Abertura de lojas de luxo na Europa sobe em 2025, mas Avenida da Liberdade está quase estagnada
Na Avenida da Liberdade, em Lisboa, abriram três novas lojas e a oferta é quase nula, segundo o relatório da Cushman & Wakefield. LVMH, Kering e Richemont concentraram quase um terço das 96 aberturas.

O relatório da consultora imobiliária Cushman & Wakefield para 2025 contabiliza 96 novas lojas em 20 artérias de luxo da Europa. Lisboa segue a tendência: a Avenida da Liberdade registou cinco contratos, três aberturas e oferta quase nula.
Segundo a Cushman & Wakefield, estas 96 novas lojas de luxo ficam nas principais ruas comerciais da Europa e representam uma subida de 13% face às 85 registadas em 2024. O relatório European Luxury Retail acompanha 20 artérias de referência, distribuídas por 16 cidades e 12 países. Nas suas conclusões, aponta para uma intensificação da concorrência por espaço num mercado com disponibilidade cada vez mais limitada.
Em Lisboa, a Avenida da Liberdade seguiu a mesma tendência. Maria José Almeida, associate e responsável pelo comércio de luxo na Cushman & Wakefield, afirma que a avenida registou três novas aberturas em 2025, num enquadramento de disponibilidade “praticamente nula”. A responsável acrescenta que a menor escala do mercado lisboeta e a limitação física da avenida agravam o desequilíbrio entre procura e oferta.
Na Avenida da Liberdade a taxa de desocupação atingiu 0% no final de 2025, eliminando praticamente qualquer margem para novas entradas. Apesar disso, foram registadas três novas aberturas ao longo do ano e cinco novos contratos de ocupação (um número idêntico a 2024). Abriram a nova loja Eleventy, no espaço comercial do antigo edifício do Diário de Notícias, e as lojas da Chaumet e Breitling, com o parceiro local, David Rosas. Com contrato de 2025, mas a contar como abertura de 2026 está a joalharia Buccelati, inaugurada em janeiro. Está também prevista para este ano a abertura de uma loja dos relógios Lange & Söhne.
Estes números sugerem que a expansão está atualmente limitada pela disponibilidade de espaço e não pela procura e que a escassez tem impacto direto nos valores imobiliários. As rendas prime cresceram 4% em 2025 e acumulam uma subida de cerca de 30% desde 2020, colocando Lisboa entre os mercados com maior valorização recente. A pressão deverá manter-se, numa avenida fisicamente limitada e com poucos projetos em marcha, exceção feita ao quarteirão antes ocupado pela sede do BES, que está a ser convertida pela Merlin Properties num edifício de escritórios e lojas, cinco no total, com um total de 3500 metros quadrados. “Estas unidades vão trazer nova oferta num ambiente de restrição da disponibilidade”, segundo o relatório da consultora.

Perante este contexto, as marcas estão a adaptar as suas estratégias. A entrada no mercado português tem sido feita através de lojas emblemáticas e de formatos mais flexíveis, incluindo ocupação de pisos superiores ou modelos por marcação.
A evolução do eixo da Avenida da Liberdade reflete também uma mudança no posicionamento do retalho de luxo, de acordo com o relatório da Cushman & Wakefield, como denotam a integração de conceitos de restauração premium, como o JNcQUOI Fish e House. Tudo aponta para a conversão da avenida num destino experiencial, onde comércio, hospitality e lifestyle convergem.
Em 2025, o mercado nacional de bens pessoais de luxo gerou cerca de mil milhões de euros, registando uma ligeira contração de 1,3% face ao ano anterior. Ainda assim, o setor continua suportado pelo crescimento do turismo, que atingiu 20,7 milhões de dormidas internacionais, um aumento de 4,3%. Este fator mantém-se determinante num mercado onde o consumo local tem menor peso relativo.
Na Europa, de acordo com a consultora, as marcas detidas por LVMH, Kering e Richemont concentraram quase um terço das novas aberturas. Os restantes 70% foram assegurados por 57 outras marcas e grupos, sinal de que o crescimento não ficou restrito aos maiores conglomerados do setor.
A Cushman & Wakefield refere ainda que a escassez de espaço continua a marcar o retalho de luxo europeu. Em várias das principais ruas analisadas, as taxas de desocupação estão próximas de zero, o que está a aumentar a pressão sobre os melhores ativos e a levar as marcas a recorrerem a soluções como a ocupação de pisos superiores. Neste contexto, as rendas prime em 2025 estavam 7% acima dos níveis de 2018, atingindo máximos históricos em vários mercados, segundo o relatório.
Para a consultora, o cenário atual deverá continuar a sustentar a subida das rendas e reforçar o posicionamento da Avenida da Liberdade como principal destino de luxo em Portugal. O relatório conclui que o retalho físico mantém um papel central na estratégia das marcas, num momento em que a aposta recai sobre lojas emblemáticas, experiência de marca e localizações de longo prazo.
E, apesar da dimensão reduzida do mercado português, o relatório antecipa um crescimento acima da média europeia até 2030. Esse potencial estará, contudo, condicionado pela capacidade de aumentar a oferta de espaços adequados, num contexto em que a escassez se tornou o principal fator de limitação à expansão do luxo em Lisboa.
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