Taxas do crédito da casa caem para mínimos de três anos antes de impacto do conflito do Irão

Taxa de juro implícita nos contratos de empréstimo à habitação está em queda há 25 meses consecutivos. Mas poderá voltar a subir com o impacto do conflito no Irão.

As famílias continuam a sentir um alívio nos encargos com o empréstimo da casa. A taxa de juro implícita nos contratos de crédito à habitação está em queda há 25 meses seguidos. Em fevereiro atingiu o valor mais baixo em três anos. Mas poderá voltar a subir com o impacto do conflito no Irão.

A taxa associada à generalidade dos contratos fixou-se nos 3,079% no mês passado, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Juros da casa cedem há 25 meses

Fonte: INE

Desde fevereiro de 2024 que mantém esta trajetória de queda, depois de ter atingido o pico nos 4,641% em janeiro desse ano. Neste período de 25 meses sempre em trajetória descendente os juros caíram 1,578 pontos percentuais — o triplo do que caíram nos 33 meses de queda entre agosto de 2014 e maio de 2017.

Mas esta evolução poderá ser interrompida agora devido ao início do conflito no Irão com os ataques dos EUA e Israel e que levou Teerão a retaliar contra os países vizinhos.

Os receios de escalada de inflação devido à subida expressiva dos preços da energia (petróleo e gás) estão a provocar um aumento das Euribor, que são usadas no cálculo da prestação mensal da casa nos contratos com taxa variável — a maioria em Portugal. Estas taxas estão a subir desde o início do mês, sobretudo no prazo a 12 meses, que já leva um avanço de 0,3 pontos percentuais em março. Isto vai implicar uma revisão em alta da prestação da casa quando os contratos forem revistos no próximo mês e seguintes se a tendência se mantiver.

Capital em dívida supera 80 mil pela primeira vez

Os dados do INE mostram ainda que a prestação média de fevereiro se fixou nos 404 euros, menos cinco euros em relação ao mesmo período do ano passado e da qual 201 euros correspondiam a capital amortizado e 203 a juros pagos.

Já o capital em dívida superou pela primeira vez os 80 mil euros. Em fevereiro registou-se um aumento de 502 euros face ao mês anterior. Há 69 meses que sobe. Desde maio de 2020 o capital médio em dívida pelas famílias junto da banca aumentou mais de 21 mil euros, ou seja, cresceu 37% no espaço de seis anos.

(notícia atualizada às 11h44)

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