É o regresso do ‘Enfant Terrible’. Zara contrata John Galliano para parceria de dois anos
Parceria mostra uma aproximação entre alta moda e retalho de massa. Designer estava fora da indústria desde a saída da Maison Margiela.

John Galliano está de regresso à indústria da moda para uma parceria de dois anos com a Zara. É a sua primeira colaboração com o retalho de grande escala após a saída da Maison Margiela no final de 2024. O acordo prevê o lançamento de duas coleções por ano, com estreia já em setembro de 2026 (e emulando um movimento que já vimos em outras marcas de retalho acessível com designers de alta-costura, como é o caso de JW Anderson para a Uniqlo).
O designer, 65 anos, foi convidado a revisitar o arquivo da Zara e a trabalhar sobre peças anteriores, desconstrui-las e reconfigurá-las em novas propostas. Trata-se, segundo o The New York Times e a Vogue, de uma reinterpretação criativa de stock existente, combinando escala industrial com processos mais próximos da lógica de atelier. De acordo com o comunicado da empresa, trata-se de “reautorizar” o legado da marca.
Para a Zara, detida pela Inditex, a parceria reforça a estratégia de elevar o posicionamento da marca e afastá-la de operadores de fast fashion como a Shein. A empresa tem vindo a estreitar a sua ligação à moda de autor e à cultura visual, com colaborações com nomes como Narciso Rodriguez, Stefano Pilati ou campanhas com Steven Meisel, como refere o jornal espanhol La Vanguardia.
A colaboração, conhecida esta terça-feira, reflete também a ligação entre Galliano, nascido em Gibraltar e educado em Londres, e Marta Ortega Pérez, presidente da Inditex, com quem o designer desenvolveu uma relação através da fundação cultural MOP, onde a presidente da Inditex apresenta exposições de fotógrafos e moda.
John Galliano, natural de Gibraltar e educado em Londres, foi um dos primeiros designers britânicos a assumir a direção criativa de históricas casas francesas, como a Dior, em 1996. Ganhou sem esforço a alcunha de enfant terrible graças às suas peças polémicas – mas icónicas – como a SaddleBag e controvérsias como a que aconteceu à porta de um bar em Paris quando, em 2011, proferiu comentários antissemitas.
Na sequência destes eventos, foi condenado por discurso de ódio e afastado da Dior. Após um período de afastamento, voltou para dirigir a Maison Margiela, onde trabalhou mais de uma década. Após dois anos de afastamento, em janeiro assistiu ao desfile de estreia de Jonathan Anderson para a Dior (depois de ter sido um dos primeiros a quem o designer irlandês mostrou o que estava a desenvolver).

A nova linha deverá chegar às lojas em setembro e não foram divulgados preços ou o nome da coleção. Galliano, que falou à Vogue, também não quer desvendar muito. “É informada pela forma e proporção sem cair em nenhuma categoria. Pode dizer-se com segurança que está para lá de género e para lá de temporadas”.
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