Exportações de bens militares sobem 77% em três anos, mas continuam residuais

Exportações portuguesas de bens com utilização militar aumentaram mais de 70% no acumulado de três anos, mas peso continua a fixar-se abaixo de 1%. Estados Unidos continuam a ser o principal destino.

As exportações portuguesas de bens com utilização militar subiram cerca de 77% entre 2022 e 2025, embora o seu peso no total das vendas ao exterior continue residual. A conclusão é do Banco de Portugal, que numa análise publicada esta quarta-feira assinala que os Estados Unidos continuam a representar o principal destino, com um peso de 41%.

Em 2024 e 2025, o peso do conjunto de bens considerado como tendo utilização militar no total das exportações de bens foi inferior a 1%, embora uma classificação mais lata destes bens, incluindo alguns bens dos setores automóvel e de vestuário e calçado, pudesse mais do que duplicar esse peso”, indica o Banco de Portugal, cuja análise abrange equipamento de proteção pessoal, veículos blindados e navios, drones, armas de fogo e componentes, e munições.

Ficam assim de fora, por exemplo, produtos do setor têxtil e do calçado que podem constituir-se como uniformes militares. Ainda assim, e num período em que os aliados da NATO se viram pressionados a envidar esforços para atingir a meta de aquisição e a Europa, na sequência da guerra na Ucrânia, preparou um pacote de defesa, apesar do peso reduzido das exportações de bens com utilização militar, o seu crescimento tem sido superior ao total, especialmente após 2022. No acumulado, entre 2022 e 2025, ascendeu a 77%, com o ano passado a registar a maior subida: 21%.

Porém, e apesar de um dos objetivos da Comissão Europeia passar por um aumento das exportações deste bens intra-UE, não se verifica para já uma alteração no perfil dos destinos. Os EUA apresentam-se como o principal destino, com um peso de 41%, na média do período entre 2021 e 2025, seguidos pela Bélgica e França com pesos médios de 14%. O principal destaque vai contudo para a Ucrânia, cujas exportações subiram 5% neste período, pesando já 12% em 2025.

Fonte: Banco de Portugal

A análise do Banco de Portugal permite verificar que, em termos do tipo de bens com utilização militar, a principal fatia correspondeu “a armas de fogo e às suas componentes, com um peso ligeiramente abaixo de metade do total, seguido do equipamento de proteção pessoal, representando aproximadamente um terço do total”.

Contudo, o regulador destaca o crescimento “muito rápido” das exportações de drones, que eram inexistentes em 2021 e passaram a representar 18% e 21% do total das exportações de bens com utilização militar em 2024 e 2025, respetivamente. Entre os exemplos mais conhecidos está a Tekever, líder na área da vigilância autónoma, mas também a Beyond Vision, num mercado de produção em expansão em Portugal.

Exportações de drones eram inexistentes em 2021 e passaram a representar 18% e 21% do total das exportações de bens com utilização militar em 2024 e 2025.

Com esta expansão, “o número de empresas envolvidas nestas exportações tem registado um aumento nos últimos anos, após uma redução marcada no período 2015–2016″, sendo que cerca de um terço apresenta uma participação de capital estrangeiro superior a 10% do capital total.

A análise do Banco de Portugal revela, no entanto, dependência dos mercados para os quais vendem. “O peso das exportações das empresas identificadas no período 2014–2025 que exportam os mesmos bens com utilização militar e para os mesmos mercados de destino (margem intensiva), mesmo que com hiatos temporais, é superior a 90%“, pode ler-se no documento.

Ainda assim, as exportações destes bens por parte de novas empresas ou de empresas já existentes, mas com vendas para novos mercados ou de novos produtos (margem extensiva), “ganhou relevância no período 2022–2025”. Contudo, e ao mesmo tempo, “estes bens não são dominantes no portefólio de exportações da maior parte das empresas identificadas”, embora tenham ganho “peso no valor total das exportações no período mais recente”.

O Banco de Portugal alerta, contudo, para a dificuldade em apurar com precisão os valores comerciados correspondentes a material militar, dada a utilização muitas vezes dual do mesmo.

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