Portugal paga mais para emitir 2,1 mil milhões em dívida a 6 e 12 meses

O instituto que gere a dívida pública portuguesa regressou ao mercado num duplo leilão de linhas de bilhetes do tesouro, numa operação que contou com uma forte procura.

Portugal emitiu esta quarta-feira 2,11 mil milhões de euros em títulos com maturidade a seis e a 12 meses, numa operação que saiu com taxas mais elevadas, mas que contou com uma forte procura dos investidores. O valor colocado ficou acima do montante indicado para a operação, entre 1.750 e 2.000 milhões de euros.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP colocou 690 milhões de euros na linha com maturidade em 19 de março de 2027, com uma yield de 2,307%. A taxa paga fica acima dos 2,026% na operação comparável, realizada em meados de janeiro, antes do início da guerra no Irão, que acelerou um agravamento das taxas de juro.

Na maturidade a seis meses (BT18Set2026), o Tesouro português emitiu 1.420 milhões de euros, com uma taxa de 2,141%. Para esta maturidade não há valores comparáveis este ano, uma vez que é a primeira vez que o tesouro se financia em 2026 em títulos com prazo de seis meses.

Em termos de procura, a linha a seis meses foi a que suscitou mais interesse, com a procura a quase triplicar a oferta (2,81 vezes o montante emitido), enquanto na maturidade de 12 meses, a procura foi de 1,57 vezes a oferta.

Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, nota que “em ambos os prazos, registou-se uma subida das taxas de juro”, uma operação realizada “num contexto de incerteza política e geopolítica“.

“O agravamento do conflito no Irão tem contribuído para a subida dos preços do petróleo, levando à revisão em alta das perspetivas de inflação“, um enquadramento que “poderá obrigar os bancos centrais a manter uma postura mais restritiva, ou até a voltar a subir as taxas de juro ao longo do ano”, acrescenta Filipe Silva, num comentário ao leilão de BT realizado esta quarta-feira.

As yields da dívida soberana e da dívida empresarial têm vindo a subir, tanto nos prazos curtos como nos longos, devendo continuar a ajustar-se em função da evolução do conflito e das perspetivas futuras para a inflação.

Filipe Silva

Diretor de investimentos do Banco Carregosa

Segundo explica, “em consequência, as yields da dívida soberana e da dívida empresarial têm vindo a subir, tanto nos prazos curtos como nos longos, devendo continuar a ajustar-se em função da evolução do conflito e das perspetivas futuras para a inflação.”

Esta é a segunda operação realizada pelo IGCP desde que estalou a guerra no Irão, com impacto nos custos de financiamento do país. Na semana passada, a República Portuguesa pagou mais de 3% para se financiar em dívida de longo prazo.

(Notícia atualizada às 11:20)

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