“A literacia financeira tem de ser uma prioridade total”, diz governador do Banco de Portugal
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, defende que saber gerir dinheiro deve ter o mesmo peso nas escolas que a matemática ou o português, e vai agir para o concretizar.
Saber gerir o dinheiro devia ser tão básico como saber ler ou fazer contas. É essa a convicção com que Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal e presidente do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF), abriu esta segunda-feira a Sessão Solene da Semana da Formação Financeira, em Lisboa, na sede da CMVM.
Para o governador do regulador bancário, a literacia financeira deixou de ser um tema de nicho para se tornar numa “competência essencial da cidadania”, argumentando que “cidadãos mais informados tomam melhores decisões financeiras e, por isso, investir na formação financeira é investir no nosso futuro e no futuro do nosso país.”
É neste enquadramento que o CNSF aprovou recentemente as linhas estratégicas do Plano Nacional de Formação Financeira para 2026-2030, um documento que, segundo o governador, marca “uma evolução importante na forma como Portugal encara este desafio”.
É tão importante ter literacia financeira como termos também literacia ao nível da matemática, da ciência e do português.
O novo plano assenta numa lógica de impacto real e não apenas de boas intenções, destaca Álvaro Santos Pereira. “Mais do que boas ações, queremos que estes planos tenham impacto nas pessoas, que ajudem realmente os nossos alunos a ter um maior nível de literacia financeira”, sublinhou.
A prioridade número do plano são as crianças e os jovens, com a escola a surgir como o espaço central desta transformação. “É tão importante ter literacia financeira como termos também literacia ao nível da matemática, da ciência e do português. Portanto, a literacia financeira tem que ser uma prioridade total para o país”, defendeu o governador, numa afirmação que soa a apelo direto ao sistema de ensino.
Neste cenário, os professores emergem como peças-chave. Álvaro Santos Pereira foi claro ao reconhecer o papel insubstituível dos docentes, notando que “são os professores que, no quadro das suas salas de aula, transformam orientações estratégicas em aprendizagens reais” e que “ajudam os nossos jovens a compreender que as decisões financeiras, desde as mais simples às mais complexas, transformam positivamente as vidas.”
Até 2030, o objetivo é abandonar uma comunicação “predominantemente informativa” para adotar uma abordagem “mais clara, mais próxima”, refere o governador do Banco de Portugal.
O plano prevê, por isso, uma aposta continuada na capacitação docente em parceria com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, com novos cursos de formação e materiais pedagógicos adaptados às necessidades atuais.
Até 2030, o objetivo é abandonar uma comunicação “predominantemente informativa” para adotar uma abordagem “mais clara, mais próxima” e alinhada com os hábitos das novas gerações, incluindo formatos interativos e digitais, sublinha o governador do Banco de Portugal, deixando ainda uma nota de cautela sobre o papel da inteligência artificial (IA) na educação.
“Falamos muito de IA, mas acho que ainda poucos perceberam o impacto que a inteligência artificial vai ter, nomeadamente ao nível da educação”, disse, reconhecendo que a tecnologia traz oportunidades, mas também “bastantes desafios”, em especial garantir que “o pensamento crítico continua a ser prioritário” e que os alunos “continuem a pensar por si próprios e não estejam só à espera que os modelos lhes deem respostas.”
Além dos jovens, o plano dirige também atenção à população adulta, com foco em temas como a poupança e o investimento ao longo da vida. “Promover escolhas informadas nesta matéria é promover autonomia, segurança e dignidade no futuro. A literacia financeira é neste domínio uma verdadeira ferramenta de proteção social”, afirmou Álvaro Santos Pereira.
Para medir o impacto destas iniciativas, o CNSF vai associar-se ao exercício de comparação internacional promovido pela OCDE, com o 5.º Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa que já se encontra em curso, com Álvaro Santos Pereira a notar que os resultados servirão de “instante guia” para as próximas iniciativas do plano.
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