BCE deixa juros inalterados pela sexta vez seguida, agora com guerra como pano de fundo
O conflito no Médio Oriente, e especialmente o impacto nos preços da energia, obrigam o banco central liderado por Christine Lagarde a congelar os juros mais uma vez.
- O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro inalteradas pela sexta vez consecutiva, refletindo cautela devido ao conflito no Médio Oriente.
- As taxas de juro de referência permanecem nos 2% para a Facilidade Permanente de Depósito e 2,15% e 2,4% para refinanciamento e cedência de liquidez, respetivamente.
- A inflação na zona euro poderá subir para perto dos 4% no próximo ano, com implicações significativas para o crescimento económico e a estabilidade dos preços.
O Banco Central Europeu (BCE) manteve esta quinta-feira as taxas de juro na Zona Euro inalteradas pela sexta reunião consecutiva, em linha com as expectativas de investidores e analistas, numa altura em que a escalada do conflito no Médio Oriente leva as instituições monetárias a agir com cautela.
Desta forma, o banco central liderado por Christine Lagarde deixa a taxa de Facilidade Permanente de Depósito nos 2% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez mantêm-se nos 2,15% e 2,4%, respetivamente.
“O Conselho do BCE decidiu hoje manter inalteradas as três taxas de juro de referência do BCE”, informou, em comunicado. “O Conselho está determinado a garantir que a inflação se estabilize na meta de 2 % a médio prazo“.
Sublinhou que “a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas significativamente mais incertas, criando riscos de subida para a inflação e riscos de descida para o crescimento económico“, adiantando que isso “terá um impacto significativo na inflação a curto prazo, devido ao aumento dos preços da energia.
As implicações a médio prazo dependerão tanto da intensidade e da duração do conflito, como da forma como os preços da energia afetarem os preços no consumidor e a economia, explicou o BCE.
O Conselho do BCE indicou que está bem posicionado para lidar com esta incerteza. “A inflação tem-se mantido em torno da meta de 2 %, as expectativas de inflação a longo prazo estão bem ancoradas e a economia tem demonstrado resiliência nos últimos trimestres”.
No entanto, o banco central reviu em alta as projeções para a inflação e em baixa as do crescimento económico, e adiantou que irá apresentar ainda esta quinta-feira análise de cenários sobre de que forma a guerra no Médio Oriente poderia afetar estes indicadores.
Os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça transmitiram mensagens globalmente semelhantes no início do dia ou na quarta-feira.
Os mercados financeiros esperam agora que a inflação na zona euro suba para perto dos 4% ao longo do próximo ano, demorando depois anos a regressar à meta de 2% do BCE. Os traders estão a prever duas ou três subidas das taxas até dezembro, mesmo que a maioria dos economistas continue a não prever alterações, apostando que o BCE não toleraria outro pico de inflação impulsionado pela guerra, depois de ter sido afetado pela invasão da Ucrânia pela Rússia há quatro anos.
(Notícia atualizada às 13h32 com mais informação)
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