Exclusivo Semapa vai usar encaixe da Secil para “procurar negócios industriais”. Transição energética será um dos focos
Ricardo Pires, presidente executivo da Semapa, afirma ao ECO que encaixe com a venda da Secil será usado para novos investimentos. "Poderemos analisar oportunidades maiores", diz o gestor.
A Semapa concretizou esta segunda-feira a venda da Secil à espanhola Molins. O encaixe de 1.081 milhões será usado para investir em negócios industriais com “boas perspetivas de crescimento e exposição a mercados externos”, afirma o CEO, Ricardo Pires, em respostas enviadas ao ECO. Não está prevista uma remuneração extraordinária aos acionistas.
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“Vamos continuar à procura de oportunidades de investimento, em Portugal e outras geografias, com enfoque na Europa, onde podemos contribuir para o desenvolvimento das participadas, e em setores que nos permitam diversificar, crescer e rentabilizar os investimentos realizados”, afirma o presidente executivo.
Há uma área que tem centrado atenções na administração da Semapa. “Temos estado com bastante atenção a oportunidades industriais em alguns espaços, como por exemplo a transição energética, nomeadamente em soluções para esta área, como é o caso da Imedexa, mas também para produtos e serviços que permitam à Europa reforçar a sua competitividade e autonomia neste setor”.
A espanhola Imedexa, líder europeia no desenho e fabrico de estruturas metálicas para infraestruturas de transmissão e distribuição de eletricidade, foi o primeiro investimento direto estrangeiro da holding da família Queiroz Pereira. Foi adquirida em julho do ano passado por 148 milhões de euros.
Também em 2025 a participada ETSA adquiriu a espanhola Barna por 33,5 milhões. Dois anos antes, o alvo foi a portuguesa Triangle’s, fabricante de quadros para bicicletas com sede em Águeda.
“A Semapa tem no ADN fazer investimentos com uma componente industrial e é nesta linha que temos vindo a investir. Desde que iniciámos este novo ciclo, que estabelecemos como objetivo investir em empresas e produtos com um forte potencial de criação de valor, tanto através da holding como das participadas, e definimos também como ambição alargar a nossa presença geográfica”, explica Ricardo Pires.
Vamos continuar a procurar negócios industriais com boas perspetivas de crescimento e exposição a mercados externos e, talvez, procurando uma menor intensidade de capital.
“Vamos continuar a procurar negócios industriais com boas perspetivas de crescimento e exposição a mercados externos e, talvez, procurando uma menor intensidade de capital“, reitera o CEO.
“A venda da Secil acaba por reconfigurar um pouco o perfil do grupo, de duas empresas de maior dimensão e estabilidade passamos a uma, por isso, poderemos analisar oportunidades maiores sempre que tragam um rebalanceamento e impacto positivo ao portefólio”, explica.
Dividendo extraordinário não está previsto
A Semapa registou uma diminuição de 33% nos lucros atribuíveis aos acionistas em 2025, para 156,6 milhões, devido sobretudo à quebra na contribuição da Navigator. A venda da Secil gerou uma mais-valia contabilizada em 400 milhões de euros, mas cujo efeito só se fará sentir nas contas deste ano.
A holding da família Queiroz Pereira tinha no final de 2025 uma dívida líquida remunerada de 1.006,1 milhões, equivalente a 2,64 vezes o EBITDA, que vai encolher com a venda da Secil.
Com o encaixe, o Grupo Semapa fica com uma posição de dívida líquida consolidada muito saudável, que nos coloca numa posição favorável para encontrar novas oportunidades de investimento, salvaguardando sempre a máxima disciplina e não abdicando dos nossos objetivos de criação de valor de longo prazo para os acionistas.
“Com o encaixe, o Grupo Semapa fica com uma posição de dívida líquida consolidada muito saudável, que nos coloca numa posição favorável para encontrar novas oportunidades de investimento, salvaguardando sempre a máxima disciplina e não abdicando dos nossos objetivos de criação de valor de longo prazo para os acionistas”.
Na divulgação dos resultados, o grupo, que é detido em 83,2% pela SODIM, indicou que o conselho de administração vai propor à Assembleia Geral de acionistas uma distribuição de dividendos às ações em circulação, relativa a 2025, no montante de 0,626 euros por ação, igual ao distribuído relativamente a 2024.
Questionado sobre se a mais-valia obtida será usada para reforçar a remuneração aos acionistas, nomeadamente através de um dividendo extraordinário ou recompra de ações, Ricardo Pires responde que “não estão previstas propostas adicionais nestas matérias”.
A Molins demonstrou, ao longo de todo o processo, que pretende desenvolver a Secil, reforçar a sua presença no mercado português e dar continuidade ao legado construído pela Semapa.
A Secil passa agora para a espanhola Molins, fundada em 1928, dois anos antes da cimenteira portuguesa. Sobre o futuro, Ricardo Pires afirma que “foi essencial no processo de decisão da Semapa garantir que a Secil ficava nas mãos de uma empresa do setor, com ambição industrial, visão de longo prazo e compromisso com o desenvolvimento da empresa“.
“A Molins demonstrou, ao longo de todo o processo, que pretende desenvolver a Secil, reforçar a sua presença no mercado português e dar continuidade ao legado construído pela Semapa. Foi isso que nos deu confiança nesta operação. Naturalmente, as decisões futuras caberão agora à Molins”, conclui.
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