Nos em consórcio de defesa europeu de 4 milhões para apoiar desempenho de pilotos
O projeto Neuroquad, que combina neurotecnologia, inteligência artificial (IA) e computação quântica, é financiado em cerca de quatro milhões pelo Fundo Europeu de Defesa (FED).
A Nos Inovação integra um consórcio europeu que visa desenvolver soluções para monitorizar e prever, em tempo real, os estados cognitivos e a prontidão de pilotos militares. O projeto Neuroquad, que combina neurotecnologia, inteligência artificial (IA) e computação quântica, é financiado em cerca de quatro milhões pelo Fundo Europeu de Defesa (FED).
“O Neuroquad é um consórcio de um projeto de investigação europeu com participações de vários países e empresas ligadas à tecnologia e ligadas ao tema de segurança em aviação militar, em particular”, começa por explicar João Ferreira, diretor da Nos Inovação, ao ECO/eRadar. “Fomos convidados a entrar neste projeto europeu que procura desenvolver tecnologias ou uma solução para ajudar pilotos de aviação, com a ênfase mais militar, em tempo real, sob situações de pressão e de stress, a melhor passarem por esses momentos”, refere.
Liderado pela Multiverse Computing SAS, integrando além da Nos Inovação, a Universidade Politécnica de Madrid, as tecnológicas europeias G.TEC, Oesia e Zabala, o Centro de Medicina Aeroespacial da Força Aérea Alemã, e a Força Aérea Espanhola, o projeto tem um custo estimado de 3,938,942.86 euros sendo totalmente financiado pelo Fundo Europeu de Defesa (call de 2024), e envolve três grandes áreas de investigação: a neurotecnologia, a IA e a computação quântica.
O objetivo é desenvolver um sistema que, através da monitorização em tempo real dos sinais vitais de um piloto — ondas cerebrais, movimento dos olhos ou batimentos cardíacos — consiga “identificar padrões que sejam mais relevantes para extrair informação da situação em que o piloto está, e depois interagir com os sistemas dos aviões, seja por adaptação instantânea de controlo, do user interface do que o piloto está a ver, para aquilo que é importante para aquela situação [ajudando a] reagir da melhor maneira”, explica João Ferreira. Ou seja, das múltiplas informações e instrumentos disponíveis, focar naquelas mais úteis para o piloto na situação concreta.

Uma solução que pode ter um uso dual, acredita o diretor da Nos Inovação. “O conceito pode ser aplicado num domínio mais de defesa e de aviação, mas depois também utilizado em sistemas mission critical de outras indústrias ou no tema da medicina”, diz. De resto, essa ‘diversidade’ de usos é “critério na seleção” de concursos em que a empresa participa.
Dos concertos, às abelhas e aos deepfakes sonoros
A empresa já vinha a desenvolver trabalho de investigação e desenvolvimento em áreas como neurotecnologia e IA e a ligação entre dados com user interfaces em tempo real.
“Na Nos já tínhamos tido algum trabalho na adaptação de tecnologia para monitorização e ação de sinais humanos, portanto mais nessa parte da neurociência. Tivemos também trabalho do ponto de vista da IA e como a IA vai ser usada nesses processadores quânticos, e agora é como é que se consegue pôr isto a funcionar”, aponta.
Por exemplo, nos festivais de verão como o Nos Alive, através de um telemóvel eram captados sons, sendo usada IA para analisar o som em tempo real e determinar quais os pontos mais altos do espetáculo (o “Entusiasmómetro”) para os participantes; mas não só. Essa mesma solução de IA de leitura de som foi aplicada numa outra solução, o AI-belha.
Esta recorre à analítica de som para detetar a presença da abelha rainha e avaliar a saúde e comportamento das colmeias. Na prática, os apicultores usam o smartphone 5G junto da colmeia para a recolha do som emitido pelas abelhas, sendo o áudio enviado, em tempo real, para um servidor na cloud, onde, através de IA, é analisado, detetando-se a presença ou ausência da abelha-rainha, bem como outros padrões de som que indiciem sinais negativos na saúde da colmeia.
“Há alguma sequência de esforços direcionados do ponto de vista de investigação e de know-how que depois nos dão o right to play [direito de entrada] em algumas destas iniciativas”, reconhece João Ferreira. O diretor da NosInovação dá outro exemplo.
“Tivemos alguns trabalhos de investigação sobre vozes falsas em chamadas telefónicas ou nas notícias, sobre como é que se consegue fazer algoritmos para gerarem essas vozes ou identificar essas vozes em tempo real, aplicar computação quantum para alguns desses algoritmos e até onde os algoritmos conseguem identificar essas vozes sintéticas”, descreve. Ou seja, um misto de IA e neurotecnologia.
Com duração de 36 meses, “o projeto está a arrancar agora”. “Há de ter uma fase de simulação, portanto, como é que alguns destes algoritmos conseguem ser passados para ambiente simulador ou simulador de processamento mais quântico. O objetivo é ter resultados práticos entre o segundo e o terceiro ano, mais ou menos. São tecnologias todas muito recentes e da sua combinação ainda mais difícil é.”
Durante este projeto, em média três trabalhadores da Nos Inovação estarão envolvidos no Neuroquad. A Nos Inovação tem cerca de 150 pessoas.
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