Trump vai ter “a honra de conquistar Cuba”. País sofre novo apagão nacional
Líder dos EUA mantém conversações de alto nível com responsáveis em Havana "uma tomada de controlo amigável" do país, que vai abrir o investimento a cubanos no exterior em resposta à crise económica.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que em breve terá “a honra de conquistar Cuba”. “Seria uma grande honra. Uma enorme honra”, disse Trump aos jornalistas na Sala Oval.
Trump tem afirmado repetidamente nas últimas semanas que a sua administração está a manter conversações de alto nível com responsáveis em Havana para levar a cabo “uma tomada de controlo amigável” do país.
“Seja para a sua libertação ou para o seu controlo – penso que posso fazer o que quiser com Cuba. (…) É uma nação muito enfraquecida neste momento”, apontou ainda Donald Trump.
Estas declarações em Washington surgiram num dia em que Cuba sofreu um apagão nacional, o sexto em cerca de um ano e meio, após uma falha que provocou a desconexão total do Sistema Elétrico Nacional.
O Ministério da Energia e Minas informou sobre esta desconexão numa mensagem nas redes sociais, sem adiantar a origem da falha, referindo que “estão a ser investigadas as causas e começam a ser ativados os protocolos para o restabelecimento”,
O país enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2024, uma situação agravada nos últimos três meses por restrições no fornecimento de petróleo associadas às sanções impostas pelos Estados Unidos, que têm afetado a atividade económica e aumentado o descontentamento social.
Com base em episódios anteriores, a reposição do sistema elétrico poderá demorar vários dias, uma vez que o processo implica iniciar a produção com fontes de arranque mais simples, como energia solar, hidroelétrica ou motores de geração, para abastecer pequenas áreas que são, depois, interligadas.
O objetivo é fornecer energia suficiente às centrais termoelétricas, principal base da produção elétrica no país, para poderem voltar a operar e gerar eletricidade em grande escala.
Segundo as autoridades, a situação atual é agravada pela escassez de diesel e fuelóleo para os motores de geração, o que pode dificultar o arranque do sistema. Na semana passada, um apagão massivo afetou cerca de seis milhões de cubanos.
Antes da falha registada esta segunda-feira, o Governo já previa cortes prolongados de eletricidade ao longo do dia, estimando que, no período de maior procura, cerca de 62% do país ficasse simultaneamente sem fornecimento.
Especialistas independentes indicam que a crise energética resulta de anos de desinvestimento no setor, agravados pelas sanções norte-americanas. As autoridades cubanas estimam que seriam necessários entre oito e 10 mil milhões de dólares para modernizar o sistema elétrico.
Abre investimento a cubanos no exterior em resposta à crise
Os cubanos que residem fora do país poderão investir na ilha, anunciou o ministro do Comércio Externo e do Investimento Estrangeiro, Oscar Perez-Oliva Fraga, numa entrevista à emissora norte-americana NBC.
“Cuba está disposta a manter uma relação comercial fluida com as empresas americanas”, bem como “com os cubanos residentes nos Estados Unidos e os seus descendentes”, declarou Perez-Oliva Fraga, que também é vice-primeiro-ministro. O ministro esclareceu que esses investidores poderão ter a sua própria empresa na ilha.
Este anúncio surge num momento em que Washington exerce pressão máxima sobre a ilha comunista, aplicando-lhe um bloqueio energético, além das sanções impostas no âmbito do embargo em vigor desde 1962.
Estes investimentos vão “além da esfera comercial”, precisou o ministro. O objetivo desta abertura, segundo o ministro, será, nomeadamente, relançar setores-chave da economia, como o turismo ou a mineração, bem como restaurar a rede elétrica obsoleta, que há vários anos sofre falhas recorrentes que provocam cortes de energia em massa.
Cuba, que atravessa a pior crise económica em mais de 30 anos, viu a situação agravar-se desde a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro, pelas forças americanas e com o fim do fornecimento de petróleo que Caracas enviava ao aliado.
Donald Trump ameaça igualmente com represálias qualquer país que envie petróleo para a ilha das Caraíbas. Esta situação obrigou o Governo cubano a tomar medidas de emergência, incluindo um racionamento na distribuição de gasolina que afeta gravemente todos os setores da economia.
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