Lagarde avisa que medidas para atenuar choques dos preços devem ser “temporárias” e “direcionadas”

Em dia de Conselho Europeu, presidente do Banco Central Europeu avisa governos que respostas orçamentais para atenuar o impacto da escalada de preços na energia devem ser direcionadas e temporárias.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) alertou esta quinta-feira que as respostas dos governos para atenuar o impacto da guerra no Médio Oriente devem ser “temporárias”, “direcionadas” e “adaptadas” às necessidades. O aviso de Christine Lagarde chega no dia em que os líderes europeus estão reunidos com o tema do choque dos preços da energia na agenda.

Quaisquer respostas orçamentais ao choque dos preços da energia devem ser temporárias, direcionadas e adaptadas. A atual crise energética sublinha o imperativo de reduzir ainda mais a dependência dos combustíveis fósseis”, disse Lagarde, na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Governadores.

O BCE decidiu esta quinta-feira manter as três taxas de juro diretoras e reviu em alta as previsões para a inflação, ao mesmo tempo que cortou as de crescimento económico, por causa do conflito no Médio Oriente. A reunião ocorre numa altura de escalada dos preços do petróleo e do gás natural, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz.

No dia em que o Conselho Europeu está reunido e António Costa já avisou que quer chegar a acordo sobre uma resposta conjunta ao impacto da guerra, Lagarde sublinhou que “o Conselho de Governadores destaca a necessidade urgente de fortalecer a economia da Zona Euro, mantendo simultaneamente finanças públicas sólidas”.

Esta semana, o presidente do Conselho Europeu defendeu que a crise “representa um momento dramático e desafiante para a ordem internacional baseada em regras e, evidentemente, tem um enorme impacto nos custos da energia”.

“Por isso, apelamos à Comissão Europeia para que apresente um conjunto de medidas temporárias e específicas destinadas a fazer face a este aumento dos custos da energia”, disse António Costa em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom).

Entre as opções em discussão na UE estão a redução de impostos e encargos nas faturas de energia, a criação de apoios aos consumidores mais vulneráveis e às indústrias intensivas e, a longo prazo, a alteração do mercado europeu de carbono para limitar a volatilidade dos preços e apoiar a descarbonização industrial.

“A área sobre a qual haverá mais debate é a energia, já que os preços energéticos – nomeadamente da eletricidade – são muito mais elevados na Europa do que nos nossos principais concorrentes globais, Estados Unidos ou China. Este problema tem de ser resolvido, principalmente agora com a guerra no Irão” e os seus efeitos, disse à Lusa um alto funcionário europeu, falando na antevisão do encontro.

Frisando que a situação está longe de se assemelhar à crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, este responsável admitiu “preocupação” no Conselho Europeu.

De acordo com a Lusa, uma outra fonte europeia considerou que “não existem posições diferentes sobre como lidar com estas questões”, pelo que o objetivo dos 27 líderes da UE nesta cimeira europeia é “encontrar uma abordagem equilibrada e eficaz” com “medidas concretas para reduzir os preços, também no curto prazo”.

Em Portugal, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou na quarta-feira o aumento do apoio ao gás de botija, que se destina a famílias vulneráveis, de 15 para 25 euros, a devolução de 10 cêntimos por litro no gasóleo profissional, bem como legislação sobre a limitação de preços em situação de crise energética, e também sobre a proteção de consumidores vulneráveis, com garantia de fornecimento mínimo.

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