De “memorável” a “extraordinário”. Sonae fecha 2025 com receitas históricas acima de 11 mil milhões e volta a propor aumento de dividendo

Dona do Continente teve lucros de 247 milhões de euros, acima dos 223 milhões em 2024. Um crescimento impulsionado pela MC. Empresa vai propor dividendo de 6,217 cêntimos.

2025 foi um ano extraordinário para a Sonae“. É desta forma que a CEO Cláudia Azevedo classifica os resultados anuais do Grupo da Maia, que, em 2024, tinha registado um ano “memorável”, nas palavras da empresária. A dona dos supermercados Continente atingiu um novo marco histórico de vendas, com as receitas a superarem pela primeira vez os 11 mil milhões de euros, enquanto os lucros aumentaram 11% para 247 milhões de euros.

O conselho de administração vai propor a distribuição de um dividendo de 6,217 cêntimos, o que representa um novo aumento de 5% face aos 5,921 cêntimos pagos no ano anterior.

A empresa da Maia fechou o último ano com um volume de negócios consolidado de 11,4 mil milhões de euros, mais 14,2% que o valor registado no ano anterior, um desempenho que foi “principalmente impulsionado pela MC, tanto nos segmentos de alimentar como de saúde e beleza, mas também pela Worten e pela Musti“, segundo o comunicado enviado esta quinta-feira pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A Sonae destaca o “forte crescimento, resultado da preferência dos consumidores, traduziu-se no reforço das quotas de mercado em todos os mercados onde a Sonae opera”. Já o EBITDA aumentou 17,6%, para 1,2 mil milhões de euros.

“2025 foi um ano extraordinário para a Sonae, reforçando a nossa confiança de que estamos a construir um grupo coeso de empresas líderes, com escala, capacidade e ambição para criar valor económico e social no longo prazo”, comenta Cláudia Azevedo, citada no comunicado.

A líder da Sonae realça que, “após uma reconfiguração significativa do portefólio da Sonae no ano passado, nomeadamente através dos investimentos relevantes na Musti e na Druni, em 2025 os nossos esforços centraram-se na integração bem-sucedida destas empresas, bem como no apoio a todos os negócios para que continuem a prosperar nos seus mercados”.

Tenho orgulho em partilhar que atingimos máximos históricos, com o volume de negócios a alcançar 11,4 mil milhões de euros, crescendo 14%, enquanto o EBITDA subjacente cresceu 24% para 1,12 mil milhões de euros, uma melhoria da margem de 9,1% para 9,9%”, sintetizou a empresária.

Cláudia Azevedo assinalou que a MC “voltou a destacar-se com um ano notável“. “O segmento alimentar apresentou um desempenho excecional, com crescimento LfL de 8,3%, impulsionado sobretudo pela forte evolução de volumes num contexto de inflação moderada”, apontou, acrescentando que o Continente voltou a aumentar a sua quota de mercado, “reforçando a sua posição de liderança, incluindo nas categorias de frescos e no canal online”.

No retalho alimentar e no segmento de saúde, bem-estar e beleza, o volume de negócios da MC atingiu 8,9 mil milhões de euros em 2025, um crescimento homólogo de 16% e uma subida comparável de 7,9%.

Contabilizando apenas o segmento alimentar, o volume de negócios subiu 10% para 7,1 mil milhões de euros, mantendo-se como a principal fonte de receitas do grupo.

A empresa explica, em comunicado, que o “crescimento foi principalmente impulsionado por volumes, refletindo a força da proposta de valor do Continente num contexto de inflação moderada. Este desempenho foi ainda suportado pela expansão da rede, com 13 supermercados abertos durante o ano, maioritariamente de proximidade”.

No segmento de saúde e beleza, o volume de negócios aumentou para 1,8 mil milhões de euros, com as vendas comparáveis a crescerem 5,6%, “refletindo a consolidação integral da Druni, um crescimento orgânico robusto e a contínua expansão da rede na Península Ibérica, com 42 lojas abertas durante o ano”. A Druni, que entrou no mercado português em 2025, fechou o ano com quatro lojas no país.

“A parceria com a família Casp na Druni revelou-se um passo decisivo, estabelecendo uma plataforma líder na Península Ibérica juntamente com a Wells. Estou muito confiante no potencial de criação de valor de longo prazo desta via de crescimento num mercado com fortes tendências estruturais favoráveis“, realçou a CEO no comunicado.

No retalho de eletrónica, marketplace e serviços, o volume de negócios da Worten aumentou 7,5%, para 1,5 mil milhões de euros.

No retalho de produtos para animais, a Musti “registou progressos significativos no reforço das suas posições nos países nórdicos e alargou a sua presença geográfica integrando a PetCity nos Bálticos (adquirida no 4T24) e a ZU em Portugal (adquirida à MC em dezembro de 2025)”. No final de 2025, a Musti tinha expandido a sua presença para sete países”. O volume de negócios aumentou 14,4%, “suportado pelos negócios recentemente adquiridos, pela abertura de lojas e por uma robusta performance de vendas LfL de 3,3%”, refere o documento.

Já a Sierra (imobiliário) atingiu um resultado líquido de 110 milhões de euros em 2025, suportado principalmente por um desempenho operacional mais forte e pela melhoria das avaliações dos centros comerciais.

Nas telecomunicações e tecnologia, a empresa destaca que a “NOS tem apresentado consistentemente resultados operacionais sólidos, trimestre após trimestre, apesar de operar num ambiente competitivo altamente desafiante no segmento de telecomunicações”. “Nas contas consolidadas da Sonae, a contribuição da NOS pelo método de equivalência patrimonial ascendeu a 92 milhões de euros em 2025″, acrescenta o comunicado.

Investimento abranda após onda de aquisições

Depois de um período forte de aquisições, que inclui a aquisição da nórdica Musti por cerca de 700 milhões de euros, da Diorren e a “combinação dos negócios” da Druni e da Arenal em Espanha, o grupo da Maia focou-se, em 2025, no desenvolvimento dos seus negócios, no reforço da diversificação do portefólio e na criação de valor social.

Contas feitas, o investimento consolidado atingiu 612 milhões de euros, “com destaque para a aposta na expansão orgânica dos negócios, nomeadamente no retalho nos diversos mercados em que a Sonae está presente, bem como em movimentos importantes do portefólio internacional”.

Trata-se de um valor que ficou muito aquém dos 1.589 milhões de euros investidos em 2024, sendo que, deste bolo, 1.121 milhões de euros destinaram-se a financiar as aquisições.

Estamos confiantes na força do nosso portefólio, que se encontra bem posicionado para a criação de valor no longo prazo“, rematou Cláudia Azevedo, acrescentando que “é equilibrado tanto do ponto de vista geográfico como setorial, com todos os negócios a deterem posições relevantes nos seus mercados com propostas de valor sólidas, beneficiando da exposição a mercados com fortes tendências estruturais favoráveis”. “Olhamos para o futuro com confiança e otimismo“, concluiu.

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