BCE vê inflação a disparar para 4,4% este ano num cenário severo de guerra no Médio Oriente

BCE construiu dois cenários alternativos para medir o potencial impacto da guerra no Médio Oriente. No pior dos casos, taxa de inflação pode escalar para os 4,4% este ano e 4,8% em 2027.

O Banco Central Europeu (BCE) projeta que se o conflito no Médio Oriente se agudizar o impacto para a economia poderá ser mais severo do que o esperado. No pior cenário, Frankfurt estima que a inflação na Zona Euro pode disparar até 4,4% este ano, aumentando para 4,8% em 2027, ao mesmo tempo que o crescimento recua para 0,4% e 0,9, respetivamente.

As projeções foram divulgadas esta quinta-feira, após a reunião do Conselho de Governadores que decidiu manter inalteradas as três taxas de juro diretoras. Em conferência de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, alertou que “a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas consideravelmente mais incertas, criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico”.

No cenário base, o staff do BCE cortou o crescimento económico esperado para este ano e o próximo e reviu em alta as projeções para a inflação, sobretudo para 2026. Deste modo, Frankfurt espera um crescimento económico, em média, de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028, e uma taxa de inflação de 2,6% em 2026, 2% em 2027 e 2,1% em 2028.

BCE construiu dois cenários alternativos – um adverso e um severo – de modo a projetar diferentes impactos da guerra no Médio Oriente consoante a sua duração e magnitude.

No entanto, dada a incerteza em torno da evolução do conflito, a instituição construiu dois cenários alternativos e hipotéticos, que diferem em termos das premissas sobre a magnitude e a persistência do choque nos preços da energia, o impacto no ambiente internacional e na incerteza, e a sua propagação através de efeitos indiretos e de segunda ordem sobre a inflação.

No cenário adverso, no qual existem efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes do que o cenário base, a taxa de inflação (medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, IHPC) sobe para 3,5% este ano, antes de se reduzir para 2,1% em 2027 e para 1,6% em 2028.

Ou seja, a inflação seria 0,9 ponto percentual e 0,1 ponto percentual maior em 2026 e 2027, respetivamente, ainda que 0,5 pontos menor em 2028 devido às pressões desinflacionárias decorrentes da rápida normalização dos preços da energia naquele ano. Paralelamente, neste cenário o crescimento económico da Zona Euro desacelera para 0,6% este ano, antes de recuperar para 1,2% em 2027.

Este cenário pressupõe um aumento muito mais acentuado nos preços da energia, bem como na incerteza e nos efeitos adversos internacionais, como por exemplo na redução da procura externa). Assume-se assim que os preços do petróleo e do gás atingem o o pico de 119 por barril e dólares e 87 euros por MWh, respectivamente, no segundo trimestre de 2026, antes de convergirem para as projeções de referência no terceiro trimestre de 2027.

No segundo cenário, que o BCE assume como severo, existe um choque de preços de energia mais forte e persistente, maior incerteza e efeitos indiretos e de segunda ordem ainda mais acentuados, que se traduzem por inflação significativamente e persistentemente mais alta ao longo do horizonte de projeção, disparando para acima de 4%. Deste modo, ao situar-se em 4,4% este ano e 4,8% em 2027, antes de descer para 2,8% em 2027, fixar-se-ia no dobro da meta do BCE.

A diferença significativa na inflação em 2028 entre o cenário adverso (1,6%) e o cenário severo (2,8%) revela “o papel fundamental da evolução do conflito, das interrupções no fornecimento de energia e da dimensão dos mecanismos de propagação desencadeados pelo choque na determinação do impacto sobre a inflação a médio prazo”, explica o BCE.

Neste cenário, o crescimento da economia encolhe ainda mais, passando para uma taxa de 0,4% este ano e de 0,9% em 2027, antes de subir 1,9% em 2028. “O aumento do crescimento no final do horizonte de projeção reflete o aumento de rendimentos e da procura, como resultado da resposta ascendente dos salários após o aumento da inflação nos anos anteriores”, pode ler-se na análise.

No cenário severo, os preços do petróleo atinjam um pico de 145 dólares por barril e os preços do gás de 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, antes de diminuírem a um ritmo muito mais lento e permanecerem significativamente acima das premissas do cenário base e do cenário adverso durante o resto do horizonte de projeção.

(Notícia atualizada às 15h46)

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