Cotadas abrem os cordões à bolsa com mais de 3,1 mil milhões a caminho dos acionistas

Lucros das cotadas do PSI subiram no ano passado e isso vai ter reflexos no bolso dos acionistas: vem aí um cheque de mais de 3,1 mil milhões de euros em dividendos, mais 4% em relação ao ano passado.

Vem aí uma das temporadas mais aguardadas pelos investidores: os dividendos. E as cotadas do PSI não vão ser propriamente sovinas. Preparam-se para distribuir mais de 3,1 mil milhões de euros pelos acionistas, o que representa uma subida de 4% em relação ao ano passado, de acordo com os dados compilados pelo ECO.

Este montante de dividendos corresponde a perto de 60% dos resultados que as cotadas registaram em 2025 — e não incluem outro tipo de remuneração acionista, como recompras de ações. O ano passado acabou por ser um bom ano para as grandes empresas do principal índice da bolsa de Lisboa: somaram lucros de 5,4 mil milhões de euros no ano passado, um disparo na ordem dos 30% em termos homólogos – ainda que as receitas tenham praticamente estabilizado.

A Galp, a EDP e o BCP somaram lucros de mais de mil milhões de euros, confirmando o estatuto de ‘pesos pesados’ da praça nacional. E também vão ser as cotadas que mais dinheiro vão entregar aos seus acionistas, representando aproximadamente 60% do bolo total dos dividendos do PSI.

A elétrica liderada por Miguel Stilwell vai distribuir quase 860 milhões de euros pelos acionistas, cerca de 75% do seu resultado – com a China Three Gorges à cabeça a receber 183,6 milhões.

O banco liderado por Miguel Maya vai dar mais de 500 milhões sob a forma de dividendo, isto sem contabilizar outros 400 milhões em forma de recompra de ações – e também aqui há um grupo chinês com razões para sorrir, a Fosun, que se prepara para encaixar mais de 100 milhões.

Já a petrolífera comandada por Maria João Carioca e João Diogo Silva, depois do maior lucro do PSI, vai repartir mais de 40% do resultado de 1,15 mil milhões pelos seus acionistas, com o dividendo a superar os 480 milhões e a família Amorim a receber perto de 100 milhões (também sem contar com o programa de recompra de ações).

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Nos é a mais generosa (e mais sexy)

Há uma cotada que vai distribuir praticamente 100% do lucro pelos acionistas: é a Nos, que costuma ser das mais generosas neste capítulo do payout e este ano repete o feito. Os acionistas da telecom liderada por Miguel Almeida vão receber mais de 230 milhões em dividendos.

Além de ser a mais generosa, a Nos é aquela que tem o dividendo mais atrativo do ponto de vista da rentabilidade, com uma taxa de rendimento superior a 8% — face à cotação de fecho de sexta-feira.

Neste ranking segue-se a Corticeira Amorim, cujo dividendo de 0,35 euros por ação apresenta uma dividend yield superior a 5,5%. E a completar o pódio está a EDP, com um rendimento do dividendo na casa dos 4,8%.

Do lado oposto está a regressada aos lucros EDP Renováveis, com uma dividend yield tímida de 1%. As taxas de dividendo da Galp e da Semapa rondam os 3%.

11 cotadas aumentaram o dividendo

Por conta do bom desempenho no ano passado, e fruto da necessidade de manter a ação atrativa para os investidores, 11 cotadas (das 14 que já apresentaram contas) melhoraram a remuneração acionista.

Apenas a Navigator e a casa-mãe Semapa não o fizeram: o dividendo da papeleira caiu após uma quebra de 50% do lucro e a holding da família Queiroz Pereira manteve o dividendo nos 62,6 cêntimos.

Por seu turno, Jerónimo Martins, CTT, Nos, BCP e Mota-Engil subiram o dividendo por ação em mais de 10% e o dividendo da EDP Renováveis subiu 62,5%, dos 8 cêntimos para 13 cêntimos – ainda longe dos 19,5 cêntimos de 2023.

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