AEP lança guia para ajudar empresas a cumprirem metas de sustentabilidade
"Guia Prático de Economia Circular e Gestão de Resíduos" visa apoiar as micro, pequenas e médias empresas no cumprimento dos critérios de sustentabilidade e governança.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) já lançou o primeiro “Guia Prático de Economia Circular e Gestão de Resíduos” para apoiar as micro, pequenas e médias empresas (MPME) na adoção de práticas eficientes de utilização de recursos e gestão de resíduos. E dá como exemplo de sucesso o modelo desenvolvido pela Lipor, considerado uma “referência nacional ao nível da gestão sustentável de resíduos”, gerando valor económico e ambiental.
O primeiro “Guia Prático de Economia Circular e Gestão de Resíduos” surge no âmbito do projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade” da AEP e, assinala a associação, numa altura “em que as novas diretivas europeias vão obrigar as empresas a reportar, de forma mais rigorosa, o seu desempenho ambiental, social e de governação (ESG)”.
“As diretivas europeias vão tornar obrigatório o cumprimento de regras exigentes em sustentabilidade, reporte e gestão de resíduos. Este guia permite às MPME anteciparem essas exigências e transformarem um desafio regulatório numa oportunidade de inovação, eficiência e competitividade”, começa por explicar ao ECO/Local Online o presidente do Conselho de Administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro.
Segundo a Sociedade Ponto Verde, Portugal voltou a falhar em 2025 as metas europeias de reciclagem de embalagens. Ainda assim, adiantou num comunicado em janeiro deste ano, os portugueses separaram em 2025 mais 2% de embalagens para reciclagem do que em 2024, num total de 486.990 toneladas.
O guia apresenta soluções práticas para ajudar as empresas a reduzirem desperdícios, otimizarem o uso de recursos e a prepararem-se para novas obrigações europeias, como a CSRD (diretiva de relato de sustentabilidade corporativa) e a CSDDD (diretiva de dever de diligência das empresas em matéria de sustentabilidade corporativa), “que lhes irão exigir maior transparência e responsabilidade ambiental”.
A AEP elenca a Lipor – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto como um exemplo de sucesso e boas práticas de sustentabilidade ambiental e económica.
As diretivas europeias vão tornar obrigatório o cumprimento de regras exigentes em sustentabilidade, reporte e gestão de resíduos.
Apesar de a produção de lixo dos munícipes ter aumentado 1,2% em 2025 face a 2024, “o modelo integrado da Lipor permitiu encaminhar 367.460 toneladas para valorização energética, assegurando a produção de 163.985 MWh (megawatts por hora) de energia elétrica para a rede nacional”, comunicou a associação de municípios a 23 de fevereiro deste ano.
Já em 2024, nota o presidente da Lipor, Fernando Leite, foram tratadas 554.000 toneladas de resíduos. “Conseguimos limitar a deposição em aterro a apenas 3%. Estes resultados mostram que é possível transformar resíduos em recursos e gerar valor económico e ambiental”, sustenta.
Fernando Leite realça, por isso, a importância da valorização energética como instrumento estratégico para o clima. “Ao converter resíduos não recicláveis em energia elétrica, conseguimos reduzir emissões e substituir energia de origem fóssil, contribuindo diretamente para a descarbonização da economia”, enfatiza o responsável.
A Central de Valorização Energética da empresa tem capacidade para tratar cerca de 380.000 toneladas por ano e produzir 170.000 MWh de eletricidade, dos quais cerca de 90% são injetados na rede pública, o equivalente ao consumo de aproximadamente 150 mil habitantes, detalha.

A Lipor é constituída pelos municípios do Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Espinho e Valongo, abrangendo cerca de 10% da população portuguesa.
O presidente da Lipor explica, por isso, que “a integração dos critérios ESG transformou-se num dos principais motores da evolução [da empresa], influenciando diretamente a forma como estrutura o modelo de negócio”.
O novo “Guia de Economia Circular e Gestão de Resíduos” integra-se no projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade” que tem um orçamento de 924.627 euros e vai beneficiar 500 MPME da região Norte.
De olhos postos na transição verde e digital, na inovação e na cooperação regional, este projeto é cofinanciado pelo programa regional Norte 2030, devendo prolongar-se até ao segundo trimestre de 2027, para reforçar o ecossistema empresarial nortenho e reduzir assimetrias.
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