civil, devido aos fundos europeus. O imobiliário residencial mantém-se resiliente, beneficiando da melhoria da situação financeira das famílias (o rácio de crédito malparado na habitação caiu para 1,1% no segundo trimestre de 2025). Ainda assim, o setor continuará a enfrentar constrangimentos estruturais, nomeadamente o aumento dos custos de produção de nova habitação (+4,5% em termos homólogos em outubro de 2025), associado à persistente escassez de mão de obra, que está a travar o arranque de novas construções.

Por fim, os riscos associados à imposição, pelos Estados Unidos, em agosto de 2025, de uma tarifa de 15% sobre as importações provenientes da União Europeia são particularmente elevados para alguns setores portugueses — nomeadamente gasolina, borracha e vinho — que apresentam maior dependência do mercado norte-americano. Ainda que o contexto de tarifas norte-americanas esteja ainda em evolução, como aliás se tem visto nos mais recentes desenvolvimentos.

Em 2026, a inflação deverá continuar a desacelerar, aproximando-se gradualmente da meta do BCE. Persistem pressões associadas à dinâmica salarial e à robustez da procura interna. Além disso, a recente apreciação do euro e a descida dos preços da energia contribuem para mitigar a inflação importada.

Consolidação orçamental contínua mantém trajetória fiscal sólida

Em 2026, o governo de centro-direita prosseguirá uma política orçamental expansionista, centrada no aumento da despesa com serviços públicos e pensões, na subida dos salários e na redução de impostos. Ainda assim, esta política manter-se-á moderada, uma vez que a manutenção de um orçamento equilibrado continua a ser uma prioridade política fundamental. O Orçamento para 2026 prevê um novo excedente, ainda que modesto, marcando o quarto ano consecutivo de contas equilibradas. Resta saber o efeito do impacto dos custos das tempestades, que não terá sido contabilizado neste raio-x da Coface.

A taxa do IRS será reduzida entre o segundo e o quinto escalões (de um total de nove), e o IRC descerá de 20% para 19% (de 16% para 15% para as PME sobre os primeiros 50.000 euros de matéria coletável). Além disso, as pensões mais baixas serão aumentadas e o salário mínimo subirá de 870€ para 920€ por mês (ao longo de 14 meses). O governo planeia também um aumento significativo da despesa em defesa, possibilitado pela ativação de uma cláusula de derrogação nacional, que permite elevar esta despesa em 1,5% do PIB por ano nos próximos quatro anos.

Por fim, o forte crescimento do PIB, combinado com uma postura orçamental globalmente prudente, deverá permitir que a dívida pública continue a sua trajetória descendente decisiva em 2026, após ter ultrapassado 130% do PIB no auge da crise em 2011. Contudo, a economia portuguesa continua a enfrentar várias fragilidades estruturais que inevitavelmente pesarão sobre as finanças públicas no médio prazo: rápido envelhecimento demográfico, baixa produtividade e uma crise habitacional que está a alimentar a saída de jovens do país.

A posição externa do país deverá continuar a melhorar em 2026, impulsionada por excedentes elevados e sustentados na balança corrente e na balança de capital. O défice estrutural da balança de bens — associado ao aumento das importações de maquinaria e bens de capital num contexto de investimento sustentado — será amplamente compensado pelo excedente nos serviços, impulsionado pelas receitas do turismo. As remessas da diáspora portuguesa deverão compensar os dividendos repatriados por investidores estrangeiros, enquanto o aumento das transferências de capital europeias reforçará o excedente da balança de capital.

Fragmentação parlamentar promete instabilidade política

As eleições legislativas antecipadas de maio de 2025, desencadeadas pela demissão do primeiro-ministro Luís Montenegro na sequência de alegações de conflito de interesses, voltaram a resultar num Parlamento fragmentado — um ano após a queda do governo socialista. Montenegro acabou por ser reconduzido como chefe do executivo e lidera agora um governo minoritário de centro-direita (Aliança Democrática, coligação entre o PSD e o CDS-PP), que detém 91 dos 230 lugares no Parlamento.

Pela primeira vez, o partido de extrema-direita Chega tornou-se a principal força de oposição, com 60 deputados, à frente do Partido Socialista (PS, 58 deputados). Esta subida de popularidade conduziu a relações mais pragmáticas entre a direita tradicional e o Chega. Em julho de 2025, o governo aprovou um pacote legislativo anti-imigração destinado a limitar vistos, restringir o reagrupamento familiar e eliminar procedimentos simplificados de regularização.

No entanto, nos últimos dois anos, a estabilidade tem dependido do “sentido de responsabilidade” dos socialistas, que concordaram em abster-se na votação dos Orçamentos de 2025 e 2026, permitindo assim a sua aprovação. Esta cooperação permanece, contudo, frágil e circunstancial. A atual fragmentação parlamentar aponta para um período de incerteza e possível instabilidade política nos próximos anos.

É também com esta visão que empresários e gestores estrangeiros vão encarar vender ou não para Portugal.

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