Trio com lucros acima de mil milhões leva cotadas do PSI a novo ano de resultados recorde
Galp, EDP e BCP lucraram mais de mil milhões em 2025. Estas três empresas foram as responsáveis por mais de 60% da rentabilidade das cotadas da bolsa. Exportadoras sentiram o efeito das tarifas.
Depois de um travão nos lucros em 2024, a rentabilidade das empresas da bolsa prepara-se para fixar um novo recorde, relativo ao ano de 2025, num exercício em que três cotadas — BCP, Galp Energia e EDP — fecharam com resultados líquidos acima de mil milhões de euros, representando mais de 60% dos ganhos reportados no último ano. Com apenas duas empresas a faltarem para fechar a época de resultados anuais no PSI e cerca de 5,4 mil milhões reportados, 2025 prepara-se para um novo ano recorde de lucros.
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As cotadas do índice de referência PSI — falta apenas conhecer as contas da Ibersol e da Teixeira Duarte no final de abril — fecharam o último ano com um resultado líquido de 5.399,7 milhões de euros, um aumento de 27,4% face aos 4.238,9 milhões de euros (sem contabilizar a Teixeira Duarte, que só foi promovida ao PSI em setembro de 2025) reportados em 2024.
Os lucros já reportados estão assim praticamente em linha com os 5.402,3 milhões apresentados em 2023, o anterior recorde, sendo que ainda faltam contabilizar os resultados da Ibersol e da construtora, o que deverá aumentar o bolo total, tendo em conta que ambas as empresas apresentaram números positivos nos primeiros meses de 2025. A empresa de restauração reportou lucros de 11,7 milhões até setembro de 2025, enquanto a construtora fechou o primeiro semestre (não apresentou contas trimestrais) com lucros de 42,4 milhões de euros.
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As estimativas dos analistas consultados pela Reuters já apontavam para um regresso dos lucros acima da fasquia dos cinco mil milhões de euros, apesar dos desafios que marcaram o último ano. 2025 ficou marcado pelo tema das tarifas, com a nova administração norte-americana liderada por Donald Trump a avançar com novas taxas aduaneiras sobre todos os países, o que determinou um ambiente de instabilidade e incerteza, que pressionou empresas com maior exposição internacional, como as papeleiras e a Corticeira Amorim. Já as cotadas mais ligadas à economia nacional destacaram-se pela positiva.
O EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) também mostrou uma evolução positiva, ao subir de 16,9 mil milhões de euros para 19,3 mil milhões, um aumento de 14%. Já as receitas das empresas não financeiras fixaram-se em 89,9 mil milhões de euros, ligeiramente acima dos 89,5 milhões reportados um ano antes.
“Trio” valioso garante 61% dos lucros
EDP, Galp e BCP concentraram cerca de 61% dos lucros do índice de referência da bolsa portuguesa. A petrolífera, que em 2024 foi a mais rentável da bolsa, repetiu a mesma proeza, ainda que, desta vez, taco a taco com a EDP. A empresa coliderada por Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva registou um resultado líquido de 1.154 milhões, o que representa um aumento de 20% face aos 961 milhões ganhos em 2024.
Já a EDP, que no ano anterior foi fortemente castigada pelo negócio das renováveis — EDPR passou de lucros de 309 milhões de euros, em 2023, a um prejuízo de 556 milhões em 2024 –, voltou a atingir uma rentabilidade superior a mil milhões de euros, ao fixar um lucro de 1.150 milhões no último ano. Trata-se de um aumento de 44% face aos 801 milhões reportados no ano anterior.
No caso da empresa de renováveis, depois das elevadas perdas extraordinárias em 2024, com a saída das operações na Colômbia e do offshore nos EUA a levarem a prejuízos, a EDP Renováveis voltou aos lucros no ano passado, com um resultado líquido de 216 milhões de euros.
Já o BCP voltou a fechou outro ano com “chave de ouro”. O único banco cotado na bolsa lisboeta manteve a trajetória de crescimento dos lucros, com o resultado líquido anual de 2025 a passar de 906,4 para 1018,6 milhões de euros, “os melhores resultados de sempre”.
CTT e Sonae também registaram melhorias de dois dígitos nos resultados anuais, enquanto as papeleiras e a Corticeira sentiram o impacto das tarifas, da descida do dólar e dos preços do papel nas suas contas. A Altri registou lucros de 21,4 milhões de euros em 2025, uma quebra de 80,1%; a Navigator reportou uma quebra de 49,6%, que influenciou a descida de 32,7% dos números da Semapa; e a Corticeira viu a rentabilidade baixar perto de 20%.
O balanço desta earnings season pode considerar-se misto, o setor do retalho, da energia integrada (Galp) e financeiro mostraram resiliência, enquanto o setor elétrico (EDP) e as cotadas do setor da pasta de papel pesaram nos lucros agregados do índice.
“O balanço desta earnings season pode considerar-se misto, o setor do retalho, da energia integrada (Galp) e financeiro mostraram resiliência, enquanto o setor elétrico (EDP) e as cotadas do setor da pasta de papel pesaram nos lucros agregados do índice”, sintetiza Pedro Oliveira, Trader da sala de mercados do Banco Carregosa. “Pela positiva destacaria a Galp e o BCP e pela negativa a EDP e Navigator”, acrescenta, justificando que, no caso da elétrica, apesar do aumento do resultado líquido, o resultado recorrente apresentou uma descida homóloga de 8%
Por sua vez, Pedro Barata, gestor de ações nacionais da GNB, assinala que “de um modo geral, nesta earning season o balanço foi positivo e dentro daquilo que era esperado“. “Porém, nesta altura do mercado, os investidores querem perceber quais são as expectativas das empresas para o seu negócio, num ambiente com pouca visibilidade, grande incerteza e elevada volatilidade”, destaca, notando que, aí, “a mensagem de prudência foi quase unânime”. “E foi esta cautela, fácil de entender no contexto atual, que fez mexer o mercado dando lugar, em alguns casos, a fortes oscilações”, explica.
Nesta altura do mercado, os investidores querem perceber quais são as expectativas das empresas para o seu negócio, num ambiente com pouca visibilidade, grande incerteza e elevada volatilidade. E aí, a mensagem de prudência foi quase unânime. E foi esta cautela, fácil de entender no contexto atual, que fez mexer o mercado dando lugar, em alguns casos, a fortes oscilações.
O início do conflito no Médio Oriente, depois de um início de ano marcado pelas tensões em torno das pretensões norte-americanas em relação a assumir o controlo da Gronelândia, geraram uma nova onda de preocupações nos mercados. Uma situação que, segundo avisa Pedro Barata, poderá levar a “algum possível ajuste que os analistas e investidores possam ter de fazer nas suas estimativas para o futuro desempenho de algumas empresas”.
“Independentemente disso, é de salientar a robustez financeira que a grande maioria das empresas apresentou, o que mostra que estão bem preparadas para enfrentar o futuro, apesar de alguma volatilidade que possa surgir no entretanto”, defende
Instabilidade afasta bolsa de máximos
Depois de ter voltado em força aos ganhos em 2025, como PSI a subir mais de 29%, o melhor desempenho desde a crise financeira de 2009 e um dos maiores na Europa, a guerra no Irão determinou uma inversão desta tendência, afastando o índice dos máximos de 2008.
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“Espera‑se um ano de 2026 bastante volátil sobretudo devido aos riscos significativos de possíveis subidas taxas de juro e do atual contexto geopolítico”, antecipa Pedro Oliveira.
O trader da sala de mercados do Banco Carregosa realça que “o ano teve um início forte com a maioria dos analistas a perspetivar uma valorização de dois dígitos no final do ano, mas mais recentemente têm surgido alguns dados menos otimistas que poderão ter impacto no desempenho do mercado a nível global”, remata.
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