Daniel Bessa sugere ao Governo o congelamento do preços dos combustíveis

"Custa-me ver alguém ganhar muito, quando está a sair do bolso e a penalizar a sério uma população inteira", diz o economista Daniel Bessa.

O economista Daniel Bessa defendeu, esta terça-feira, no Porto, que o Estado deveria congelar os preços dos combustíveis, “estabelecer um teto” para os preços não disparem na sequência do conflito iniciado por Israel e Estados Unidos contra o Irão e consequente resposta iraniana. Ainda assim, o antigo ministro da Economia crê que a medida deverá ser “difícil” de implementar uma vez que causará impacto na receita das “empresas distribuidoras de combustíveis”.

Admitindo que este é um “tema delicado”, “muito sério”, até porque “toca a empresas importantes, as de distribuição na área dos combustíveis”, Daniel Bessa manifestou preocupação com o impacto económico no bolso dos portugueses devido à subida do preço dos combustíveis.

“Custa-me ver os lucros de alguém explodirem quando 10 milhões de portugueses à sua volta sofrem” com o escalar dos preços, assinalou o antigo ministro da Economia do Governo de António Guterres ao ECO à margem da conferência anual da Associação Círculo de Estudos do Centralismo (ACEC), que decorre esta terça-feira, na Faculdade de Economia do Porto (FEP).

Custa-me ver alguém ganhar muito, quando está a sair do bolso e a penalizar a sério uma população inteira.”

Mas custa-me ver os lucros de alguém explodirem quando 10 milhões de portugueses à sua volta sofrem.

Daniel Bessa

Economista

Em declarações ao ECO, o economista salientou que “o Estado está a devolver uma parte do IVA e muito bem, faz o que pode”. “Mas eu talvez tomasse uma medida administrativa mais musculada sobre o controle de preços que interferisse por algum tempo nas margens de lucro dessas atividades”, sugeriu.

Daniel Bessa acredita que a situação vai agravar nos próximos tempos se a guerra continuar. “Temos duas semanas consecutivas de subida de preço e não acho que fique por aqui. E vai penalizar também os bens alimentares e por aí fora”, referindo-se ao aumento das taxas de juro no crédito à habitação e ao consumo. “Até o próprio Estado português vai pagar mais juros“, apontou.

Ainda assim, o economista considerou “inaceitável” se “uma intervenção administrativa do Estado sobre os preços, com o argumento de que seria temporária, se prolongasse no tempo”.

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