Energia já é uma das maiores barreiras ao investimento empresarial na UE

A energia impõe-se como a segunda maior barreira ao investimento empresarial, depois da carga regulamentar, sinaliza o mais recente barómetro da BusinessEurope.

A energia está a impor-se como a segunda maior barreira ao investimento na União Europeia, de acordo com um inquérito feito às empresas do Velho Continente. Níveis elevados dos preços e volatilidade dos mesmos são as principais queixas.

Os preços da energia na UE continuam substancialmente mais altos do que nos EUA e na China, com os custos da eletricidade e do gás natural para a indústria a serem cerca de duas a três vezes superiores em 2024; isto prejudica significativamente a competitividade das empresas europeias“, lê-se no mais recente barómetro da BusinessEurope.

O inquérito alerta não só para os níveis elevados de preços, mas também para uma “crescente volatilidade” dos mesmos, e refere a energia como “uma grande preocupação” para as empresas europeias. Aliás, questões relacionadas com a energia são mesmo a segunda maior preocupação para as empresas deste lado do oceano, sendo que a carga regulamentar continua a ser o grande obstáculo ao investimento, seguindo-se os elevados preços da energia e a disponibilidade de mão-de-obra.

O barómetro da BusinessEurope faz a avaliação anual da competitividade europeia com base no feedback dos seus membros, sendo esta a maior confederação empresarial europeia, da qual a CIP — Confederação Empresarial de Portugal faz parte.

De acordo com a Comissão Europeia, em 2023, os custos de energia variavam entre 1% e 3% dos custos totais de produção para a empresa europeia média, subindo para 5% a 10% ou mais em setores intensivos em energia, atingindo até 38% em casos específicos, como o do alumínio. Em 2024, os preços da eletricidade industrial atingiram os 0,199 euros por quilowatt-hora (kWh) na UE, em comparação com 0,082 euros na China e 0,075 euros nos Estados Unidos.

Preços de retalho da eletricidade para a indústria, excluindo impostos e taxas reembolsáveis (em euros por MWh)

Durante o mesmo período, os preços do gás natural nos principais centros de negociação europeus — como os da Bélgica, Reino Unido e Países Baixos — foram cerca de 4,8 vezes mais caros do que no Henry Hub americano. Após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a queda acentuada do gás de gasoduto russo foi substituída por um aumento nas importações de GNL, que passaram de 20% do total das importações de gás em 2021 para quase 50% em 2024.

“Ao contrário do gás de gasoduto, o GNL é mais caro e inerentemente mais volátil”, sublinha o documento, assinalando que este tem um papel duplo no sistema energético da UE: tem um uso industrial direto, representando cerca de 20% da produção de eletricidade. Em paralelo, as centrais elétricas a gás definem frequentemente o preço marginal da eletricidade grossista, pelo que a volatilidade do gás impulsiona diretamente os preços grossistas da eletricidade.

Preços de retalho do gás natural para a indústria, excluindo taxas e impostos recuperáveis (em euros por MWh)

Os autores do inquérito lembram que o Relatório Draghi identificou que, embora o gás representasse apenas cerca de 20% do cabaz elétrico, definiu os preços grossistas cerca de 63% das vezes durante a crise de 2022, “expondo os consumidores a uma volatilidade desproporcional”.

Para finalizar, “este efeito é ampliado pela crescente dependência da Europa em relação à eletricidade, que representa cerca de um terço da utilização de energia na indústria, em comparação com aproximadamente 13% nos EUA”. Embora historicamente menos voláteis do que os mercados de gás dos EUA, os mercados de gás da UE registaram um aumento acentuado da volatilidade nos últimos anos, criando desafios significativos para as indústrias intensivas em energia e para o planeamento de investimentos a longo prazo.

“O quadro político para os contratos de energia a longo prazo precisa de ser melhorado e os custos globais do sistema, como os impostos sobre a energia e as tarifas de rede, devem ser ainda mais reduzidos”, defende-se, por fim, no documento. A somar, “o arsenal de medidas contra a fuga de carbono deve ser reforçado, e a futura reforma do regime de comércio de licenças de emissão da UE (CELE/EU ETS) deve ter melhor em conta a competitividade”, preservando simultaneamente a ambição ambiental. As energias renováveis a infraestrutura energética e as redes energéticas configuram, assim, uma das dez prioridades dos negócios para o ano de 2026, indica o inquérito do BusinessEurope.

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