Os sapatos que Trump oferece aos membros do seu governo (e que ninguém tira) e que estão a combater as tarifas

ECO,

O Presidente dos EUA ofereceu esta marca de sapatos a JD Vance e Marco Rubio. A marca processou a administração de Trump por causa das tarifas.

Donald TrumpLusa

É uma história de amor não correspondido: Trump usa e oferece sapatos Florsheim aos membros da sua administração (que não os tiram nem quando são apertados ou demasiado grandes). Já o grupo que detém a marca, Weyco, levou a atual administração a tribunal alegando ter perdido milhões com as tarifas implementadas pelo Presidente dos EUA.

Segundo o Wall Street Journal (acesso pago), Trump tem o hábito de oferecer sapatos de couro da Florsheim a membros do seu gabinete – como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário dos Transportes Sean Duffy, o secretário da Defesa Pete Hegseth e o secretário do Comércio Howard Lutnick- assim como assessores e visitantes da Casa Branca, após encontros no Salão Oval. Os pares custam 145 dólares (126 euros) e, segundo a Casa Branca, citada pelo The Guardian, são pagos pelo próprio presidente.

Trump terá começado usar estes sapatos em 2025, à procura de um modelo que o ajudasse durante os longos dias de trabalho na presidência, segundo o jornal norte-americano.

Alheio às preferências do Presidente dos EUA, segundo o Business Insider, em dezembro, o Weyco Group avançou com uma ação judicial contra o governo federal devido às tarifas impostas pela administração Trump ao setor do calçado. Segundo a publicação, a queixa foi apresentada no Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos e procura recuperar parte dos custos associados às tarifas, que o CEO da empresa afirmou terem custado “milhões” de dólares ao grupo.

A marca Florsheim foi fundada em Chicago em 1892 e pertence ao Weyco Group, que também detém as marcas de calçado Bogs e Nunn Bush. Segundo o jornal espanhol El Economista, a divulgação da história teve impacto nos mercados financeiros. As ações da empresa proprietária da marca subiram mais de 6% no início da semana, enquanto os mercados norte-americanos registavam quedas generalizadas.

O jornal norte-americano diz ainda que Donald Trump costuma tentar adivinhar o número de sapato dos interlocutores e pede depois a um assistente que encomende os pares. E mesmo quando os sapatos são grandes, como documentaram várias fotos em ocasiões públicas, ninguém se atreve a tirá-los, conta a CNN, dando como exemplos JD Vance e Marco Rubio. Tornaram-se, não só um uniforme, como um tema recorrente nas reuniões na Casa Branca e, segundo o Wall Street Journal, há atualmente várias caixas de sapatos guardadas em escritórios próximos do Salão Oval. Cada uma com o nome do destinatário.

 

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