Nvidia quer ‘chips’ no espaço e um bilião em receitas até 2027 com o patrocínio da IA
Jensen Huang, CEO da Nvidia, apresentou muitas novidades no evento anual da fabricante de placas gráficas para inteligência artificial. E previu um bilião de dólares em receitas até final de 2027.
- O CEO da Nvidia anunciou uma previsão de receitas de um bilião de dólares até 2027, superando as expectativas dos analistas.
- Os investidores têm questionado a sustentabilidade do crescimento da Nvidia, que já previa 500 mil milhões em receitas até o final deste ano.
- A empresa revelou inovações, como chips de IA para centros de dados no espaço e uma parceria com a Uber para transporte em carros autónomos.
A conferência anual da Nvidia ainda agora começou, mas já trouxe para a ribalta um número que faz encher o olho: um bilião de dólares (one trillion, como se diz em inglês).
Trata-se do volume de receitas que a fabricante de chips para inteligência artificial (IA) norte-americana espera arrecadar até ao final de 2027, disse esta segunda-feira o CEO da empresa, Jensen Huang, numa apresentação que durou cerca de duas horas e meia.
A previsão vai muito além das estimativas dos analistas, que apontam para receitas ligeiramente acima dos 800 mil milhões de dólares no mesmo período, segundo dados da LSEG Data & Analytics consultados pelo ECO. As ações da empresa fecharam na segunda-feira a subir 1,65%, para 183,22 dólares, mas chegaram a disparar quase 5% no decurso da apresentação.
Apesar da dimensão, o anúncio de Huang não representa uma aceleração significativa das expectativas de negócio da empresa: no passado, a Nvidia já tinha apontado para receitas de 500 mil milhões até ao final deste ano.
Nvidia confiante. Será que convence?
Ainda assim, estes valores indiciam que a Nvidia continua confiante de que a corrida à adoção de IA não vai abrandar, continuando a exigir volumes muito significativos de investimento em capacidade de computação. Esta ideia tem sido muito questionada pelos investidores ultimamente, que anseiam por resultados depois de três anos a custear pesados investimentos em data centers e servidores.
Por exemplo, só para o centro de dados da Start Campus em Sines, a Nvidia vendeu 12.600 processadores altamente avançados da gama Blackwell, num investimento de dez mil milhões de euros da britânica Nscale, para servir as necessidades de computação da Microsoft. Não há muitos anos, investimentos como este num país da dimensão de Portugal eram impensáveis.
“Acredito que a procura por computação cresceu um milhão de vezes nos últimos dois anos. É a sensação que eu tenho. É a sensação que qualquer startup tem”, afirmou o cofundador e CEO da Nvidia, citado pela Bloomberg.
Da IA espacial aos táxis autónomos
O certame da Nvidia trouxe montes de novidades, incluindo a confirmação de que a empresa está mesmo a desenhar um chip de IA para lançar centros de dados no espaço. A ideia de lançar centros de dados de IA na órbita da Terra tem sido especialmente propalada por Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX.
Outra novidade foi o anúncio de uma parceria com a Uber para lançar serviços de transporte em carros autónomos em mais 28 cidades na América do Norte, Europa, Austrália e Ásia. Um negócio dominado atualmente pela Waymo, do grupo Alphabet, principalmente em São Francisco, na Califórnia, onde está a decorrer a conferência.
A empresa introduziu também um novo chip, designado Groq 3, que classificou de “unidade de processamento de linguagem”. Será fabricado pela Samsung e deverá começar a chegar aos clientes no terceiro trimestre. Ainda nesta vertente, Huang anunciou planos para explorar mais aprofundadamente o segmento de negócio dos CPU — um piscar de olho à Intel.
A GTC 2026 (GPU Technology Conference) é a conferência anual da Nvidia. Este ano, decorre em San Jose, na Califórnia, EUA, até ao próximo dia 19 de março.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
Nvidia quer ‘chips’ no espaço e um bilião em receitas até 2027 com o patrocínio da IA
{{ noCommentsLabel }}