Trump diz que o “petróleo vai cair como uma pedra”. Irão acusa-o de só querer “manipular” os mercados
Trump afirmou que se as negociações com o Irão continuarem de forma produtiva, haverá um acordo muito em breve. Irão nega quaisquer negociações e acusa o presidente dos EUA de manipular mercados.
Os Estados Unidos mantiveram conversações com o Irão e as duas partes têm “pontos de acordo importantes”, afirmou esta segunda-feira o presidente americano, Donald Trump. O presidente do parlamento iraniano nega quaisquer negociações com os EUA e avisa que as palavras de Trump servem para “manipular os mercados financeiros e petrolíferos”.
Em declarações aos jornalistas antes de embarcar no avião presidencial Air Force One, o republicano adiantou que as conversações realizadas no domingo irão prosseguir esta segunda-feira e que, se as negociações continuarem de forma produtiva, haverá um acordo muito em breve.
Confirmando-se esse cenário, o preço do petróleo irá cair “como uma pedra”, afirmou o presidente dos EUA, adiantando que um eventual acordo também incluirá a reabertura do Estreito de Ormuz, canal por onde passava 20% do comércio mundial de petróleo e que o Irão bloqueou desde os ataques de 28 de fevereiro.
Uma hora depois, na rede social X, Mohammad Bagher Ghalibaf escreveu que as declarações do presidente norte-americano eram “notícias falsas” para “escapar ao lodaçal em que os EUA e Israel estão presos”.
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Quando questionado sobre a decisão do Tesouro dos EUA, na semana passada, de aliviar as sanções sobre o petróleo iraniano retido no mar, Trump disse que queria que houvesse “o máximo de petróleo possível no sistema”.
A agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, já tinha negado a existência de quaisquer conversações, afirmando que não houve comunicações diretas nem indiretas com os EUA, e o jornal estatal IRNA noticiou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que não se realizaram negociações com os EUA.
Mas Trump explicou que o seu enviado para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e o genro, Jared Kushner, conduziram as conversações com uma “pessoa de topo” do Irão. O presidente americano recusou-se, no entanto, a identificar esse interlocutor, mas afirmou que não se tratava do líder supremo do Irão, o aiatola Mojtaba Khamenei e que o regime iraniano Irão “ainda tem alguns líderes”. Fonte israelitas, citadas pelos media internacionais, indicaram que o interlocutor era mesmo Ghalibaf.
“Estamos a lidar com o homem que considero ser o mais respeitado e o líder”, sublinhou, acrescentando que não teve contacto com Khamenei, que não sabe se está vivo, mas referindo que não o quer ver morto e que não o vê como líder supremo do país”.
Controlo conjunto do Estreito?
Questionado sobre o que quer no eventual acordo, Trump respondeu: “O Irão sem bomba nuclear, sem armas nucleares, nem sequer perto disso“.
“Queremos ver a paz no Médio Oriente”, vincou. “Se isso acontecer, será um excelente começo para o Irão se reconstruir e será também excelente para Israel e para os outros países do Médio Oriente”.
Existem 15 pontos de acordo, disse, sem os elencar. Perguntado sobre como seria controlado o Estreito de Ormuz, disse que seria de forma conjunta. Por quem? “Talvez por mim. E pelo aiatola, seja quem for o próximo“.
“E haverá também uma forma muito séria de mudança de regime“, concluiu. “Ora, para ser justo, todos foram mortos devido à mudança de regime. Há automaticamente uma mudança de regime”.
Trump publicou esta segunda-feira um post na rede Truth Social a informar que deu ordens para adiar quaisquer ataques militares contra centrais elétricas iranianas por cinco dias, horas antes de um prazo que ameaçava uma nova escalada do conflito, agora na sua quarta semana.
(Notícia atualizada às 16h13 com mais citações)
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