Lucro dos CTT cresce mais de 11% e supera 50 milhões em 2025

Empresa fechou o ano passado com receitas próximas dos 1.300 milhões de euros, mas os custos operacionais também ultrapassaram os 1.000 milhões. O resultado líquido foi de 50,7 milhões.

Os CTT lucraram 50,7 milhões de euros em 2025. O resultado líquido da empresa subiu 11,4% face ao ano anterior, num exercício marcado pela compra da Cacesa e pelo desenvolvimento de uma parceria com a DHL no mercado da Península Ibérica. O comércio eletrónico voltou a ser a grande alavanca de crescimento do grupo, em contraponto com a queda de 8,6% no volume de correio endereçado.

No total do ano, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) melhorou 23,8%, para 198,4 milhões de euros. Para esta evolução, foi determinante o facto de as receitas do grupo terem atingido um recorde de 1.288,1 milhões de euros, mais 16,3% do que ano anterior.

O grupo CTT justifica o aumento nos lucros com o crescimento do lucro operacional recorrente, que foi de mais 30 milhões em relação ao ano anterior, segundo o relatório financeiro publicado esta quarta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“Este crescimento foi parcialmente atenuado por itens específicos mais elevados, sobretudo devido a maior investimento na reestruturação do negócio, incluindo em acordos de suspensão de contratos de trabalho, aumento dos gastos financeiros e evolução do imposto sobre o rendimento do período (-8,7 milhões), maioritariamente, devido à redução do ativo por impostos diferidos na sequência da redução das taxas de IRC”, lê-se no documento.

Neste contexto, o comércio eletrónico foi, de longe, a joia da coroa. Praticamente metade do montante das receitas resultou das soluções de comércio eletrónico, cujos rendimentos aumentaram 33,7% e atingiram 626,3 milhões, à boleia do maior tráfego e da subida da receita média por objeto transacionado e da entrada da Cacesa, uma empresa espanhola especializada no desalfandegamento de encomendas.

No Correio e Serviços, apesar de mais uma quebra no tráfego postal, os rendimentos foram de 516,4 milhões de euros, mais 1,5% do que em 2024. “O crescimento neste segmento foi impulsionado pela recuperação da colocação de dívida pública para níveis normais, pelo crescimento contínuo das soluções empresariais e pela expansão do fulfillment, que mais do que compensaram a diminuição das receitas do correio”, explica a empresa. Para referência, esse recuo daquele que já foi o principal negócio do grupo foi de 2,6%, tendo rendido 382,9 milhões.

Apesar do aumento das receitas para quase 1.300 milhões de euros, os gastos operacionais dos CTT também se agravaram de forma expressiva, na ordem dos 15%, para 1.089,7 milhões. A rubrica de fornecimento e serviços externos disparou 24,7%, para 619,4 milhões de euros, enquanto os gastos com pessoal aumentaram 3,5%, para 419,6 milhões.

Banco CTT melhora margem financeira e recebe mais comissões

Para os rendimentos totais do grupo CTT, o Banco CTT contribuiu com 145,4 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 11,9% em 2025. A empresa justifica o crescimento com o incremento de 5,1% da margem financeira, para cinco milhões de euros, e o aumento das comissões cobradas aos clientes, de 15,8%, para 4,7 milhões.

A 31 de dezembro de 2025, o número de contas à ordem no Banco CTT era de 707 mil, mais 25,7 mil comparativamente a 2024. O volume de negócios do Banco CTT, cujo futuro no grupo postal está em análise, aumentou 12%, em termos homólogos, 7,9 mil milhões de euros. A faturação cresceu em 2025, essencialmente, devido aos depósitos, que se situaram em 4.334,5 milhões de euros, e o crédito automóvel.

No crédito para a compra de carro, os juros recebidos aumentaram 10% e atingiram 67,3 milhões de euros. Mas, no crédito à habitação, os juros recebidos pelo banco deslizaram 9,5%, para 27,9 milhões, fruto da tendência de descida das taxas Euribor.

A empresa marcou também, em outro comunicado, a assembleia geral para 30 de abril para a discussão e votação de oito pontos, entre os quais uma autorização para aumentar o capital social dos CTT “uma ou mais vezes, pelo prazo de 5 anos, mediante a emissão de novas ações”.

Os CTT estão a finalizar um ciclo com a saída do seu CEO, João Bento, em abril. A liderança passará a ser ocupada por Guy Pacheco, atual administrador com o pelouro financeiro.

 

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