Jerónimo Martins admite interesse em alguns ativos do Carrefour na Polónia
"Não posso deixar de revelar que há localizações, obviamente na perspetiva de ativos, que teriam sempre interesse para nós", disse o CEO da Biedronka, Luís Araújo.
A administração da Jerónimo Martins admite estar interessada em alguns dos ativos do Carrefour na Polónia: “Na perspetiva da Polónia e do consumidor polaco, haveria interesse em que a Biedronka fosse a solução para muitos dos ativos do Carrefour”, disse esta quinta-feira o CEO da cadeia polaca, detida pelo grupo português.
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Segundo a imprensa internacional, o grupo francês Carrefour estará interessado em vender a sua operação na Polónia, país onde a dona do Pingo Doce explora a marca Biedronka. Alguns meios polacos têm igualmente avançado que o Governo polaco pretende que a empresa estatal National Food Industry Group adquira as cerca de 800 lojas Carrefour no país.
“Obviamente, não posso esconder que a empresa olha para todos os movimentos de mercado com atenção. Também não posso deixar de revelar que há localizações obviamente na perspetiva de ativos que teriam sempre interesse para nós”, admitiu Luís Araújo.
O responsável foi ainda mais longe: “Talvez depois de viver mais de dez anos na Polónia, e de ser, de certa forma, um pouco polaco, e também depois de gerir a empresa durante estes anos e conhecer o país, posso dizer que, se eu pensar na perspetiva do país e do povo polaco, talvez gostasse que a Biedronka se constituísse como solução para muitos ativos do Carrefour.”
Não posso deixar de revelar que há localizações [do Carrefour na Polónia], obviamente na perspetiva de ativos, que teriam sempre interesse para nós.
Luís Araújo recordou que “uma parte do negócio do Carrefour é desenvolvido por rede de franchising“, tal como a Biedronka: “Nós já temos por hábito na Biedronka abrir o modelo de negócio, e no fundo o processo de criação de valor em que a empresa se traduz, a parceiros e pequenos investidores. Nós seríamos certamente bons parceiros para estas pessoas e isto seria bom para o país e para o consumidor polaco.”
O CEO da cadeia polaca não quis confirmar diretamente se a Jerónimo Martins está ou não em conversações com o Carrefour para adquirir ativos na Polónia. Mas frisou que o grupo está “sempre a olhar para o mercado”. “Nós não temos muito por hábito comentar operações de aquisição e sobretudo revelar coisas ao mercado quando não temos a certeza. Normalmente somos um grupo que gostamos de falar do que é concreto”, retorquiu, quando confrontado pelos jornalistas.
“No caso da Polónia, a Biedronka é uma empresa que é líder de mercado, destacada, e consolidada. A questão de aquisição será sempre um processo muito preciso, escrutinado e validado”, indicou.
As declarações foram proferidas numa conferência de imprensa, em Lisboa, em que o CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, confirmou que o aumento dos preços dos combustíveis teve impacto “imediato” na empresa, que está para já a “absorver” este agravamento de custos.
A Jerónimo Martins anunciou na quarta-feira que lucrou 646 milhões de euros no ano passado, mais 7,9% do que em 2024. A empresa propôs a distribuição de um dividendo bruto de 0,65 euros por ação, o que significa um aumento de cerca de 10% em relação ao período homólogo.
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