Sete em cada dez consideram seguro de saúde parte importante do pacote salarial
Estudo indica que seguro de saúde é um benefício muito valorizado pelos trabalhadores, mas ainda tem adoção limitada. Mostra também que mais de metade tem subsídio de refeição.
A maioria dos trabalhadores em Portugal já considera o seguro de saúde uma parte importante do pacote de compensação disponibilizado pelo empregador, dando especial valor à cobertura oferecida e à facilidade dos reembolsos e pagamentos. O retrato é traçado na edição deste ano de “O estado da compensação“, estudo feito pela Coverflex (empresa de gestão de benefícios para colaboradores) com base nas respostas de cerca de 800 profissionais.
“Cerca de 73% da amostra considera o seguro de saúde um elemento importante no pacote de compensação”, lê-se na análise apresentada esta quarta-feira num evento em Lisboa.
Contudo, embora seja “claramente valorizado pelos trabalhadores”, este benefício continua a ter uma “adoção relativamente limitada“, destaca a Coverflex.

Em concreto, apenas 51,1% dos trabalhadores têm hoje acesso a seguro de saúde. Ainda assim, é de destacar que em 77,4% dos casos é totalmente pago pela empresa, enquanto somente 22,3% dos inquiridos suportam custos.
O estudo realça, por outro lado, que os trabalhadores valorizam a cobertura do seguro, seguindo-se a facilidade dos reembolsos e pagamentos, a possibilidade de inclusão de familiares e a ausência de franquia.

À parte dos seguros de saúde, “O estado da compensação” indica que 48% dos trabalhadores em Portugal estão insatisfeitos com o salário e 46,1% estão descontentes com o pacote de benefícios.
Sobre este último ponto, o estudo revela que a falta de poder de escolha é uma “grande fonte de insatisfação”, com quase um terço a mostrar desagrado quanto ao “grau de influência e ao envolvimento na hora de planear benefícios”.
“Percebe-se, assim, que o tecido empresarial deve caminhar para uma maior autonomia neste campo, oferecendo um leque de opções em vez de um pacote de benefícios ‘fixo’ e igual para todos“, salienta a Coverflex.
De notar, a título de exemplo, que embora 29,2% dos inquiridos desejem ter benefícios ligados a planos de poupança e reforma, só 13,8% têm este benefício, sendo este o que tem “maior discrepância” entre a vontade do talento e o que é disponibilizado pelo empregador.
Por outro lado, o estudo indica que 56,7% dos trabalhadores recebem subsídio de alimentação, mas apenas 31.3% em cartão refeição. Por lei, o limite até ao qual o subsídio de refeição está isento de IRS é superior se o pagamento for feito em cartão (10,2 euros por dia em cartão contra 6,15 euros em dinheiro).
Mulheres menos satisfeitas com compensação
O estudo apresentado esta segunda-feira revela também que, em média, os homens mostram-se “um pouco mais satisfeitos” com a compensação do que as mulheres, “o que reflete o facto de as mulheres ganharem menos”.
“A análise confirma que as mulheres reportam, em média, rendimentos inferiores aos homens, concentrando-se em escalões de rendimento mais baixos“, assinala a Coverflex, que deixa claro a equidade salarial “não é apenas uma questão de imagem ou credibilidade“, mas afeta também a satisfação e a retenção de talento.
“Bandas salariais transparentes e auditorias regulares são essenciais para reduzir a desigualdade e a injustiça percebida”, nota a empresa.
“Mais do que o valor do salário isoladamente, o que mais influencia a satisfação dos trabalhadores é a forma como o pacote de compensação é percebido no seu conjunto. Pacotes de benefícios mais completos e bem estruturados estão associados a maior bem-estar, maior satisfação com o trabalho, e uma maior vontade de permanecer na organização”, reforça ainda a Coverflex.
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