Lucros da Martifer baixam 59% para 9,5 milhões antes da OPA da Visabeira. Receitas em máximos de 15 anos

Num ano marcado pela OPA da Visabeira e pelo pacto de acionistas envolvendo a Mota-Engil e os irmão Martins, carteira de encomendas situou-se nos 662 milhões. Dividendo baixa para 0,093 euros.

A Martifer, que tem desde o ano passado um novo pacto de acionistas entre Visabeira, Mota-Engil e irmãos Martins, que levou ao lançamento de uma oferta pública de aquisição encabeçada pela Visabeira, fechou o último ano com um resultado líquido de 9,5 milhões de euros, o que representa uma quebra de 59% face aos 23 milhões reportados em 2024. O volume de negócios acelerou para o valor mais elevado em 15 anos, segundo o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Empresa vai propor um dividendo de 0,093 euros, abaixo dos 0,12 euros pagos no ano passado e vai recorrer a reservas para remunerar acionistas.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Sem contabilizar o efeito do reforço de uma provisão de oito milhões de euros associada a uma sentença arbitral recentemente proferida no Brasil, “relativa a factos alegadamente ocorridos, no âmbito de um contrato assinado em 2012 referente ao projeto “Arena da Amazónia”, e que vinha a ser divulgado pelo Grupo como passivo contingente”, os resultados teriam recuado ‘apenas’ para 17,4 milhões de euros, salienta.

Os rendimentos operacionais do grupo de Oliveira de Frades subiram 12% para 296,4 milhões de euros em 2025, com a construção metálica a contribuir com 156,5 milhões de euros para o volume de negócios, a indústria naval a faturar 129,4 milhões e a área de renováveis os restantes 13 milhões de euros.

O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) baixou de 38,2 milhões de euros em 2024 para 32,2 milhões de euros, com uma margem de 11% sobre o volume de negócios (abaixo da margem de 15% no ano anterior).

No final do ano passado, antes da venda dos estaleiros navais de Aveiro ao empresário Mário Ferreira, a carteira de encomendas na construção metálica e na indústria naval situou-se nos 662 milhões de euros, ligeiramente abaixo dos 695 milhões em 2024 e dos 753 milhões em 2023.

A dívida bruta da empresa especializada em engenharia, infraestruturas energéticas e estaleiros navais fixou-se em 89 milhões de euros, no final de 2025, ficando três milhões acima dos 86 milhões registados no final de 2024.

Já a dívida líquida registou um aumento de cerca de 71 milhões de euros face a dezembro de 2024: passou de -22 milhões de euros para 49 milhões. Um agravamento que a empresa justifica com o “aumento de dívida nas renováveis e indústria naval associado aos investimentos para aumento de capacidade instalada em curso (investimento na Nova Doca de Viana do Castelo, e no projeto da Renováveis na Polónia 30MWp”.

O Conselho de Administração vai propor à Assembleia Geral, agendada para o dia 27 de maio, a distribuição de um dividendo bruto de 0,093 euros por ação, “dos quais 0,023 euros por ação resultarão da aplicação do resultado líquido apurado no exercício de 2025, sendo o montante remanescente, de 0,070 euros por ação, suportado pela utilização de reservas disponíveis para distribuição”. A remuneração baixa face aos 0,12 euros pagos no ano anterior.

Estes resultados ocorreram num ano marcado pelo lançamento da OPA da Visabeira, na sequência do acordo tripartido assinado com os irmãos Martins e a Mota-Engil, para permitir a entrada do grupo industrial no capital.

Os termos do acordo preveem que a Visabeira e a Mota-Engil ficam, cada uma, com 37,5% do capital da Martifer, sendo que a Visabeira está obrigada, por um contrato-promessa assinado em outubro de 2024, a adquirir mais 18% do capital até 30 de abril de 2026, enquanto a I’M fica com os restantes 25%.

Recorde-se que a Visabeira Indústria anunciou, no dia 6 de agosto de 2025, o lançamento de uma OPA obrigatória da totalidade das ações da Martifer que não são já controladas pelo grupo industrial de Viseu, pela I’M (irmãos Carlos e Jorge Martins) e pela Mota-Engil que, somados, representam 87,4% do capital. A contrapartida é de 2,057 euros por ação.

O objetivo do trio é promover a exclusão de bolsa e controlar 100% do capital. Isso apenas poderá acontecer se for ultrapassada a barreira dos 90% na oferta, permitindo uma oferta potestativa sobre as restantes ações dispersas; ou se, sendo aprovada uma exclusão voluntária de bolsa, os investidores que fiquem com ações aceitarem vender à base acionista de controlo. De uma maneira ou de outra, o futuro da Martifer deverá passar a ser fora da bolsa.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Lucros da Martifer baixam 59% para 9,5 milhões antes da OPA da Visabeira. Receitas em máximos de 15 anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião