“O meu futuro está em aberto”, diz Mário Centeno
Centeno defende que “o país precisa de que, quem quiser ser líder, mostre serviço e preparação. E isso quase nunca acontece". Banco de Portugal vai pagar-lhe uma pensão mensal de dez mil euros brutos.
Mário Centeno vai para a reforma antecipada, tal como o ECO avançou em primeira mão, mas insiste que o seu “futuro está em aberto”. Esta abertura está ligada à forma como encara a própria aposentação. “Longe de representar um ganho financeiro”, diz o ex-governador do Banco de Portugal em declarações ao Diário de Notícias (acesso pago), foi antes uma “decisão consciente de liberdade”, lembrando, aliás, que fez uma escolha semelhante quando entrou no Governo de António Costa, para assumir o cargo de ministro das Finanças.
É essa liberdade que agora pretende usar plenamente. “Para tudo. Porque, para mim, a liberdade é o mais importante. E vou assumi-la em pleno”, afirma, acrescentando que quer “tentar contribuir” para si, para os seus e “para aquilo que for relevante”. No plano político, evita partidarizar a discussão, preferindo recentrá-la no país: “Antes de tudo o mais, o que acho mesmo é que o país precisa de pensar. Neste momento, ninguém pensa genuinamente. Reagimos a estímulos”.
Centeno defende que “o país precisa de que, quem quiser ser líder, mostre serviço e preparação. E isso quase nunca acontece”. “Devíamos exigir que apresentem ideias sustentadas”, acrescenta, em declarações feitas a partir de Miami onde está a dar aulas durante três semanas. “O que as pessoas estão verdadeiramente cansadas é de não haver essa preparação, de não verem a demonstração de que aquilo que se diz tem substância”, diz ainda. Já no plano económico, considera que “o país ganhou capacidade de atuação muito significativa nos últimos dez, 15 anos”. “E isso é bom. Não tinha”, disse, alertando que essa evolução “não chega, porque esgota-se”.
O Banco de Portugal (BdP) vai pagar a Mário Centeno uma pensão de reforma de cerca de dez mil euros brutos por mês, revela o Correio da Manhã (acesso pago). Este valor é, segundo fonte próxima do antigo ministro das Finanças, ligeiramente inferior ao montante da pensão a que teria direito se continuasse no banco central, no qual poderia continuar a trabalhar até aos 70 anos de idade. O valor da pensão é também inferior ao salário de 15 mil euros brutos que auferia como consultor do conselho de administração do BdP. A pensão do ex-governador foi calculada como se tivesse 60 anos de idade, com vista a permitir a sua saída imediata do Banco de Portugal, e será paga pelo fundo de pensões do supervisor.
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