Cuba avisa Trump que “sistema político não é objeto de negociação”

  • Lusa e ECO
  • 20 Março 2026

Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros classificou como “totalmente inaceitável para Cuba” qualquer pretensão de “apagar a independência” da ilha. Disposto a colaborar em matérias de segurança.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, afirmou que “o sistema político cubano não é objeto de negociação”, tal como nenhum dos cargos governamentais, numa resposta a ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Questionado sobre as negociações com os Estados Unidos numa conferência de imprensa, Carlos Fernández de Cossío evitou dar detalhes sobre o seu andamento e indicou que estes assuntos são “muito sensíveis” e que Havana está a tratá-los “com discrição”.

”Posso confirmar categoricamente que o sistema político cubano não é objeto de negociação, nem, evidentemente, o presidente ou qualquer cargo do Governo é objeto de negociação, seja com os Estados Unidos ou com qualquer outro país”, afirmou.

O vice-ministro classificou como “totalmente inaceitável para Cuba” qualquer pretensão de “apagar a independência” da ilha.

De Cossío reiterou que o Governo cubano está aberto ao diálogo com Washington, sobretudo sobre questões bilaterais que seriam de benefício mútuo. Referiu, entre outras, a colaboração em matéria de segurança face ao tráfico de droga e ao crime organizado.

Afirmou que a “posição sustentada” do Governo cubano é a disponibilidade para o diálogo com os Estados Unidos, algo que não vai mudar “apesar do aumento da hostilidade” de Washington. “Não vemos outra via” para resolver as nossas diferenças, disse.

Acrescentou que o Governo cubano está convencido de que, apesar das “diferenças bilaterais”, ambos os países podem manter uma “relação respeitosa”.

“Cuba não representa uma ameaça para os EUA”, afirmou o vice-ministro, que criticou a “política impiedosamente agressiva” de Washington em relação à ilha, o “boicote energético efetivo” em vigor desde o final de janeiro e as recentes “ameaças ilegais e ilegítimas”.

Os jornais norte-americanos Miami Herald e The New York Times publicaram nos últimos dias informações indicando que o Governo norte-americano estaria a procurar, no âmbito das negociações com Havana, um substituto para o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, visto como um obstáculo a um entendimento.

A Casa Branca e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negaram estas informações. Por seu lado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou recentemente que seria para ele uma honra poder tomar Cuba e que poderia fazer com a ilha o que quisesse.

Diaz-Canel criticou duramente estas afirmações, lamentando que o seu país seja ameaçado diariamente.

Cuba está “pior do que nunca”

Entretanto, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a situação de Cuba está “pior do que nunca”, sob um Governo que é “um desastre”, em declarações à imprensa após deixar a Casa Branca, em Washington.

“Cuba é um desastre, algo que se deve ao seu Governo comunista. Não funciona. Não tenho nenhuma novidade [quanto ao plano da administração norte-americana para a ilha]. Esta situação prolonga-se há seis ou sete anos: são um desastre. A situação está pior do que nunca”, afirmou, ao deixar a Casa Branca juntamente com o presidente Donald Trump rumo à Florida.

A administração norte-americana e o Governo de Cuba continuam a negociar acerca da raiz do bloqueio energético imposto por Trump à ilha, após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, em 03 de janeiro.

O país caribenho vive, desde meados de 2024, uma grave crise que se agravou com o bloqueio petrolífero imposto pelo Governo dos Estados Unidos, quando Washington bloqueou a comercialização de petróleo venezuelano para a ilha.

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