Portugal e China têm vantagem na exportação dos mesmos produtos. E isso é um risco

Sobreposição nas vantagens comparativas do perfil exportador é "relativamente elevada" entre Portugal e a China, alerta Banco de Portugal. Em causa estão o vestuário, têxteis, calçado e mobiliário.

A dimensão da economia chinesa e portuguesa não é comparável, mas há um ponto de encontro que representa um risco para a quota de mercado das exportações portuguesas. Os países apresentam semelhanças nas vantagens comparativas do perfil exportador, como os têxteis e o calçado, aumentando a pressão competitiva sobre as empresas portuguesas.

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O alerta é do Banco de Portugal e consta de uma caixa de análise sobre o impacto dos direitos aduaneiros dos EUA sobre as importações da China, divulgada na quarta-feira como antecipação ao “Boletim Económico” de março.

A análise do regulador centrou-se em não existirem para já evidências de um redirecionamento de bens chineses para a União Europeia (UE) devido à política tarifária americana, embora o seu risco continue, sobretudo para países com um perfil de importações semelhante ao dos Estados Unidos. É neste âmbito que o regulador também alerta para o risco de uma intensificação da pressão competitiva sobre países europeus face à crescente semelhança com o perfil de especialização da China.

“Uma análise baseada nos índices publicados pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que, à medida que a China se posiciona progressivamente em segmentos de maior valor acrescentado, tem vindo a aumentar a proporção de bens em que apresenta vantagem comparativa revelada no conjunto de bens em que cada país europeu também apresenta tal vantagem”, refere a análise do Banco de Portugal.

Entre estes países incluem-se a Alemanha, a França ou Itália, com a pressão a chegar não apenas “por via de um aumento das importações, como também por via de uma redução da sua quota de mercado das exportações”.

Neste âmbito, no caso de Portugal, embora esta sobreposição não tenha aumentado, “é relativamente elevada, refletindo, por exemplo, a vantagem comparativa revelada das duas economias em setores como o vestuário, têxteis, calçado e mobiliário“, adverte.

Fonte: Banco de Portugal

O Governo tem como meta que as exportações portuguesas de bens e serviços ultrapassem os 55% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2029. No ano passado, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) estimou que para o atingir é preciso que as exportações aumentem cerca de 3,4% ao ano, pelo que todos os fatores de pressão terão impacto no cumprimento (ou não) do objetivo.

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