Lagarde já não fala em ‘bom lugar’, mas vê BCE “bem posicionado para o grande choque que se está a desenrolar”
A presidente do banco central da Zona Euro não quis dar um calendário para as decisões de política monetária, reiterando que serão com base em dados e seguindo a nova análise de cenários.
- A guerra no Médio Oriente representa um risco crescente para a economia da Zona Euro, podendo acelerar a inflação e afetar a confiança dos consumidores e empresas.
- Christine Lagarde afirmou que o Banco Central Europeu está bem posicionado para enfrentar os desafios económicos, mantendo as taxas de juro inalteradas pela sexta vez consecutiva.
- Os mercados financeiros antecipam um aumento da inflação para cerca de 4% no próximo ano, com possíveis subidas das taxas de juro até dezembro, dependendo da evolução da situação.
A guerra no Médio Oriente é um risco descendente para a economia da Zona Euro e a prolongar-se poderá trazer uma aceleração na inflação (através dos preços da energia), pesar sobre a confiança, corroer os rendimentos, tornar as empresas e as famílias mais relutantes em investir e gastar, e piorar o sentimento nos mercados financeiros globais. Apesar deste ‘comboio’ de alertas, Christine Lagarde acredita que o Banco Central Europeu (BCE) está bem posicionado para enfrentar “o grande choque” desencadeado pelo ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão a 28 de fevereiro.
“Vamos continuar a fazer o que temos vindo a fazer”, referiu, em conferência de imprensa após o BCE ter esta quinta-feira mantido esta quinta-feira as taxas de juro na Zona Euro inalteradas pela sexta reunião consecutiva. Antes disso, a francesa vinha a descrever o contexto do banco central como um “bom lugar”, com a inflação a rondar a meta de 2%.
“Partimos de uma boa base e, por isso, não estou a dizer que estamos num bom lugar, mas sim que estamos bem posicionados“, disse. “Penso que estamos tanto bem posicionados como bem equipados para lidar com o desenvolvimento de um grande choque que se está a desenrolar”.
O banco central já foi obrigado a rever em alta as projeções para a inflação e em baixa as do crescimento económico, e a adiantar que irá apresentar ainda esta quinta-feira a análise de cenários sobre de que forma a guerra no Médio Oriente poderia afetar estes indicadores.
Sem calendário ou data
O BCE deixa assim a taxa de Facilidade Permanente de Depósito nos 2% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez mantêm-se nos 2,15% e 2,4%, respetivamente. Os mercados financeiros esperam agora que a inflação na zona euro suba para perto dos 4% ao longo do próximo ano, demorando depois anos a regressar à meta de 2% do BCE.
Os traders estão a prever duas ou três subidas das taxas até dezembro, mesmo que a maioria dos economistas continue a não prever alterações, apostando que o BCE não toleraria outro pico de inflação impulsionado pela guerra, depois de ter sido afetado pela invasão da Ucrânia pela Rússia há quatro anos.
Lagarde mostrou-se grata pelo facto de na última revisão estratégica o BCE ter decidido tomar decisões reunião a reunião e dependente dos dados. Esta quinta-feira manteve a posição: “Não posso dar-vos um calendário, uma data, mas posso garantir-vos que avançaremos com base nas projeções e nos cenários”.
A presidente do BCE elencou os pontos em que a instituição estará focada. “Estaremos particularmente atentos à evolução em todos os mercados de matérias-primas, aos estrangulamentos na oferta, às expectativas das empresas em relação aos preços de venda”, informou. “Estaremos particularmente atentos a todos os indicadores de procura, sejam eles os PMIs, a confiança dos consumidores, os indicadores salariais”.
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