Multimilionário canadiano compra 27% do The Economist

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Após uma década sem grandes mudanças na propriedade do grupo detentor do jornal The Economist, está a ser finalizada a compra da parte que pertence à filantropista Lynn Forester de Rothschild.

O bilionário canadiano Stephen Smith vai comprar mais de 25% do The Economist Group, detentor do jornal económico do mesmo nome, à filantropista britânica Lynn Forester de Rothschild.

De acordo com a notícia avançada pelo Financial Times, a holding familiar de Smith, a Smith Financial, irá adquirir uma participação de 26,9% no grupo a Forester de Rothschild, à sua família e à sua fundação familiar. A investidora britânica procurava desde o final do ano passado vender esta participação, tendo contratado a empresa de consultoria Lazard para mediar o processo. Esta venda atraiu pelo menos uma dúzia de interessados, entre particulares e empresas de comunicação social.

Este investimento reflete o total apoio do Sr. Smith à longa tradição de rigorosa independência editorial do The Economist e fará com que a estratégia e as operações do TheEconomist continuem inalteradas”, afirmou a Smith Financial num comunicado.

O The Economist confirmou o acordo sobre a venda. A mesma permanece sujeita à aprovação dos trustees e do conselho de administração. Os termos do negócio não foram revelados. No entanto, segundo a Axios, estima-se que a participação agora vendida estivesse avaliada em até 400 milhões de libras (cerca de 463 milhões de euros).

Esta é a primeira mudança na propriedade do grupo numa década. Em 2015, a Pearson, editora britânica de manuais escolares, vendeu a maior parte da sua participação de 50% na empresa à Exor, o grupo controlador da abastada família italiana Agnelli, por 469 milhões de libras (cerca de 543 milhões de euros). A Exor é quem possui a maior participação do grupo — 43,4% –, incluindo a totalidade das suas ações especiais de classe “B”.

A aquisição da participação marca o primeiro grande investimento de Smith na comunicação social. A maioria dos seus negócios é no setor financeiro, sendo coproprietário da Canada Guaranty Mortgage Insurance e cofundador da First National Financial — tendo vendido cerca de dois terços da sua participação de 37,4% no ano passado.

A participação que Smith compra no jornal inclui ações ordinárias e ações especiais “A”, que lhe darão direito a uma palavra na nomeação dos diretores do conselho de administração.

O grupo possui uma estrutura de propriedade com quase 1.000 acionistas, que variam de holdings familiares a atuais e antigos colegas e respetivas famílias. Além da Exor e de agora Smith, outro grande acionista é o próprio grupo, que detém cerca de 30% das suas ações, nota o The Guardian.

Existem também ações detidas por trustees, cujo consentimento é necessário para certas atividades corporativas, de forma a proteger a independência editorial do The Economist. Por exemplo, são eles que aprovam a escolha do editor do jornal.

Este grupo de trustees são separados e independentes do conselho de administração e dos acionistas. O seu principal papel é garantir a independência contínua da propriedade da empresa e a independência editorial do jornalismo, enquanto o papel do Conselho de Administração tem o papel de supervisionar o sucesso a longo prazo do Grupo.

Nenhum acionista individual, ou grupo de acionistas a agir em concertação, tem direito a exercer votos que representem mais de 20% do total de direitos de voto, bloqueando efetivamente qualquer esforço para obter o controlo maioritário. Os estatutos estipulam também que nenhum indivíduo ou empresa pode deter ou controlar mais de 50% do seu capital social total.

O The Economist Group alcançou receitas de 368,5 milhões de libras em 2025, face aos 359,5 milhões de libras do ano anterior. O lucro operacional subiu ligeiramente para 48,1 milhões de libras e as assinaturas aumentaram 3%, para 1,3 milhões.

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