Longe ou perto do cenário de crise? Depende da energia
Maria Graça Carvalho afirma que "estamos a ficar perto" do cenário de crise energética. Leitão Amaro coloca esse cenário "longe". A diferença, diz a tutela, está no tipo de energia em causa.
A ministra da Energia e do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, indica que o Governo tem “um conjunto de medidas a serem preparadas e quantificadas” para proteger as famílias, na sequência da subida de preços da energia que se tem verificado na sequência da guerra no Irão. E revelou que “estamos a ficar perto” do cenário de crise energética, que justificaria a aplicação dessas novas medidas.
“Nós estamos a ficar perto dos critérios para declarar crise energética“, afirmou Maria da Graça Carvalho. Chegando a esse ponto, o Governo terá “um conjunto de medidas que estão a ser todas elas analisadas e quantificadas de como podemos proteger as famílias e também as empresas”, disse. A aplicação de medidas vai depender da evolução dos preços.
Para a ministra, uma vez que o país tem uma elevada penetração de renováveis, o “maior problema” está no gasóleo, que aumenta mais que a gasolina, por a refinação estar muito concentrada no Médio Oriente, mas também no gás, muito usado nas casas e pela indústria.
Sobre as medidas avançadas pela Agência Internacional de Energia, que se focam na redução de consumo, a líder da tutela afirma que ainda não estão em cima da mesa, já que “algumas dessas medidas têm um impacto também depois de retorno na economia”. Contudo, “há um programa de poupança energética que nós temos preparado, caso venha a ser necessário”, indica.
Esta quinta-feira, no rescaldo do Conselho de Ministros, o Governo aprovou legislação que permite limitar os preços da eletricidade para consumidores domésticos e empresas, caso um cenário de crise energética se venha a materializar. Já em Espanha, o IVA nos combustíveis, eletricidade e gás natural vai baixar em Espanha de 21% para 10%, ao abrigo de um pacote de “redução drástica da fiscalidade energética” para responder ao impacto da guerra no Médio Oriente, anunciou Pedro Sánchez nesta sexta-feira.
Longe ou perto, depende da energia
A Ministra do Ambiente e Energia referiu que, tendo em conta a subida dos preços da energia, “estamos a ficar perto dos critérios para declarar uma crise energética”, um dia depois de Leitão Amaro ter considerado que “ainda estamos longe” desse mesmo cenário, no rescaldo do Conselho de Ministros no qual foram aprovadas várias medidas na área da energia.
Face a esta divergência, o Ministério do Ambiente veio prestar um esclarecimento ao fim da tarde: “Importa, no entanto, distinguir claramente a situação entre gás natural e eletricidade“.
No caso do gás natural, registou-se um agravamento muito significativo e recente das condições de mercado. O preço do gás encontra-se atualmente cerca de 85% acima dos níveis verificados no início da guerra no Médio Oriente, a 27 de fevereiro de 2026, refletindo perturbações relevantes no fornecimento global, nomeadamente constrangimentos em infraestruturas de produção no Qatar. “Esta evolução rápida explica a alteração do enquadramento de um dia para o outro e aproxima o cumprimento dos critérios europeus para uma eventual declaração de crise neste setor“, indica o ministério. Já no setor da eletricidade, “o cenário é distinto”, frisa o mesmo gabinete, dada a forte incorporação de energias renováveis no sistema elétrico nacional.
(Notícia atualizada com o título “Longe ou perto? Ministros divergem sobre cenário de crise energética”, ao invés de “Estamos a ficar perto dos critérios para declarar crise energética” e novamente às 22:17, com esclarecimento do ministério do Ambiente)
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