Tarifas, preços e depreciação do dólar provocam queda de 80% no lucro da Altri em 2025

Grupo de pasta e papel liderado por José Pina teve um resultado líquido de 21,4 milhões em 2025, "um ano financeiramente difícil". Receitas caíram 17% devido ao preço da pasta produzida de eucalipto.

O grupo Altri, que detém as empresas Biotek, Caima e Celbi, registou lucros de 21,4 milhões de euros em 2025. O resultado líquido da papeleira liderada por José Soares de Pina caiu 80,1% em relação ao ano anterior devido a uma tríade de fatores externos: tarifas de Donald Trump, depreciação do dólar e evolução desfavorável de preços.

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As receitas totais também caíram a dois dígitos (-17,8%) e fixaram-se nos 702,8 milhões de euros devido a uma “evolução menos favorável dos preços das fibras hardwood, como consequência de um ambiente global menos favorável para o setor”.

O mesmo se passou com o EBITDA. O lucro operacional da Altri (antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 94,1 milhões de euros no ano passado, o que corresponde a uma diminuição de 56,9% em termos homólogos, correspondendo a uma margem EBITDA de 13,4%. Ou seja, menos 12,1 pontos percentuais face à de 2024.

A empresa com sede no Porto argumenta que se deveu a “condições de mercado menos favoráveis com impacto em preços, ampliada pela evolução bastante desfavorável” do dólar norte-americano, de acordo com o relatório financeiro divulgado esta quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

É por este motivo que o CEO da Altri, José Soares de Pina, reconhece que 2025 foi “um ano financeiramente difícil”, que exigiu disciplina operacional, “busca constante pela otimização de processos” e melhoria de custos (-4,4%) pelo segundo ano consecutivo. Na mensagem divulgada com o relatório e contas, o gestor faz referência à “grande volatilidade nos preços das fibras, tensões comerciais e flutuações cambiais“.

Relativamente aos constrangimentos registados durante o primeiro trimestre de 2026, decorrentes do impacto provocado pelas fortes intempéries em Portugal, a Altri prevê uma normalização da situação no curto prazo.

José Pina

CEO da Altri

 

O investimento total do grupo foi de 48,4 milhões de euros em 2025, o que compara em alta com os 30 milhões de euros no ano anterior. Importa realçar que foi um ano de aquisições na Altri, nomeadamente uma participação de 58,7% na suíça Aeoniq e da totalidade do capital de duas empresas florestais na Galiza.

Por sua vez, a dívida líquida da Altri desceu em relação a setembro, embora tenha aumentado mais de 115 milhões de um ano para o outro: de 213,6 milhões de euros em 2024 para 329 milhões de euros em 2025. “Esta evolução é devida, essencialmente, a um aumento já expectável no nível de investimento relacionado com os vários projetos de diversificação (migração para fibras solúveis na Biotek, recuperação e valorização de ácido acético e furfural e a aquisição da Aeoniq)”, lê-se no documento.

Produção de pasta solúvel sobe 10%

A produção de pasta solúvel foi a única categoria que teve um crescimento entre 2024 e 2025, de 9,6%.

“Com o aumento da produção de pasta solúvel Biotek, deveremos continuar a ver uma tendência de crescimento deste segmento no peso total dos volumes vendidos, sendo que o enfoque atual da Biotek está na qualificação de pasta solúvel em múltiplos clientes”, informou a Altri.

Quanto ao uso final, o tissue – papel para guardanapos, papel higiénico, rolos de cozinha e toalhas de mesa – continua a ser a principal finalidade para as fibras celulósicas produzidas pelo grupo Altri, com um peso no total do volume de vendas de 48%.

Em termos regionais, a Europa é responsável por mais de metade (59%) das vendas, seguida pelo Médio Oriente e norte de África com 29%, sendo a Turquia o principal destino nesta região.

Relativamente aos constrangimentos registados durante o primeiro trimestre de 2026, decorrentes do impacto provocado pelas fortes intempéries em Portugal, a Altri prevê uma normalização da situação no curto prazo.

José Pina

CEO da Altri

Notícia atualizada às 18h36

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