Marca CP vai manter-se mesmo com subconcessões. Pinto Luz garante lucro em 2025
Miguel Pinto Luz afirmou que o modelo de subconcessão ainda não está fechado, mas a CP "irá continuar a operar em todo o país". Empresa terá lucros em 2025, assegurou o governante.
A marca CP irá manter-se nas subconcessões a privados que vierem a ser decididas, assegurou esta quarta-feira o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, no Parlamento. O governante assegurou também que a empresa vai ter lucros em 2025.
O Governo mandatou a CP para estudar a subconcessão a privados em quatro linhas suburbanas (Cascais, Sintra/Azambuja, Barreiro/Praias do Sado e Porto), um dos temas que dominou a audição do ministro. Respondendo às críticas dos partidos da oposição, Miguel Pinto Luz garantiu que a marca da empresa de comboios irá manter-se. “É a CP que vai operar em todo o país, que isso fique muito claro. Não é como a Fertagus”, afirmou.
O ministro das Infraestruturas deu como exemplo a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), que subconcessiona a operação. “Sabe quantos autocarros tem a TML? Zero”, disse Pinto Luz em resposta à deputada do PCP, que criticou a opção do Governo. O ministro deu ainda o exemplo do Metro do Porto, subconcessionado à ViaPorto, do Grupo Barraqueiro.
A deputada não ficou satisfeita e na segunda ronda questionou o ministro sobre se será a CP a adquirir o material circulante que será usado pelos privados e se haverá postos de trabalho transferidos para a concessionária ou serão extintos. “Os comboios são da CP e os lucros são do privado?”, desafiou.
Críticas semelhantes foram apontadas por outros partidos. “Conhece algum privado com um índice de custo por quilómetro melhor que a CP, com disponibilidade melhor que a CP? Se o problema não é da CP e dos trabalhadores da CP porque vai entregar a concessão a uma empresa francesa”, questionou o deputado José Carlos Barbosa, numa referência ao interesse da Transdev.
O Conselho de Ministro de dia 22 de janeiro mandatou a CP para estudar cenários de subconcessão de linhas suburbanas, num prazo de 90 dias, encontrando-se o processo ainda na esfera da empresa. Neste âmbito, a CP encomendou um relatório à Deloitte, como noticiou o Público, tendo a consultora questionado o Grupo Barraqueiro e a Transdev sobre qual o modelo que preferiam.
“Porque este contrato não é público? Quanto custou este contrato? Porque a Deloitte só consultou a Barraqueiro e a Transdev?”, questionou José Carlos Barbosa.
“Não lhe admito que faça aqui juízo de valor de que vou entregar a A ou B. É a minha seriedade e a minha honra que está em causa e aquilo que está a invocar, que dei ordens para adjudicar a este ou àquele, não é aqui que vou responder”, disse Miguel Pinto Luz. Acusou ainda o deputado socialista de se “esconder atrás dos vídeos” para as redes sociais e desafiou-o a fazer um com as insinuações deixadas, prometendo agir em “defesa do bom nome”.
A secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, confirmou o contrato com a consultora, feito “seguindo as regras da contratação pública”. “Quem ganhou foi a Deloitte, que faz a metodologia que entender. Não nos compete dizer como os consultores têm de fazer as suas metodologias de trabalho”, acrescentou.
A governante também defendeu as subconcessões, considerando que o futuro da empresa passa por ser uma “gestora de contratos sem perder um hub de rede”.
“CP vai dar lucro”
Miguel Pinto Luz garantiu ainda aos deputados que a empresa vai ter resultados positivos em 2025. “A CP vai dar lucro. Não vai dar um, dois, três ou quatro milhões. Vai dar mais”, afirmou. “É uma empresa histórica que tem de ser empoderada e acarinhada. É o antípoda do que temos visto alguns deputados fazerem”, atirou o governante.
Na intervenção inicial, o ministro afirmou que a empresa de comboios transportou 208 milhões de passageiros no ano passado, um novo recorde. Sobre o Passe Ferroviário Verde, disse que teve “mais
de 66.000 utilizadores no mês de janeiro”, embora durante a audição tenha reconhecido a necessidade de “melhorias”. “O problema de base só será resolvido com mais material circulante”, disse.
Os deputados questionaram também o governante sobre a deficiente qualidade do serviço da Fertagus na linha ferroviária que liga as duas margens do Tejo pela Ponte 25 de Abril, que levou já a comissão de utentes a apresentar uma queixa junto da Comissão Europeia devido às más condições de transporte, com sobrelotação dos comboios.
Na intervenção inicial, Miguel Pinto Luz afirmou que “foi recebido em fevereiro último, o pedido formal de 5 carruagens [pela Fertagus], estando já o governo em conjunto com a Sagesecur a trabalhar no sentido de dar uma resposta rápida à necessidade identificada”.
(Notícia atualizada às 14h40)
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