Lares de idosos estão mais caros, lotados e já ocupados por estrangeiros. Quarto individual custa 1.921 euros por mês

Os preços nas residências sénior continuam a subir em Portugal, pressionados pela escassez de vagas e procura elevada. Um quarto individual custa 1.921 euros por mês e 70% das unidades estão lotadas.

Os preços nas residências sénior em Portugal têm vindo a aumentar ano após ano, com um quarto individual a custar em média 1.921 euros por mês e um quarto duplo 1.717 euros. No total, 84,5% das instituições confirmam ter aumentado o valor mensal cobrado aos utentes, de acordo com o inquérito realizado pela Via Sénior e pela BA&N Research Unit.

Contas feitas, em 2025 um quarto duplo apresentava um valor médio ponderado de 1.717 euros, mais de 200 euros acima dos 1.500 euros registados no ano anterior. Já um quarto individual atinge um valor médio ponderado de 1.921 euros, quando em 2024 custava 1.675 euros, uma diferença de quase 250 euros.

O 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, divulgado esta quarta-feira, mostra que “a pressão sobre a rede agrava os preços praticados“, numa altura em que “70% das unidades estão totalmente ocupadas”. O inquérito indica ainda que apenas 8% das residências dizem ter alguma disponibilidade, quando no ano anterior esse valor era de 11%”.

Segundo o estudo, que pretende traçar um retrato do setor, que abrange 2.700 infraestruturas que representam mais de 105 mil camas, a “escassez de vagas reflete-se igualmente na existência de listas de espera, com quase 70% das residências a indicar ter pessoas a aguardar pela colocação de um familiar, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses, enquanto em 29% varia entre dois e seis meses.

O inquérito revela também que os residentes permanecem períodos prolongados nas unidades, com cerca de 63% dos idosos a permanecerem entre um e cinco anos nas residências, enquanto 33,6% ficam entre cinco e dez anos, reduzindo a rotatividade das vagas disponíveis.

Em termos de perfil etário, a maioria dos residentes encontra-se em idades muito avançadas. Mais de metade (52,7%) dos utentes têm entre 86 e 90 anos, enquanto cerca de 30% têm entre 81 e 85 anos.

Apesar de a oferta ser insuficiente para responder à procura — com o consequente aumento generalizado dos preços — mais de um terço das unidades já reporta a existência de utentes de outras nacionalidades, embora estes representem apenas 4,4% do total de utentes das residências participantes no inquérito.

No Relatório Global de Reforma 2025, Portugal surge em primeiro lugar como o país que oferece melhor qualidade aliada a um menor custo de vida. “Este indicador confirma a perceção de que era cada vez mais frequente encontrar cidadãos de outras nacionalidades nas residências sénior em Portugal”, afirma o CEO da Via Sénior. “São pessoas com uma capacidade financeira acima da média portuguesa e que olham para o mercado português como um destino de eleição”, conclui Nuno Saraiva da Ponte, citado em comunicado.

Este indicador confirma a perceção de que era cada vez mais frequente encontrar cidadãos de outras nacionalidades nas residências sénior em Portugal. São pessoas com uma capacidade financeira acima da média portuguesa e que olham para o mercado português como um destino de eleição.

Nuno Saraiva da Ponte

CEO da Via Sénior

O estudo lembra ainda que “a população europeia continua a envelhecer a um ritmo acelerado”, destacando que, segundo os dados do Eurostat, em 2025 mais de um quinto da população europeia (22%) tinham 65 anos ou mais, com Portugal a ocupar o segundo lugar no ranking de países com a população mais envelhecida da União Europeia, com 24,3% a ter mais de 65 anos, apenas atrás de Itália que lidera com 24,75%.

O Retrato das Residências Sénior em Portugal foi realizado através de um inquérito online, realizado entre 1 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026. O estudo considera um universo de cerca de 2.700 residências sénior que, no total, são responsáveis por mais de 105 mil camas, representativas de cerca de 45% das camas privadas em Portugal.

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